Dor na relação sexual: pode ser varizes pélvicas! Saiba mais sobre esta doença

As varizes, apesar de serem mais comuns nas pernas, também podem acometer as veias da região pélvica.  Essas varizes da região pélvica podem levar a quadro de dor durante e após a relação sexual e dor na parte inferior do abdome, a chamada dor pélvica crônica. Nesse artigo, você irá conhecer melhor o que é esta doença, como é investigada e qual é o tratamento.

Dor em baixo ventre e após a relação sexual pode ser varizes pélvicas

Síndrome da Congestão Pélvica: entenda o que é isso

As varizes pélvicas são veias dilatadas ao redor dos órgãos da pelve, como útero e ovários. A presença dessas varizes em grande quantidade leva ao aparecimento de sintomas, que caracterizam uma doença chamada Síndrome da Congestão Pélvica.
A síndrome da congestão pélvica é caracterizada pela presença de dor na região inferior do abdome, popularmente conhecida como baixo ventre. Essa dor geralmente piora antes e durante o período menstrual, levando a sensação de peso na parte baixa do abdome. Pode aparecer também após longos períodos em pé.
Geralmente, as mulheres que possuem essa doença apresentam dor durante a relação sexual, especialmente quando a penetração do pênis é mais profunda, e podem persistir com a sensação de peso pro horas após a relação. A dor após a relação sexual é inclusive uma das características mais marcantes dessa síndrome.
Outros sintomas que podem surgir são o aumento do sangramento menstrual e aparecimento de varizes na vulva, varizes na vagina, nos glúteos e nas pernas.
O refluxo nas veias da região pélvica podem, inclusive, ser causa de reaparecimento de varizes nas pernas daquelas mulheres que já realizaram cirurgia para varizes. Sendo assim, as varizes pélvicas devem sempre ser investigadas na recidiva da doença varicosa, porque podem ser a causa de seu reaparecimento em até 17% dos casos (saiba mais).

Por que as varizes pélvicas ocorrem?


As varizes pélvicas podem aparecer por dois motivos principais. O primeiro é a tendência genética, que leva ao enfraquecimento das paredes e das válvulas das veias ovarianas e das veias ilíacas internas, num processo semelhante ao que ocorre nas veias das pernas. Expliquei esse processo com detalhes no post "Por que eu tenho varizes?".
Alguns fatores podem contribuir para o aparecimento desse tipo de varizes nas pessoas que têm tendência. O principal deles é a gravidez. Quanto maior o número de vezes que a mulher ficou grávida, maior a pressão que o útero e o bebê exerceram sobre as veias das pelve, o que, associado com as mudanças hormonais, favorece o aparecimento de varizes na vulva, varizes na vagina e varizes nas pernas.  No post "Varizes na gravidez: saiba como prevenir este problema!" expliquei como podemos minimizar o aparecimento de varizes durante a gestação.
O segundo, e mais raro, motivo para o aparecimento das varizes pélvicas é a compressão ou obstrução venosa. Duas síndromes principais estão associadas com a síndrome de congestão pélvica. A Síndrome Nutcracker (ou do "quebra-nozes") é uma situação em que a veia renal esquerda é comprimida pela artéria mesentérica superior, a qual passa por cima dela. Como podemos ver na figura abaixo, a veia ovariana esquerda termina justamente na veia renal esquerda. Sendo assim, quando a passagem de sangue está obstruída na veia renal esquerda, o sangue fica acumulado nesta veia e nas veias ovariana e pélvicas, o que leva a congestão e aumento dessas veias. Os portadores dessa síndrome, além dos sintomas relacionados com a congestão das veias pélvicas, apresentam ainda dores nos flancos e perda de sangue na urina (hematúria).
A compressão da veia renal pode ser cauda de varizes pélvicas e varizes na vagina

A Síndrome de Cockett ou ou síndrome de May-Thurner é uma outra doença relacionada com o aparecimento de varizes da região pélvica. Nessa síndrome ocorre a compressão da veia ilíaca comum esquerda pela artéria ilíaca comum direita, contra a coluna vertebral (veja a figura abaixo para entender melhor). Essa compressão ocorre em todas as pessoas em algum grau, porém, em determinados indivíduos, esta compressão chega ao ponto de ocluir a veia e causar trombose. Geralmente, os portadores dessa síndrome, além de varizes pélvicas, apresentam varizes, inchaço e episódios de trombose na perna esquerda. Toda pessoa que possui varizes exclusivamente no membro inferior esquerdo deve ser obrigatoriamente investigada para a síndrome de Cockett. As varizes pélvicas nessa síndrome ocorrem pela sobrecarga de sangue nas veias ilíacas devido à obstrução.
A síndrome de Cockett ou May Thurner também é responsável pelo aparecimento das varizes pélvicas e varizes na vaginaEsse sangue acumulado procura outros caminhos para chegar de volta ao coração, passando pela veias pélvicas e atingindo a veia ilíaca do lado direito, assim seguindo seu caminho.
Além dessas duas síndromes, a obstrução das veias ilíacas e veia cava inferior por um quadro de trombose venosa profunda também podem levar ao aparecimento de varizes pélvicas. Para saber mais sobre a trombose venosa profunda acesse o post "Trombose venosa profunda: saiba como prevenir e tratar este problema".

Como saber se eu tenho varizes pélvicas?

Suspeitamos de varizes pélvicas quando há presença de dor pélvica crônica, dor durante e após a relação sexual, presença de varizes em vulva, varizes na vagina e varizes na região glútea e ainda nas pessoas que já realizaram cirurgia de varizes e as varizes voltaram a aparecer em grande quantidade. 
O primeiro exame a ser realizado para confirmar o diagnóstico é o ultra-som transvaginal. Essa é a melhor forma de avaliar os órgãos pélvicos e verificar a presença de veias anormais. Nesse exame também pode se lançar mão do doppler, que é capaz de enxergar o fluxo de sangue nas veias e saber se estas estão insuficientes. 
Após o diagnóstico do problema, geralmente é solicitado um exame mais detalhado para que o tratamento possa ser planejado. Este exame pode ser uma angiotomografia ou uma angioressonância nuclear magnética. Pode ser ainda realizada uma flebografia, que apesar de ser considerada como o melhor exame, é evitada por se tratar de um procedimento invasivo. 

Tratamento das varizes pélvicas


Quando é feito o diagnóstico desse problema, precisamos identificar a causa das varizes para indicar o melhor tratamento.
Muitos tratamentos já foram descritos. Geralmente, o tratamento é iniciado com hormônios como a progesterora. Esse hormônio leva a diminuição da ovulação e da vascularização dos órgãos da pelve, diminuindo consequentemente a quantidade de sangue dentro das veias pélvicas.
Porém, nem sempre o tratamento com medicamentos é efetivo. Quando os sintomas permanecem, é necessário pensar em uma alternativa cirúrgica.
A cirurgia é também uma alternativa de tratamento quando nos deparamos com as compressões venosas (como as que eu descrevi acima).
A cirurgia endovascular é a melhor opção para tratamento de varizes na pelve
Sala de hemodinâmica, onde são realizadas cirurgias endovasculares
Atualmente, a cirurgia convencional, em que é realizado um corte no abdome para ter acesso à veias, é raramente utilizada. Com o início da cirurgia endovascular a partir da década de 90, os procedimentos passaram a ser realizado através de cateterismo.
A cirurgia endovascular para as varizes pélvicas geralmente é realizada através de uma punção com uma agulha grossa na veia femoral, uma veia que passa na nossa virilha ou na veia jugular, que fica no pescoço. Através dessa veia, são colocados introdutores e catéteres bem longos, que têm capacidade de chegar até a origem do problema.
Todo o procedimento é guiado por um grande aparelho de raio X ligado a uma televisão, que mostra as imagens do interior do corpo em tempo real.
Através desses catéteres, é possível realizar o fechamento das veias que não funcionam de forma adequada utilizando molas, cola biológica ou medicamento esclerosante. Esse procedimento é denominado embolização.
O stent pode ser usado no tratamento das varizes pélvicas
Stent
É possível também a abertura com balão (angioplastia) e a colocação de stents nas veias que estão comprimidas, como no caso das síndromes de May-Thuner ou Cockett e de Quebra-Nozes. O stent é uma estrutura tubular feita de aço inoxidável ou nitinol (liga metálica com níquel) que tem a função de manter a veia aberta, com fluxo de sangue normal.
Sendo assim, é possível realizar toda a cirurgia por dentro dos vasos, sem necessitar nenhum corte na pele.
Todos esses procedimentos podem ser realizados com anestesia local ou geral, dependendo do tamanho da cirurgia e preferência da equipe de cirurgiões.

Conclusão
Se você apresenta dores durante e após a relação sexual, cólicas menstruais intensas e dor em peso no abdome, especialmente no período menstrual, fique atenta: você pode ser portadora de varizes na pelve.
Se isso estiver acontecendo com você, converse com seu médico ginecologista. Ele poderá avaliar seu caso de forma adequada e solicitar os exames necessários para o diagnóstico do problema. Se forem constatadas as varizes pélvicas, você deverá ser encaminhada a um Cirurgião Vascular com experiência em cirurgia Endovascular para realizar o tratamento.

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Dra Juliana Puggina - Cirurgia Vascular - CRM/SP 134.963
Sobre a autora
Dra. Juliana Puggina é médica cirurgiã vascular e escreve artigos informativos no blog 'Pernas pra que te quero'. Formada em medicina pela Universidade Estadual de Campinas (UNICAMP), com residência médica em Cirurgia Vascular e Endovascular pela Universidade de São Paulo (USP). Atua em São Paulo/SP

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A Obesidade e as Varizes

Todos sabemos que a obesidade é hoje uma das maiores epidemias do mundo. O stress dos dias atuais, aliados ao sedentarismo e a uma alimentação pouco saudável são os principais colaboradores para que cada dia existam mais pessoas obesas por aí.

Além de todas as patologias associadas ao excesso de peso, como aterosclerose, hipertensão, problemas articulares, diabetes... Os pacientes com varizes também sofrem mais quando o ponteiro da balança sobe.

A obesidade é um importante fator de risco para as varizes


Embora a obesidade em si, isoladamente, não seja causadora de varizes, ela está associada à uma maior gravidade do quadro. O que isso quer dizer...???

O controle do peso é essencial para prevenir o aparecimento das varizes nas pernasÉ o seguinte: O fato de uma pessoa ser obesa não é suficiente para que se desenvolvam varizes. MAS se por uma série de causas associadas (confere no post por que eu tenho varizes?) as varizes estiverem presentes... em uma pessoa obesa o quadro será mais severo e com mais chances de complicações do que se a mesma pessoa estiver com peso considerado adequado. E isso não sou eu quem falo, são os estudos (leia mais aqui e aqui)



Mas como a obesidade pode afetar as veias?

Assim como na gestação (aproveite para ler o artigo sobre varizes na gravidez), uma pessoa obesa apresenta um aumento no volume interno abdominal, principalmente por acúmulo de gordura entre os órgãos. Isso acaba gerando uma compressão das estruturas intra-abdominais, incluindo a VEIA CAVA e as veias ilíacas - caminho por onde o sangue volta para o coração. Essa compressão dificulta a volta do sangue, que fica estagnado nas veias das pernas, aumentando a sua dilatação e piorando as varizes e seus sintomas. Também o acumulo de gordura e a fibrose no subcutâneo (embaixo da pele) prejudica a rede venosa, dificulta a drenagem e promove a estase.
A compressão das veias do abdome pelo excesso de gordura leva a aumento de pressão nas veias e varizes.
Além disso, o aumento da pressão e o excesso de peso no abdômen provoca um enfraquecimento da musculatura pélvica. Os músculos do chamado "assoalho pélvico" servem como uma bomba de sucção que facilita o retorno do sangue... e quando essa musculatura enfraquece, adivinha o que acontece??? Exatamente - o retorno sanguíneo piora e as varizes também...

Portanto, não custa insistir... cuide-se!!!

Alimentação balanceada, exercício físico e sono saudável são importantes armas na prevenção das varizes- Controle sua alimentação
- Durma bem
- Faça exercícios físicos regularmente e com orientação
- Sempre que preciso, PROCURE SEU MÉDICO!

Assim você terá uma vida muito mais saudável... e com menos varizes!!!

Até a próxima!



Dra Anelise Rodrigues - Cirurgia Vascular
Sobre a autora
Dra. Anelise Rodrigues é médica, formada pela Universidade Estadual de Campinas (UNICAMP). Especialista em Cirurgia Vascular pela SBACV/AMB. Estágios em Cirurgia Endovascular na Universidade de Barcelona / Espanha e Ultrassom Vascular na Clínica Fluxo/SP e no Maimonides Medical Center, New York/USA.
 Atua como Cirurgiã Vascular em São Paulo/SP e Cuiabá/MT.
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Entrevista com Dra. Juliana Puggina - Rádio Mundial

A Dra. Juliana Puggina idealizadora do Blog "Pernas pra que te quero" participou do Programa Amigos da Saúde da Rádio Mundial de São Paulo FM 95,7 em 16/05/2014.

entrevista com dra Juliana Puggina médica Cirurgia Vascular de São Paulo

Falou sobre os temas relacionados com a Cirurgia Vascular, em especial sobre Varizes e Trombose. Conversou e tirou dúvidas ao vivo com ouvintes do programa e esclareceu a população a respeito das doenças da circulação.

Confira na íntegra o vídeo com a entrevista da Dra. Juliana Puggina.





Dra Juliana Puggina - Cirurgia Vascular - CRM/SP 134.963
Sobre a autora Dra. Juliana Puggina é médica cirurgiã vascular e escreve artigos informativos no blog 'Pernas pra que te quero'. Formada em medicina pela Universidade Estadual de Campinas (UNICAMP), com residência médica em Cirurgia Vascular e Endovascular pela Universidade de São Paulo (USP). Atua em São Paulo/SP
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Quanto custa uma cirurgia de varizes?

A pergunta que mais recebo pelos nossos meios de comunicação ( Fale ConoscoFacebook, Twitter ou Google Plus) é o preço de uma cirurgia de varizes.
Grande parte das pessoas que dependem do Sistema Único de Saúde (SUS) têm dificuldade de conseguir essa cirurgia devido à alta procura por este procedimento. Os ambulatórios de cirurgia vascular  estão sobrecarregados e os hospitais que realizam este tipo de cirurgia mais ainda. 
Por conta disso, muita gente pensa em recorrer ao pagamento de uma cirurgia particular.


O preço de uma cirurgia de varizes particular depende muito do local onde você vai fazer, de como são as suas varizes e do profissional que irá realizar a cirurgia.

Os valores que compõem a conta de uma cirurgia de varizes são os seguintes:

- Conta hospitalar (pacote cirúrgico)
- Honorário do médico cirurgião principal
- Honorário do médico cirurgião auxiliar (ou auxiliares)
- Honorário do médico anestesista
- Honorário da instrumentadora
- Materiais especiais

Em 07/05/2014 fiz uma pesquisa de preço em cinco hospitais de São Paulo para um pacote para realização de cirurgia de varizes (valores sujeitos a alteração de acordo com a tabela de cada hospital):

- Hospital Sírio Libanês : R$ 6.550,00
- Hospital São Luiz Itaim: R$ 4.529,37
- Hospital Santa Catarina: R$ 3.800,00
- Hospital Igesp: R$ 2.700,00
- Hospital Santa Rita: R$2.150,00

Nesses valores estão inclusos uso da sala de cirurgia por 2 horas, 1 diária em acomodação de apartamento, medicações e aparelhos usados na anestesia e medicamentos usuais. Se houver alguma complicação que necessitar mais dias de internação ou medicamentos e exames fora do padrão, esse valor pode subir bastante.

O valor do trabalho do médico cirurgião, médico cirurgião auxiliar, médico anestesista e instrumentadora são pagos a parte, geralmente diretamente com a equipe contratada.
O valor da cirurgia de varizes é a soma do valor pago à equipe cirúrgica e o valor cobrado pelo hospital

Os honorários variam muito de médico para médico de acordo com sua a experiência, renome e reputação. Para saber o valor cobrado por cada equipe, é necessário passar por uma consulta médica, em que o médico, após te examinar e avaliar seus exames, será capaz de orçar o preço de sua cirurgia. Além disso, irá escolher o hospital que mais lhe agrada ou que está habituado a trabalhar para a realização da cirurgia.

Se você optar pela cirurgia com laser ou radiofrequência, entram na conta também o aluguel do aparelho e a compra dos cateteres ou fibras usadas na cirurgia.

Somando os gastos, se você optar pela cirurgia tradicional em hospital mais simples, você gastará menos. Já se você quiser ser submetido a uma cirurgia com ablação a laser, com uma equipe cirúrgica renomada, em um hospital com atendimento 5 estrelas, o valor sobe bastante. Se você tiver alguma complicação, e necessitar de mais dias internado, medicamentos, antibióticos, exames ou internação em UTI, a conta hospitalar pode chegar a somas exorbitantes.

Se você tiver convênio você pode optar por operar com um médico credenciado no seu convênio. Neste caso, o paciente não gasta nada: quem paga a conta é o convênio diretamente para o médico e para o hospital.
Se mesmo tendo convênio você optar por operar com um médico que não é credenciado, o convênio paga a parte do hospital e você paga somente os honorários dos médicos. Dependendo do convênio que você tem, os honorários médicos podem ser reembolsados parcial ou integralmente.

Os valores que explicitei neste artigo são os praticados na cidade de São Paulo. Não são valores fixos e nem devem ser levados como base para pagamento de qualquer procedimento. Expus estes valores nesse instrumento de utilidade pública para fins informativos.

Para saber os valores reais para o seu caso, consulte um médico cirurgião vascular.

Se quiser saber mais sobre as opções de tratamento para varizes e como a cirurgia de varizes é realizada acesse os artigos: Como tratar varizes nas pernas? e Cirurgia para varizes: saiba como é feita passo-a- passo.

Obrigada pela leitura! Até a próxima!







Dra Juliana Puggina - Cirurgia Vascular - CRM/SP 134.963
Sobre a autora
Dra. Juliana Puggina é médica cirurgiã vascular e escreve artigos informativos no blog 'Pernas pra que te quero'. Formada em medicina pela Universidade Estadual de Campinas (UNICAMP), com residência médica em Cirurgia Vascular e Endovascular pela Universidade de São Paulo (USP). Atua em São Paulo/SP

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Eu preciso mesmo tirar a veia safena? Ela não vai fazer falta no futuro?

Uma pergunta que recebo freqüentemente pelos nossos meios de interação (Fale conosco, Facebook, Twitter e Google Plus) é a respeito da retirada ou não da veia safena na cirurgia de varizes. Nesse artigo irei falar um pouco sobre as indicações de safenectomia (retirada da veia safena), alternativas de tratamento e por que ela pode ser retirada. Para saber como a safenectomia é realizada, acesse o artigo "Cirurgia para varizes: saiba como é feita passo-a-passo".

A safenectomia nem sempre é necessária na cirurgia de varizes. Saiba quando ela deve ser realizada
Imagem gentilmente cedida pela Dra. Anna Paula Sincos (http://www.annasincos.com)

Por que é possível retirar a veia safena?


A veia safena interna é a principal veia do sistema venoso superficial do membro inferiorEm cada perna, temos 2 veias safenas: uma maior que vai da virilha até o pé, chamada veia safena interna ou magna, e uma menor, que vai do joelho até o pé, correndo na face posterior da perna, a veia safena externa ou parva.  Como eu já expliquei nos artigos "Cirurgia para varizes: saiba como é feita passo-a-passo" e  "Salto alto causa varizes?", o sistema venoso das pernas é composto por 2 conjuntos de veias: as superficiais e as profundas. As veias safenas são as principais veias superficiais das pernas, e se ligam ao sistema profundo através das veias perfurantes.

A maior parte do sangue que retorna dos pés para o coração passa pelas veias profundas, que correm próximas à musculatura. Sendo assim, somente uma pequena parte do sangue passa pelas veias superficiais e por isso é que podemos retirar ambas as safenas e ainda as varizes colaterais de uma perna sem ter prejuízo no retorno do sangue.


Quando a safena deve ser retirada?


A indicação de safenectomia varia bastante entre os cirurgiões vasculares. Mas é consenso que, quando a veia se encontra extremamente dilatada e com refluxo significativo, ela deve ser retirada. O refluxo ocorre quando o sangue, ao invés de ir em direção ao coração (para cima) , ele vai em direção ao pé (para baixo). Ele aparece quando as válvulas da veia já não funcionam de forma adequada.
A maioria dos cirurgiões não retiram a veia safena quando esta apresenta diâmetro normal e pouco ou nenhum refluxo. Tanto o tamanho quanto o refluxo na veia são avaliados através de exame de Ultrassom doppler venoso.
O diâmetro e o refluxo da veia safena são medidos atraves do ultrassom doppler venoso (duplex)


A retirada da veia safena pode causar algum outro problema?


Infelizmente, a retirada da veia safena pode cursar com complicações.  A principal delas está relacionada com a lesão dos nervos safeno e sural e dos vasos linfáticos que acompanham as veias safenas. O nervo safena é um nervo que acompanha a veia safena magna e em até 39% dos casos ele é lesado durante a retirada da veia, especialmente quando esta é retirada desde a virilha até o tornozelo . A lesão do nervo safeno causa amortecimento e formigamento (parestesias) da face interna da coxa e perna. Já a lesão ao nervo sural pode ocorrer durante a retirada da veia safena parva, levando a amortecimento e dor em queimação na face posterior da perna em até 4% dos pacientes. (esses dados foram retirados daqui)
Quando ocorre lesão aos vasos linfáticos, pode haver inchaço da perna no pós operatório. Na maioria das vezes, esse inchaço é reversível.

E se no futuro eu precisar de uma ponte de safena no coração?


Um dos receios dos pacientes que precisam ser submetidos à retirada da veia safena é quanto à necessidade do uso dessa veia no futuro.
A veia safena é utilizada em muitas cirurgias para substituição de segmentos de artérias que estão obstruídos ou danificados, sendo considerada o melhor substituto para artérias em geral.
Hoje, com o envelhecimento da população, aumentaram os índices de doenças oclusivas das artérias, seja das artérias do coração, pescoço e membros inferiores, que levam a problemas com infarto do miocárdio, acidentes vasculares cerebrais (derrames), dores para caminhar e gangrenas. Em alguns desses casos, a veia safena pode ser utilizada como uma ponte (ou enxerto) para transpor uma área que esteja entupida, devolvendo a circulação para a área que estava sem sangue. Falei mais sobre a aterosclerose e as doenças obstrutivas arteriais no post "Dor nas pernas para caminhar: saiba tudo sobre doença arterial periférica"
A safena pode ser utilizada como substituto de várias artérias, inclusive as artérias do coração (coronárias)
Pontes de safena para coronárias (artérias do coração)
Além disso, com a crescente onda de violência que acomete nosso país, aumentaram os casos de lesões às artérias, seja por conta de acidentes automobilísticos e ferimentos por arma de fogo ou armas brancas. Quando ocorre a secção de uma artéria por um desses traumas, também é possível utilizar a veia safena para reconstituir a circulação e evitar inclusive a perda de um braço ou de uma perna.

Pensando nisso, alguns cirurgiões vasculares propuseram técnicas de preservação da veia safena nas cirurgias de paciente com varizes. Esses cirurgiões acreditam que, mesmo quando existe refluxo na veia safena, em alguns casos é possível eliminar as causas desse refluxo melhorando a função da veia.
Porém, quando a veia safena já está tortuosa e com o diâmetro muito alterado, não há benefício em mantê-la, já que suas paredes já estão danificadas e não servirá como substituto de uma artéria em caso de necessidade. Nesses casos ela pode e deve ser retirada.

Existe alguma alternativa à retirada da veia safena?


Em 1988, um cirurgião francês chamado Franceschi descreveu uma técnica de cirurgia em que era realizada a desconexão da veia safena magna da veia femoral (veia profunda), seguida por ligaduras da veia abaixo das veias perfurantes que tivessem refluxo e retirada das veias colaterais (varizes). Essa técnica ficou conhecida por CHIVA (Cure conservatrice et Hémodynamique de l’insuffisance Veineuse en Ambulatiore ou cura hemodinâmica da insuficiência venosa em ambulatório) e é bastante difundida na Europa. Seus resultados são bastante semelhantes em termos de reaparecimento das varizes e melhora dos sintomas quando comparados à retirada da safena por cirurgia tradicional. Porém, muitas vezes, a safena acaba ocluindo por si só, ficando também inutilizada para fins de substituição de artérias. Além disso, essa técnica somente deve ser realizada por cirurgiões que a conheçam bem, pois ela é rica em detalhes que fazem a diferença no resultado pós cirúrgico.
Além dessa técnica, existem outras alternativas que estão sendo estudadas, como a colocação de próteses da junção da veia safena interna com a veia femoral no sentido de retomar a função das válvulas venosas ali presentes. Saiba mais aquiaqui e aqui.

Conclusão

A retirada da veia safena deve ser realizada apenas nos casos em que a veia apresenta-se dilatada e com refluxo. Ela pode e deve ser retirada nessas situações, não causando nenhum prejuízo à circulação da perna, pelo contrário: sua retirada irá favorecer o retorno do sangue ao coração por veias saudáveis. A safenectomia pode levar a complicações moderadas, como lesão de nervos sensitivos e vasos linfáticos, porém, na maioria das vezes isso não ocorre.
O grande prejuízo à pessoa que retirou todas as safenas (se retirou ambas as safenas magnas e parvas das duas pernas) é a falta de substituto arterial nos casos de necessidade de realização de pontes de safena. Mesmo assim, existem alternativas ao uso da veia safena como enxertos artificiais, produzidos com materiais como PTFe e dacron, além do uso de veias de outras localizações, como as dos braços.
Se ainda tiver dúvida quanto à retirada da veia safena, converse com o seu Cirurgião Vascular. Com certeza ele irá esclarecer o motivo pelo qual a safena deve ser retirada no seu caso.

Um grande abraço a todos os leitores! Até a próxima!








Dra Juliana Puggina - Cirurgia Vascular - CRM/SP 134.963
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Dra. Juliana Puggina é médica e escreve artigos informativos no blog 'Pernas pra que te quero'. Formada em medicina pela Universidade Estadual de Campinas (UNICAMP), com especialização em Cirurgia Vascular e Endovascular pela Universidade de São Paulo (USP).

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VARIZES: MITOS E PREOCUPAÇÕES

Pra comemorar as mais de 130 mil visitas do blog (!!!!) , além dos mais de 3500 "likes" da página do Pernas no facebook (oba!),  resolvi compartilhar aqui parte de um texto que escrevi em janeiro de 2013 para a revista Mix cidade, em Registro. Coincidentemente (mesmo!), a matéria levava o título  'PERNAS PRA QUE TE QUERO', e o objetivo era discutir algumas dúvidas super frequentes nos consultórios dos cirurgiões vasculares.

Mitos e verdades sobre varizes nas pernas


Todas essas dúvidas já foram, de alguma forma, pauta aqui no blog.  Os links estão juntinho pra quem quiser ler, reler e aprender um pouco além....!!!

Afinal de contas, quem nunca se perguntou (ou afirmou) ao menos uma vez...
 

salto alto, varizes, cirurgia vascular, são paulo

"TENHO VARIZES PORQUE USO MUITO SALTO ALTO"


  Estudos diversos já comprovaram q o uso de salto alto entre 3-4 cm não tem relação com a formação de varizes. Já o uso de saltos exageradamente altos (aqueles que impedem o movimento correto de caminhada, com flexão-extensão dos pés e movimentação da panturrilha) pode, sim, ser prejudicial (confira o post "salto alto causa varizes?")


Mito ou verdade: será que a musculação pode causar o aparecimento de varizes nas pernas?

“ATIVIDADE FÍSICA CAUSA VARIZES”


A prática de exercícios físicos sob supervisão, incluindo musculação em grau moderado, serve como forma de melhorar o retorno venoso e pode minimizar sintomas e surgimento de varizes. Porém os exercícios com excesso de carga aumentam a pressão intra-abdominal, dificultam o retorno venoso, e podem piorar o quadro em quem tem a doença. (tem mais sobre varizes e esportes nos posts "musculação causa varizes?" e "meias de compressão para corrida melhoram o desempenho?")


 “SE RETIRAR MINHAS VEIAS NUMA CIRURGIA, POR ONDE VAI PASSAR O SANGUE?”

A ausência das veias retiradas em uma cirurgia não provoca danos à circulação. As veias que são preservadas e o sistema venoso profundo são suficientes para garantir o fluxo necessário. (Você sabe como é feita a cirurgia de varizes tradicional? E a cirurgia com radiofrequência, você conhece?)

varizes porque temos varizes vasinhos veias

         

“NÃO ADIANTA FAZER TRATAMENTO ALGUM, POIS AS VARIZES VOLTAM”

Quando tratamos as varizes, são eliminadas apenas as veias acometidas e sem função. Com isso, conseguimos uma melhora nos sintomas e também no aspecto estético. Entretanto, por se tratar de uma patologia recidivante, não é incomum o surgimento de novas veias doentes com o passar dos anos. Uma investigação detalhada prévia ao tratamento ajuda a evitar essa "volta". (que tal dar uma olhadinha no post "por que eu tenho varizes?"...?)


Dores nas pernas podem ser causadas pela compressão do nervo ciático na hérnia de disco, varizes

"SINTO MUITAS DORES NAS PERNAS POR CAUSA DAS VARIZES"


Os principais sintomas das varizes são as sensações de peso e cansaço, geralmente ao final do dia, que pioram em épocas de mais calor e também no período pré-menstrual. Dores intensas ou irradiadas e formigamentos geralmente são relacionados a outras causas, como hérnia de disco, dor muscular e artrose, por exemplo. (quer saber mais? leia o post "dor nas pernas e suas causas")





A luz pulsada é absorvida pela hemoglobina, molécula que existem dentro dos glóbulos vermelhos do sangue

"LASER É O MELHOR TRATAMENTO"

Nem sempre. Em alguns casos, o laser pode provocar manchas e deixar um resultado estético desagradável. A indicação depende do tipo de veia a ser tratada e também do tipo de pele do paciente. Seu médico é a pessoa certa para ajudar na decisão. (se tem post? claro! "vasinhos nas pernas: como acabar com eles" "luz pulsada realmente trata os vasinhos???" "como tratar varizes nas pernas")



Espero que tenham gostado... Até logo!








Dra Anelise Rodrigues - Cirurgia Vascular
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Dra. Anelise Rodrigues é médica, formada pela Universidade Estadual de Campinas (UNICAMP). Especialista em Cirurgia Vascular pela SBACV/AMB. Estágios em Cirurgia Endovascular na Universidade de Barcelona / Espanha e Ultrassom Vascular na Clínica Fluxo/SP e no Maimonides Medical Center, New York/USA.
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Viajar de avião pode matar? Saiba prevenir a trombose em viagens longas

Janeiro é mês de férias e muita gente vai aproveitar para viajar e passear. Por causa disso, algumas pessoas me perguntaram a respeito do risco de ter uma trombose durante as viagens de avião. Será que é possível morrer por conta de uma viagem mesmo que o avião não caia? Para responder essas dúvidas elaborei este post baseado nos principais artigos científicos disponíveis sobre o tema.

saiba como prevenir uma trombose em viagens de avião

A crença de que as viagens de avião podem causar trombose venosa profunda, embolia pulmonar e até a morte é decorrente do fato de que em viagens de muitas horas, ficamos muito tempo sentados, sem mexer as pernas. Essa imobilidade prejudica o retorno do sangue venoso dos pés e pernas de volta para o coração. Como eu expliquei no artigo "Trombose venosa profunda: saiba como prevenir e tratar este problema", quando a velocidade do sangue diminui dentro das veias pode haver a formação de um coágulo de sangue. Esse coágulo leva a um entupimento da veia. Esse entupimento é o que os médicos chamam de trombose.
A trombose causa inchaço, dor e endurecimento da perna afetada. Porém, o problema pode ir além da perna... Um fragmento desse coágulo formado pode se soltar e ir parar nos pulmões. Nesse caso, temos uma condição chamada embolia pulmonar, que pode levar desde uma discreta dor e dificuldade ao respirar até a morte súbita.

Mas será que as horas que passamos sentados na poltrona do avião são suficientes para a formação desses coágulos?

Um estudo realizado com 8755 funcionários de companhias aéreas que trabalhavam em aeronaves observou, após 8 semanas de seguimento correspondendo a 102.429 horas de vôo,  apenas 22 casos de trombose foram diagnosticados. Essa frequência é muito próxima à encontrada em pessoas que não trabalham no ar. (saiba mais sobre esta pesquisa clicando aqui)
A formação de coágulos nas veias pode levar a tromboseUm outro estudo que analisou os resultados de outras 25 pesquisas realizadas anteriormente mostrou que para pessoas normais, de baixo risco para trombose, a chance de ter um evento como este após uma viagem de avião é de 0,1 a 2,66 por milhão de viagens. Ou seja: o risco é muito baixo.
Porém, para as pessoas que tem fatores de risco para trombose, essa chance aumenta e muito: chega a 2,8% (1000 vezes maior), em vôos com duração de mais de 10 horas.
Esse estudo também observou que, quanto mais longa a viagem, maior o risco de ter trombose. O risco aumenta especialmente nas viagens acima de 8 horas. (leia o estudo na íntegra clicando aqui)

Mas quem são as pessoas que têm mais risco de ter trombose e devem tomar mais cuidado nas viagens longas?


- Pessoas que têm câncer (em tratamento ou não)
- Pessoas com mobilidade limitada: cadeirantes, deficientes físicos, idosos com demência
- Obesos
- Fumantes
- Gestantes e mulheres que acabaram de ter filhos (puérperas)
- Pessoas com varizes de grosso calibre
- Pessoas que realizaram cirurgia recentemente (principalmente se foi de grande porte)
- Pessoas com problemas nos fatores de coagulação (trombofilias)

Essas pessoas precisam ter atitudes durante as viagens longas para evitar que tenham uma trombose.
Aquele mesmo estudo que comentei acima, verificou que o uso de meias elásticas de compressão foi benéfico para a prevenção do problema. Em 1237 pessoas que utilizaram a meia elástica houve 2 casos de trombose (0,2%). Já nos outros 1.245 que não usaram nada, foram encontradas 46 tromboses venosas (3,7%).

Portanto, para quem tem algum dos fatores de risco que eu citei acima vale a pena agir para diminuir o risco de ter uma trombose durante uma viagem de avião.

Previna-se da trombose em viagens longas

- Use meias elásticas de compressão
- Hidrate-se: tome muita água e evite as bebidas alcoólicas durante a viagem
- Mexa-se, não permaneça muito tempo sentado: a cada 30 minutos levante-se, ande pelo corredor, vá ao banheiro.
- Faça exercícios com os pés enquanto tiver sentado: movimente o pé para cima e para baixo para movimentar os músculos da panturrilha e mandar o sangue de volta para o coração!
- Evite calmantes e medicamentos para dormir: eles podem fazer com que você fique imóvel por muito tempo!

Uma maneira de evitar a trombose em viagens de avião é realizar exercícios com os pés


Se voce já teve trombose, tromboembolismo pulmonar ou sabe que tem um problema da coagulação (trombofilia), converse com seu médico. Nesses casos há indicação de tomar medicação anticoagulante como prevenção a uma nova trombose (especialmente se a viagem é mais longa do que 8 horas).

Tudo isso que falei também vale para viagens longas de carro, ônibus, trem, barco e outros meios de transporte. Toda vez que ficamos muito tempo sentados e parados, o risco de ter uma trombose aumenta!

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Dra Juliana Puggina - Cirurgia Vascular - CRM/SP 134.963
Sobre a autora
Dra. Juliana Puggina é médica e escreve artigos informativos semanalmente no blog 'Pernas pra que te quero'. Formada em medicina pela Universidade Estadual de Campinas (UNICAMP), com especialização em Cirurgia Vascular e Endovascular pela Universidade de São Paulo (USP).

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Tratamento para varizes com espuma: quando deve ser feito?

O uso dos esclerosantes em forma de espuma tem se popularizado nos último anos como tratamento para as varizes e vasinhos. Como qualquer tratamento, a espuma tem seus riscos e benefícios. Nesse artigo, vou explicar um pouco mais sobre o método e em que situações ele pode ser indicado.

A espuma de polidocanol é uma alternativa ao tratamento das varizes


Mas, afinal, o que é essa espuma?


O tratamento para varizes com espuma é um tipo de escleroterapia. A escleroterapia é um tratamento em que injetamos uma substância no interior da veia para induzir o seu fechamento, inutilizando-a.
Em 2001, um médico italiano chamado Lorenzo Tessari descreveu uma técnica em que os líquidos esclerosantes eram misturados ao ar através de duas seringas conectadas por uma torneirinha, formando uma espuma. O objetivo do Dr. Tessari era produzir um esclerosante que fosse mais eficaz, tratando as varizes de forma simples, barata e sem cirurgia. O estudo do Dr Tessari pode ser lido em detalhes aqui.
A espuma pode ser feita com dois tipos de esclerosantes: o tetradecil sulfato de sódio (Sotradecol®) e o polidocanol. O mais utilizado no Brasil é o polidocanol.
A aplicação de espuma na veia safena e varizes maiores deve ser realizada com ajuda do ultrassom

Em que casos o tratamento com espuma deve ser realizado?


O tratamento com espuma de polidocanol está indicado principalmente para as varizes e veias reticulares. Ela pode ser aplicada inclusive na veia safena, que é a principal veia superficial da perna.  A veia fica inutilizada, funcionando como se a tivéssemos retirado em um procedimento cirúrgico. A aplicação na veia safena, nas veias perfurantes e nas varizes maiores deve ser realizado com a ajuda de um aparelho de ultrassom, para identificar exatamente onde está a veia a ser tratada e injetar a espuma bem dentro dela.
Já para as veias menores, como as veias reticulares e as telangiectasias (vasinhos), a aplicação pode ser feita diretamente a olho nu, ou com ajuda de um aparelho de fleboscopia, que utiliza luz LED para deixar as veias mais evidentes.

Benefícios e riscos da espuma para o tratamento das varizes

Você deve estar pensando: Nossa, que maravilha! Isso é o fim da cirurgia para varizes! Para que operar se você pode apenas injetar uma espuma no interior da veia e está tudo resolvido!
Porém, como todo tratamento, a espuma tem seus problemas.
A grande vantagem desse procedimento é justamente evitar uma cirurgia. Ele pode ser realizado no próprio consultório do médico Cirurgião Vascular sob anestesia local, e não requer os cuidados que uma cirurgia de varizes necessita.
Porém, a efetividade do tratamento para varizes com espuma não é tão boa quanto à cirurgia, seja a cirurgia tradicional ou os métodos mais recentes como laser e radiofrequência. (Se quiser saber mais sobre as alternativas de tratamento para varizes leia: "Como tratar varizes nas pernas?" , "Cirurgia para varizes: saiba como é feita passo-a-passo" e "Radiofrequência: uma alternativa à cirurgia convencional de varizes")

Um estudo realizado com 500 pacientes na Dinamarca, publicado em 2011 no British Journal of Surgery (leia aqui) mostrou que, após 1 ano, o refluxo da veia safena voltou em 16,3% dos pacientes tratados com espuma. Esse resultado foi significantemente pior do que o da cirurgia de termoablação de safena com laser e com radiofrequência, em que a taxa de insucesso foi de 5,8 e 4,8% respectivamente.
Em outras palavras, existe uma chance de mais ou menos 16% do tratamento não dar certo.
Além disso, o tratamento das varizes com espuma pode levar a complicações como trombose venosa profunda, embolia pulmonar, flebites, manchas escuras na pele e feridas. As complicações mais graves, relacionadas a trombose são muito raras, menores do que 1%. Já a hiperpigmentação (manchas escuras) é bem mais comum, causando um incomodo estético ao paciente.
Sendo assim, a recomendação é que o tratamento para varizes com espuma seja realizado quando o paciente não pode operar, não quer operar ou se a cirurgia para varizes não está disponível.

É possível tratar os vasinhos com espuma?


A espuma também pode ser utilizada para tratamentos estéticos, como na escleroterapia das veias reticulares e telangiectasias, os famosos "vasinhos".
Nesses casos, a concentração do medicamento esclerosante é menor, o que diminui a chance de surgimento de manchas escuras, necrose e feridas na pele. A concentração geralmente utilizadas nos casos estéticos é a 0,5%. Um estudo publicado em 2010 demostrou que esta concentração e segura e efetiva (leia aqui).
A efetividade desse método é semelhante às outras técnicas de escleroterapia. Para saber mais sobre as alternativas de tratamento para os vasinhos, clique em "Vasinhos nas pernas: como acabar com eles!".

Conclusão: o tratamento com espuma para varizes é uma boa opção, mas precisa ser bem indicada. Converse com seu médico Cirurgião Vascular sobre essa opção de tratamento.

As dúvidas podem ser enviadas pelo Fale Conosco, ou pelo Facebook, Twitter e Google Plus!







Dra Juliana Puggina - Cirurgia Vascular - CRM/SP 134.963
Sobre a autora
Dra. Juliana Puggina é médica e escreve artigos informativos semanalmente no blog 'Pernas pra que te quero'. Formada em medicina pela Universidade Estadual de Campinas (UNICAMP), com especialização em Cirurgia Vascular e Endovascular pela Universidade de São Paulo (USP).

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