Salto alto causa varizes?

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O salto alto é sem dúvida uma unanimidade entre as mulheres. Deixa a silhueta da mulher elegante, as pernas com aparência de mais torneadas e as baixinhas com mais altura. Mas será que isso causa ou piora as varizes nas pernas?

A maioria das pessoas, inclusive os médicos, acreditam que o salto alto provavelmente piora as varizes porque seu uso influencia no mais importante mecanismo que impulsiona o sangue de volta para o coração: a bomba muscular da panturrilha. Já falei um pouco sobre isso no artigo: Por que tenho varizes? mas vou detalhar melhor agora.
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As veias das pernas são dividas em dois grupos: as veias profundas, que passam por dentro da musculatura, e as veias superficiais, que passam dentro da gordura que fica logo abaixo da pele. Esses dois sistemas são interligados por veias perfurantes. Todas essas veias tem válvulas em seu interior que permitem que o sangue ande em apenas um sentido: somente para cima, em direção ao coração.
Quando contraímos a musculatura da panturrilha, isso espreme as veias profundas (especialmente as veias sinusóides que se encontram entremeadas nas células musculares dos músculos soleares e gastrocnêmios). Isso faz com que o sangue seja impulsionado para cima, uma vez que as válvulas impedem que ele volte em direção ao pé.
 Essa bomba é acionada pela contração e relaxamento da panturrilha, através da movimentação da articulação do tornozelo.  Quando usamos salto alto, a movimentação do tornozelo fica restrita e por isso não ocorre de forma adequada o relaxamento da musculatura da panturrilha. Mas será que isso a longo prazo pode causar varizes?
varizes, panturilha, cirurgia vascular, são pauloNão há muitos estudos científicos sobre este tema. Os dois mais relevantes foram publicados por pesquisadores brasileiros.
O primeiro deles foi feito por cirurgiões vasculares da UNICAMP e foi publicado em 2006 (leia mais aqui). Foi feito com 10 mulheres  que andaram na esteira usando salto e descalças, sendo medida a pressão que a musculatura da panturrilha exercia. Este estudo concluiu que andar com salto alto aumenta a diferença entre a pressão exercida pela musculatura o que resulta em uma pressão venosa menor. Em outras palavras: o salto alto foi considerado benéfico. Isso mesmo meninas: nesse estudo foi visto que era melhor para a circulação da perna andar de salto do que descalça!
Mas não se animem demais....
O segundo estudo foi desenvolvido por pesquisadores da USP de Ribeirão Preto e foi publicado ano passado no Journal of Vascular Surgery, a principal revista científica de Cirurgia Vascular no mundo (leia mais aqui). Foi realizada a medida das pressões da musculatura da panturilha e do sangue nas veias das pernas de 30 mulheres: usando salto agulha de 7 cm, salto plataforma de 7 cm, salto baixo de 3,5 cm e descalças, enquanto faziam exercício de ficar na ponta do pé.
Dessa vez, os pesquisadores mostraram que a ejeção do sangue pela ação da musculatura é pior nas mulheres que usavam salto 7, em especial, nas que estavam usando plataforma. Ou seja: o salto alto prejudica a circulação do sangue venoso nas pernas.

Conclusão

Não há um consenso na literatura científica se o salto alto é ou não prejudicial à circulação venosa das pernas.
O fato é que realmente parece que o salto alto limita a movimentação da panturrilha o que provavelmente deve mesmo diminuir a capacidade de bombeamento do sangue através das veias.
Mas isso não é suficiente para dizer que o salto pode causar ou piorar as varizes.
Entretanto, existem outras doenças relacionadas com o uso de salto alto como dores crônicas na coluna lombar, dores nos pés, joanetes e encurtamento dos tendões do tornozelo.

Portanto mulherada:  o salto está liberado, mas com moderação.

Até semana que vem!




Dra Juliana Puggina - Cirurgia Vascular - CRM/SP 134.963
Sobre a autora
Dra. Juliana Puggina é médica cirurgiã vascular e escreve artigos informativos no blog 'Pernas pra que te quero'. Formada em Medicina pela Universidade Estadual de Campinas (UNICAMP), com residência médica em Cirurgia Vascular e Endovascular pela Universidade de São Paulo (USP). Membro da Sociedade Brasileira de Angiologia e Cirurgia Vascular e do American College of Phlebology.

Clínica Essenza
Rua Oscar Freire 2250 cj 101 e 102 -Jd. América - São Paulo/SP

Entre em contato:
Telefone 11 3061-3892
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Creme para varizes funciona?

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Uma dúvida que frequentemente aparece no consultório e aqui no Blog é a respeito dos famosos cremes para varizes. Será que vale a pena comprar esses cremes para acabar com esse problema?

Analisarei neste artigo a composição e as promessas de um dos cremes para varizes mais vendidos no Brasil. Por motivos éticos, não vou divulgar o nome do creme nem seu fabricante.
Os ingredientes ativos desse creme são: Cânfora, Menta, Centella Asiatica, Castanha da Índia e Calêndula.

As promessas que existem no site são as seguintes: estimular a circulação, melhorar a elasticidade da pele, potencializar a estrutura do tecido conjuntivo, ajudar nos quadros de insuficiência venosa, diminuir a formação de edema e aumentar a resistência dos vasos sanguíneos. A cânfora e a menta são compostos que têm ação refrescante e não foram encontrados estudos científicos com a aplicação dessas substâncias no tratamento da insuficiência das veias. Existem alguns estudos em laboratório (in vitro) e em animais que mostram discreta ação antiinflamatória desses compostos, mas nenhum desses estudos foi reproduzido em humanos. 

A Centella asiatica é uma planta utilizada popularmente como estimulante da circulação porém poucos estudos científicos mostram ação desse composto na circulação sanguínea. Dois estudos publicados em 2001 (saiba mais aqui e aqui) mostraram melhora dos sintomas de insuficiência venosa como cansaço e edema com o uso oral dessa substância. Outros estudos em laboratório sugerem que esta substância é capaz de causar alterações na parede das veias, estimulando a produção do colágeno. Estes resultados também não foram reproduzidos em humanos. Não há nenhum estudo na literatura científica sobre o uso da Centella asiática em forma de creme.

A substância com melhor evidência para o tratamento de sintomas da insuficiência venosa é a Castanha da Índia (Aesculus hippocastanum). Essa substância é testada desde a década de 80 em humanos para o tratamento da insuficiência venosa e a maioria dos trabalhos também foi realizado com o uso desse composto por via oral. Um revisão publicada na Cochrane Database no ano passado (veja mais aqui) mostra que o uso dessa substância diminuiu a dor e o inchaço nas pernas quando comparado com o placebo. Todos os estudos incluídos nessa revisão são sobre o uso oral dessa substância. Existe um estudo realizado por pesquisadores italianos a respeito do uso da Castanha da Índia em forma de gel aplicado nas pernas (este aqui). Esse estudo foi realizado em apenas 15 pacientes que tinham sintomas causados por seqüelas de trombose venosa nas pernas e mostrou benefício para esses pacientes com relação a dor e inchaço nas pernas. Além de ser um estudo com poucos pacientes, aparentemente os pesquisadores estão envolvidos com a indústria farmacêutica, o que torna os resultados um tanto tendenciosos. Não há nenhum estudo científico que mostra que o uso de qualquer uma dessas substâncias é capaz de reduzir as varizes ou vasinhos.

Se você tem varizes ou vasinhos, as alterações na parede dos seus vasos já estão instaladas e não há como modificá-las. O tratamento das varizes é com cirurgia e dos vasinhos com escleroterapia (com injeção de glicose, polidocanol, laser, luz pulsada etc), não tem jeito. Se quiserem saber mais sobre o tratamento desses problemas leiam os artigos: Como tratar varizes nas pernas? e Vasinhos: como acabar com eles! Os cremes são auxiliares no tratamento e ajudam na hidratação da pele e, juntamente com a massagem, podem aliviar a dor, o inchaço e a sensação de peso nas pernas. Mas não se iluda: os cremes não são capazes de eliminar nem os vasinhos e muito menos as varizes.
Dúvidas, esclarecimentos e comentários sobre esse tema podem ser deixados abaixo, no Facebook, Twitter ou Google plus.

Quer saber qual é o melhor tratamento que existe para suas varizes?

Fiz um vídeo lá no Youtube falando sobre isso.... Assista clicando aqui abaixo:



Até mais


Dra Juliana Puggina - Cirurgia Vascular - CRM/SP 134.963
Sobre a autora
Dra. Juliana Puggina é médica cirurgiã vascular e escreve artigos informativos no blog 'Pernas pra que te quero'. Formada em Medicina pela Universidade Estadual de Campinas (UNICAMP), com residência médica em Cirurgia Vascular e Endovascular pela Universidade de São Paulo (USP). Membro da Sociedade Brasileira de Angiologia e Cirurgia Vascular e do American College of Phlebology.

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Dor nas pernas e suas causas

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Quase todas as pessoas têm ou já tiveram dores nas pernas. Muita gente acha que dor nas pernas é sinal de má circulação mas, na verdade, existem várias causas para esse problema.
Nas nossas pernas temos vasos sangüíneos, músculos, ossos, articulações, nervos, gordura e pele. E, para cada um deles, temos doenças que podem levar a dor.


Dor nas pernas de origem muscular


Essa provavelmente é a causa mais comum de dores nas pernas. Normalmente ocorre por uma contusão da musculatura da coxa ou da panturrilha devido a exercício físico ou trauma local (como quedas, batidas etc.). Causa uma dor contínua na parte afetada, que piora quando apertamos o local afetado ou movimentamos a perna e também pode causar inchaço. O tratamento é feito com repouso, remédios para dor e antiinflamatórios e fisioterapia, e a dor tende a melhorar com o passar dos dias.

Dor nas pernas causada por problemas nos ossos


Doenças que acometem os ossos também podem causar dores nas pernas. Tumores benignos ou malignos, infecções nos ossos e fraturas antigas já consolidadas podem causar dor constante nas pernas.   Os tumores ósseos também podem causar aparecimento de massas endurecidas que crescem na perna ou ainda dificuldade de movimentação de alguma articulação. Essas doenças na maior parte das vezes podem ser descartadas apenas com o exame físico do médico e um simples raio x da perna. São causas mais raras de dor nas pernas porém são muito graves e precisam de atendimento especializado com ortopedista.
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Ao contrário do que muita gente pensa, a osteoporose não dói. O fato da massa óssea diminuir e deixar os ossos mais fracos não causa nenhuma dor. Só irá acontecer dor na osteoporose quando os ossos ficam tão fracos que se quebram. As fraturas na osteoporose acontecem mais freqüentemente na coluna, no quadril e no punho.


Dor nas pernas de origem articular


Uma causa muito comum de dores nas pernas são as doenças das articulações. Essas doenças normalmente causam dor na articulação do quadril (bacia), no joelho, no tornozelo, no calcanhar e nos dedos do pé.
Os problemas das articulações ocorrem principalmente devido ao desgaste pelo uso. Ou seja: quanto mais você usa aquela articulação e quanto mais idade você tem maior a chance de desgastar as articulações e ter dores. Esse desgaste é chamado pelos médicos de osteoartrose.
A dor da osteoartrose normalmente ocorre na própria articulação acometida, mas também pode irradiar para outras partes. Ela normalmente piora com a movimentação da articulação e pode ser acompanhada de rigidez, o que é popularmente chamado de travamento.
Outras causas de dores nas articulações são as artrites ou inflamações das articulações. As artrites mais conhecidas são a gota e a artrite reumatóide. Nesses casos, a articulação fica dolorida, inchada, quente e avermelhada.

Dor nas pernas causada por problemas nos nervos


Quando acontece o esmagamento de um nervo que vai para a perna, mais comumente na coluna vertebral, pode aparecer dor. Essa dor pode começar nas costas, especialmente na região lombar, e descer pela parte de trás da coxa e perna até a planta do pé. O nervo acometido nesses casos é o nervo ciático. Esse nervo sai da medula espinhal na altura da coluna lombar e é responsável pela sensibilidade e movimento das pernas. A compressão desse nervo pode acontecer por causa de uma hérnia de disco ou pela osteoartrose de coluna (o que o povo costuma chamar de "bico de papagaio"). A dor do nervo ciático normalmente é pior pela manhã, quando tossimos, espirramos ou fazemos força e quando elevamos a perna. Normalmente, é acompanhada por formigamento ou amortecimento e até diminuição da força da perna.

Dores nas pernas podem ser causadas pela compressão do nervo ciático na hérnia de disco, varizes


Outra causa de dor crônica devido ao acometimento dos nervos é a que acontece devido a deteriorização dos nervos por causa do diabetes, o que é chamado de Neuropatia Diabética. Normalmente a dor da neuropatia diabética é em forma de queimação e cãimbras, principalmente a noite e pode ser acompanhada de amortecimento e formigamento. Com o passar do tempo, essa doença pode progredir e diminuir a sensibilidade dos pés.


Dor nas pernas por problema de circulação


Quando suspeitar que a dor nas pernas é causada por um problema vascular? Antes de responder esta pergunta, precisamos relembrar que os problemas da circulação podem ser arteriais ou venosos (falei sobre isso no post Problema de circulação: como saber se eu tenho ou não?).
A insuficiência venosa e as varizes podem ser causas de dores nas pernas e inchaço. A dor nas pernas causada pelas varizes é uma dor em peso, que piora ao permanecer muito tempo em pé e melhora quando colocamos as pernas para cima. Para saber mais sobre o tratamento das varizes leia o post Como tratar varizes nas pernas? .
A dor localizada bem em cima de uma variz, que geralmente é acompanhada de aumento da temperatura no local e vermelhidão, é sinal de uma complicação chamada tromboflebite. A tromboflebite ocorre quando há o entupimento de uma variz por um coágulo e esta acaba inflamando. A maioria das vezes, esse problema é tratado apenas com repouso, remédios para dor e antiinflamatórios, mas há situações, como quando a veia safena é atingida, que há a necessidade de usar medicamentos anticoagulantes (aqueles que "afinam" o sangue), como as heparinas.
A dor e inchaço nas pernas que ocorre de forma súbita podem ser sintomas de trombose venosa profunda. Essa é uma doença mais grave, que precisa muitas vezes de internação hospitalar e uso de anticoagulantes por um longo período. Se você suspeita que está com trombose, procure imediatamente um serviço de emergência para ser avaliado por um médico. Essa doença pode se agravar quando há o desprendimento do coágulo de sangue que está entupindo a veia da perna, o qual vai parar na circulação pulmonar, causando o tromboembolismo pulmonar, que pode levar a morte.

Já as doenças das artérias causam uma dor diferente. Essa dor ocorre quando a pessoa caminha e é chamada de Claudicação Intermitente. Esse nome é devido ao fato de que o portador dessa doença consegue andar uma certa distância sem dor, quando então inicia um quadro de queimação nas pernas, mais comumente nas panturilhas. Se ele persistir na caminhada, a dor vai se tornando cada vez mais forte, até que o obriga a parar. Com o repouso, a dor acaba e o sujeito consegue voltar a andar.... mas logo tem que parar de novo. Esse problema é causado pela aterosclerose, ou seja, pela deposição de gordura e colosterol na parede das artérias, que leva ao seu entupimento. Na maioria das vezes, o tratamento dessa doença se resume ao controle dos fatores de risco como diabetes, pressão alta, tabagismo e colesterol alto e ao treinamento de caminhada 30 minutos por dia. Segundo os estudos (como esse aqui), cerca de 80% dos pacientes melhoram somente com essas medidas, sem precisar de nenhuma cirurgia.

Dor nas pernas ao caminhar: pode ser sinal de problemas da circulação arterial, varizes

Outras causas de dor nas pernas


Um outra causa de dor nas pernas é a fibromialgia. Nessa síndrome a pessoa normalmente tem uma dor crônica (ou seja, que não melhora com o passar dos dias) que é desencadeada com a pressão de alguns pontos específicos da musculatura.  É acompanhada de dores em outras partes do corpo como costas, pescoço e quadris, dores de cabeça constantes, alterações do sono e depressão.
O diagnóstico é feito pela exclusão de outras causas que levam a dor e pela dor ao apertar alguns pontos específicos do corpo. O tratamento é feito com remédios para a dor, exercícios físicos regulares, antidepressivos e medidas para melhorar a qualidade do sono.


Conclusão 

As doenças musculares, ósseas e articulares normalmente são tratadas pelos médicos ortopedistas e algumas vezes pelos reumatologistas. Os problemas de coluna, como as hérnias de disco, são tratados pelos ortopedistas especialistas em coluna e pelos neurocirurgiões. As doenças dos demais nervos periféricos e a neuropatia diabética são doenças tratadas pelos neurologistas clínicos. Já os problemas da circulação, tanto arterial quanto venosa, são tratados pelos cirurgiões vasculares e angiologistas. A fibromialgia, devido a sua complexidade, deve ser tratada por uma equipe multidisciplinar, que inclui médicos reumatologistas, psiquiatras e outros profissionais como fisioterapeutas, psicólogos e educadores físicos.

Se você tem dores nas pernas, procure um desses profissionais para realizar um exame físico completo, além de exames laboratoriais e de imagem, para o diagnóstico do seu problema. Evite a auto-medicação: você pode estar adiando o diagnóstico de uma doença séria que, se tratada no início, por ser curada, mas que se evoluir, pode levar a amputação da perna ou até a morte.



Dra Juliana Puggina - Cirurgia Vascular - CRM/SP 134.963
Sobre a autora
Dra. Juliana Puggina é médica cirurgiã vascular e escreve artigos informativos no blog 'Pernas pra que te quero'. Formada em Medicina pela Universidade Estadual de Campinas (UNICAMP), com residência médica em Cirurgia Vascular e Endovascular pela Universidade de São Paulo (USP). Membro da Sociedade Brasileira de Angiologia e Cirurgia Vascular e do American College of Phlebology.

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Dia do Cirurgião Vascular - 15 de agosto

18 de agosto - Dia do Cirurgião Vascular, varizes, cirurgia vascular

Hoje é o dia do Cirurgião Vascular! 


Parabéns a todos os colegas !



E para comemorar este dia especial, o post de hoje vai seu um pouquinho diferente. Vou falar um pouco da história especialidade que me conquistou pela beleza de seus procedimentos e pela forma com que modifica a vida dos pacientes com seus tratamentos: a Cirurgia Vascular!



História da Cirurgia Vascular



Não é de hoje que as doenças da circulação afetam a humanidade. Desde o Antigo Egito há relatos de doenças vasculares. No famoso papiro de Evers, datado do ano de 1550a.C., já havia menção ao tratamento de doenças como as varizes e as úlceras venosas. No antigo testamento, o rei Ezequiel é curado de uma úlcera venosa crônica pelo profeta Isaías.

Os gregos Hipócrates e Galeno também descreveram técnicas de tratamento das varizes.

Durante a idade média, período de escuridão para as ciências no Ocidente, a cirurgia vascular floresceu no Oriente Médio. Foi nessa época que os grandes médicos árabes identificaram e nomearam a veia safena ( Al-safen em árabe, quer dizer "a oculta").

No Renascimento, a Cirurgia Vascular também renasceu através dos estudos de Fabrizzio D'Acquapendente, professor da Universidade de Pádua, que descobriu as válvulas venosas. No século XVII, o professor inglês William Harvey, descreveu a circulação sanguínea como a conhecemos hoje.

As cirurgias arteriais tiveram seu início com a descrição, em 1888, da primeira correção de aneurisma por Matas, mas o maior marco da cirurgia vascular moderna se deu apenas em 1902 com a publicação da técnica de sutura vascular por Alexis Carrel, que recebeu o prêmio Nobel de Medicina por este feito em 1912. Essa técnica, até hoje, é a base da maior parte das cirurgias vasculares abertas.

Durante o século XX, a cirurgia vascular estabeleceu-se como especialidade médica e pouco a pouco, as técnicas cirúrgicas foram se aperfeiçoando. Em 1946, o professor português João Cid dos Santos descreveu a técnica de endarterectomia, que consiste na retirada das placas de ateroma de dentro das artérias. Logo depois, em 1951, houve a primeira cirurgia de correção de aneurisma de aorta abdominal por Dubost.

Mas uma nova revolução ainda estaria por vir... A era da cirurgia endovascular.

Os cientistas Berberich e Hiersch no início dos anos 20, quando, usado brometo de estrôncio e iodeto de sódio desenvolveram os primeiros estudos angiográficos. Ainda no mesmo período, foram obtidas duas grandes avanços no estudo da angiografia vascular. O primeiro foi 1928, quando Egaz Moniz, em Lisboa, descreve a técnica de arteriografia cerebral por punção direta da artéria carótida e a segunda ocorreu imediatamente após, quando Reynaldo dos Santos, em 1929, utilizou a punção translombar usado para visualizar a aorta abdominal.
 
Mas é em 1953, quando Seldinger descreve uma nova técnica realizada por via percutânea, que inicia-se uma nova era na Cirurgia Vascular. Esta técnica é a punção de um vaso com uma agulha através da pele, onde se insere uma guia de arame, que serve como suporte para a introdução de um cateter, permitindo assim que o cateterismo seletivo de todas as principais áreas vasculares do organismo .

Foi também na segunda metade do século XX, em 1974, que Grünztzig desenvolveu um cateter balão usado para angioplastia. No entanto, a consolidação de procedimentos minimamente invasivos para o tratamento de doenças vasculares veio em 1988 com a utilização de um stent metálico desenvolvido pelo professor argentino Julio Palmaz.

O início da década de 90 foi um verdadeiro marco na evolução das técnicas minimamente invasivas.
 A chamada Cirurgia Endovascular teve inicio quando Dr. Juan Parodi, em Buenos Aires, demonstrou a possibilidade de tratar aneurismas da aorta, evitando cirurgia aberta, pela implantação de um stent revestido introduzido através da artéria femoral. Esta prótese endovascular é liberada na artéria aorta e expande-se para aderir à parede arterial, sem pontos.


E ainda há muito por vir. A especialidade está em constante transformação pelo empenho de seus profissionais! E é por isso que hoje dou parabéns a todas as pessoas que se dedicam em manter a nossa especialidade viva!

(Este texto é uma tradução adaptada do artigo de editorial do Dr. Gaudencio Espinosa, professor de Cirurgia Vascular da Universidade de Navarra na Espanha. Leia o artigo original em espanhol aqui)

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Problema de circulação: como saber se eu tenho ou não?

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Nem toda dor na perna é causada por algum problema de circulação, mas os problemas da circulação são uma causa importante de dores nas pernas.
circulação sangüínea está presente em todo o corpo, mas muitas vezes é nas pernas que os problemas de circulação aparecem com mais freqüência.
Neste post vou explicar um pouquinho sobre a circulação sangüínea e falar sobre os problemas mais comuns da circulação.

Como funciona a circulação do sangue?

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As células dos nossos orgãos precisam de nutrientes (vindos da alimentação) e de oxigênio (vindo da respiração) para se manterem vivas. Além disso, elas também precisam jogar fora as toxinas e impurezas que elas produzem. Tanto o recebimento de nutrientes e oxigênio quanto a retirada de substâncias nocivas é feita através do sangue. E o sangue corre dentro de vasos sanguíneos que estão presentes por todo o organismo. Funciona como o encanamento de água e esgoto de uma casa.

Para o sangue chegar até as células com os nutrientes e oxigênio, ele é impulsionado por uma bomba. Essa bomba é o coração.
Após sair do coração, o sangue caminha pelas artérias, que são os vasos que carregam o sangue que está cheio de nutrientes e oxigênio para todas as células do corpo. A principal artéria do corpo humano é a artéria Aorta, que sai diretamente do coração e dela partem as artérias que irrigam todos os órgãos do corpo. A partir da Aorta, o sangue vai caminhando por artérias cada vez menores até chegar nos capilares.
Os capilares são vasos sangüíneos muito finos, microscópicos. Eles estão próximos das células e é através deles que ocorre a entrega do oxigênio e nutrientes para as células assim como a retirada de toxinas.

Depois de passar pelos capilares, o sangue já está com pouco oxigênio e com poucos nutrientes, sendo então chamado de sangue venoso. O sangue venoso vai precisar passar pelo pulmão para receber oxigênio, pelos intestinos para receber os nutrientes da alimentação e pelo fígado e rins para excretar as substâncias tóxicas que ele recebeu das células. Ele também vai precisar voltar para o coração, para que seja novamente mandado para o restante do organismo. Para chegar até todos esses lugares, ele vai caminhar pelas veias.
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O sangue venoso dentro das veias vai perdendo o impulso dado pelo coração conforme passa pelos capilares, ou seja, ele fica sem pressão. Então, para voltar para o coração, o sangue vai sendo empurrado lentamente.
Vários mecanismos ajudam esse retorno do sangue: as válvulas que existem dentro das veias, que impedem o sangue de retornar , o movimento da musculatura das pernas (já falamos sobre isso aqui), o ato de pisar a planta do pé no chão, o movimento da respiração etc.

Resumindo: temos duas circulações principais: a circulação arterial e a circulação venosa. Sendo assim, existem problemas de circulação arterial e problemas de circulação venosa.

Existe uma terceira circulação que é a circulação linfática, que auxilia as veias a coletar as toxinas e o excesso de água produzidos pelas células. Os problemas da circulação linfática, portanto, estão relacionados com o acúmulo de água e toxinas perto das células, ocasionando o inchaço ou edema.


Problemas da circulação arterial nas pernas


Os problemas da circulação arterial são muito sérios e graves, porque vão comprometer o recebimento de nutrientes e oxigênio pelas células do corpo, que precisam disso para sobreviver. Em outras palavras, quando a célula não recebe sangue arterial, ela morre.
Os problemas da circulação arterial são basicamente de dois tipos: o entupimento das artérias ou o crescimento exagerado das artérias.
O entupimento das artérias pode ser ocasionado por coágulos de sangue ou por placas de gordura que vão se acumulando na parede das artérias.
Várias doenças podem levar ao entupimento das artérias. As principais são: arritmia do coração, diabetes, pressão alta, colesterol alto, problemas de coagulação do sangue e câncer. O hábito de fumar também é prejudicial para a circulação arterial.
Quando uma artéria entope nas pernas, a pessoa sente dor. A intensidade da dor vai depender se esse entupimento aconteceu devagar ou rapidamente.
Quando a artéria entope de repente, como no caso da formação de coágulo dentro da artéria, a dor na perna é muito forte e aparece subitamente. A perna fica fria, pálida ou arroxeada. Com o passar das horas, a pessoa pode perder a sensibilidade e a movimentação da perna. Nessa situação, a pessoa precisa procurar o serviço de emergência (pronto-socorro) já que em poucos horas a falta de sangue vai levar a morte de todas as células e à necessidade de amputação da perna. O médico, ao detectar o entupimento repentino das artérias, vai precisar indicar cirurgia de emergência para desentupir a circulação e evitar a amputação da perna.

Se o entupimento acontece devagar, como no caso do acúmulo de gordura na parede das artérias, o organismo cria novos vasos menores para levar o sangue arterial até as pernas.
má circulação, problema de circulação, dores nas pernas, dor nas pernas, claudicaçãoNormalmente, quando a artéria principal entupiu por completo, já há outros caminhos para o sangue chegar até o pé. Nestes casos, a pessoas só sente dor nas pernas quando caminha, porque as células dos músculos da perna precisam trabalhar mais para se movimentar e portanto precisam de mais nutrientes e oxigênio. Quando a pessoa pára, as células não precisam trabalhar tanto e voltam a precisar de menos sangue, ai então a dor pára.
Se a pessoa não tratar a causa do entupimento dos vasos (não cuidar da pressão, do diabetes, não parar de fumar etc) a doença vai piorando e a dor começa a aparecer mesmo quando a pessoa está parada. E se mesmo assim a pessoa persistir sem tratamento, pode aparecer feridas e gangrena, que podem levar a amputação da perna.
O crescimento exagerado das artérias é o que os médicos chamam de aneurismas. Aneurisma é uma artéria que está maior do que o normal. Os principais riscos dessa doença são a rotura (quando o aneurisma cresce tanto que estoura) e a trombose (quando o sangue que está dentro do aneurisma coagula e causa entupimento da artéria). Os aneurismas também são doenças muito sérias e graves e na maioria das vezes precisam de cirurgia.

Problemas da circulação venosa nas pernas


Os problemas da circulação venosa nas pernas levam a dificuldade do sangue de voltar para o coração, acumulando toxinas e água próximo às células. Por causa disso, quem tem problema na circulação venosa costuma ter inchaço e sensação de peso nas pernas.
Os problemas da circulação venosa também são dois: o crescimento exagerado das veias (varizes) e o entupimento das veias (trombose venosa)
Já falei bastante sobre o que leva o aparecimento das varizes no post "Por que eu tenho varizes?". Basicamente as varizes aparecem quando as veias não são capazes de encaminhar o sangue de volta para o coração, que fica acumulado dentro dos vasos, deixando-os maiores do que o normal.
A trombose venosa acontece quando ocorre o entupimento da veia por um coágulo de sangue. Isso pode ocorrer quando a pessoa fica de cama por conta de alguma doença, ou fica sem mexer a perna devido a uma fratura, ou quando a pessoa tem algum problema no sangue que leva a uma coagulação maior do que o normal. Quando a pessoa tem uma trombose venosa na perna ela sente dor e sensação de peso muito grande. Isso é normalmente acompanhado por um inchaço da perna afetada.
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A trombose venosa é um problema sério que precisa de atendimento no pronto-socorro o mais rápido possível porque, além de poder afetar para sempre a circulação venosa da perna, pode causar a morte se um pedaço desses coágulos se soltar e viajar pela circulação até o pulmão.

Quando a pessoa tem problema na circulação venosa, seja varizes ou trombose, ela precisa de tratamento e acompanhamento com médico Cirurgião Vascular. Esses problemas se não tratados podem levar a inchaço irreversível, manchas definitivas nas pernas e até feridas que demoram para cicatrizar.
O tratamento das varizes pode ser feito de várias formas. Dá uma olhada em "Como tratar varizes nas pernas?". Neste post falo sobre os diversos tipos de tratamentos para varizes.

Problemas da circulação linfática


Como eu comentei acima, a circulação linfática ajuda a retirar a água e as toxinas produzidas pelas células. Dessa forma, os problemas na circulação linfática levam ao acúmulo de água e toxinas, o que ao longo do tempo ocasiona inchaço das pernas ou edema.
Os problemas da circulação linfática podem surgir desde o nascimento ou podem ocorrer ao longo da vida. O linfedema, nome científico do inchaço causado por problema na circulação linfática, é uma causa importante de inchaço e deve ser tratado para evitar piora do quadro, causando elefantíase, erisipelas e feridas.


Este post, apesar de extenso, é apenas pincelada sobre o assunto. Os problemas de circulação são inúmeros e nem todos estão abordados aqui.
A mensagem mais importante que eu gostaria de passar é que os problemas de circulação podem ser sérios e levar até a perda da perna ou à morte. Sendo assim, se você acha que você tem problemas de circulação, procure um médico especialista em Cirurgia Vascular ou angiologia. Esse médico, após perguntar sobre seus sintomas e examinar a sua perna, vai saber dizer se o seu problema é ou não da circulação e como deve ser o seu tratamento.
Falei demais por hoje! Se você tiver alguma dúvida, me escreva aqui no blog, no Twitter, no Facebook ou no Google Plus! Ficarei feliz em respondê-la!



Dra Juliana Puggina - Cirurgia Vascular - CRM/SP 134.963
Sobre a autora
Dra. Juliana Puggina é médica cirurgiã vascular e escreve artigos informativos no blog 'Pernas pra que te quero'. Formada em Medicina pela Universidade Estadual de Campinas (UNICAMP), com residência médica em Cirurgia Vascular e Endovascular pela Universidade de São Paulo (USP). Membro da Sociedade Brasileira de Angiologia e Cirurgia Vascular e do American College of Phlebology.

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Como tratar varizes nas pernas?


Se você tem varizes, não fique triste: você não está sozinho! Estima-se que cerca de 20% das pessoas têm este problema... ou seja, provavelmente 40 milhões de brasileiros e brasileiras estão com as pernas cheias de veias dilatadas e tortuosas.
As causas desse problema são muitas e já publicamos um post chamado Por que eu tenho varizes?. Se quiser saber mais sobre isso, dá uma olhadinha aqui.
Para cuidar desse problema, existem algumas formas: algumas envolvem cirurgia e outras não!
As informações deste artigo foram baseadas no último consenso da Sociedade Americana de Cirurgia Vascular (SVS - Society for Vascular Surgery) publicado em 2011 (se quiser ler o artigo original, clique aqui).

Como escolher o melhor tratamento para varizes nas pernas?


Em primeiro lugar, é preciso escolher um médico Cirurgião Vascular, que é o profissional habilitado para tratar as varizes e outros problemas da circulação
Na consulta com o Cirurgião Vascular, deve ser realizado primeiramente o exame físico. Em outras palavras, é imprescindível que o médico examine as suas pernas descobertas, tanto em pé quanto deitado, para saber se você tem varizes e qual é o grau que a doença se encontra.
Após a consulta, o médico provavelmente irá solicitar um Ultrassom doppler venoso dos membros inferiores ou Duplex scan dos membros inferiores. 
ultrassom doppler duplex scan varizes

Esse exame é um ultrassom, semelhante aquele realizado para gestantes, só que é feito nas pernas com o objetivo de ver se as suas veias estão funcionando normalmente ou não.
Juntando os dados do exame físico, do ultrassom doppler e da sua saúde em geral (por exemplo, se você tem alguma doença ou limitação), o médico vai te indicar quais as melhores alternativas de tratamento para o seu caso.
Quem tem somente telangiectasias ou vasinhos (falei sobre esse assunto neste post), não precisa de cirurgia. O tratamento é realizado com escleroterapia ou laser.
Quem tem veias reticulares, que são veias maiores, mas que não atingem 3 mm de espessura, podem ser tratadas com escleroterapia ou microcirurgia.
Quem tem veias varicosas (veias maiores que 3 mm) provavelmente vai precisar de cirurgia, exceto se a pessoa tiver algum problema de saúde que não permita.

Cirurgia para varizes


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A escolha de qual cirurgia que vai ser realizada vai depender se você tem ou não problema nas veias superficiais principais da perna: a veia safena magna (ou veia safena interna) e a veia safena parva (ou veia safena externa).
As safenas são as veias superficiais principais e todas as outras veias drenam para elas. Se elas não estão funcionando bem, não adianta retirar somente as varizes que estão aparentes porque em pouco tempo outras varizes irão aparecer.
Ou seja: quem tem incompetência ou refluxo nas veias safenas tem que fazer cirurgia para retirar ou queimar essas veias principais
Essa cirurgia pode ser feita de três formas: Safenectomia, laser e radiofrequência. Vou falar mais sobre cada método abaixo.
Por outro lado, quem tem as veias safenas normais, mas mesmo assim tem varizes, não precisa retirar as safenas! Nesses casos, é feita a retirada das veias varicosas uma a uma através de pequenos cortes na pele.

Safenectomia - cirurgia tradicional para varizes


Essa é a cirurgia mais realizada e mais antiga que existe para tratar as veias safenas que têm incompetência ou refluxo. 
Ela normalmente é feita sob anestesia raquidiana (a famosa Raqui) ou sob anestesia geral. Normalmente são feitos dois cortes pequenos: um na virilha (bem na dobra da coxa) e outro perto do ossinho do pé (maléolo).

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Anestesia raquidiana


Através desses dois cortinhos, o médico acha a veia safena e passa por ela um aparelho que chama-se fleboextrator. Esse aparelho é puxado e retira toda a veia.
Depois da cirurgia, o paciente tem que ficar com a perna enfaixada e em repouso com os membros elevados no primeiro dia. Após a alta do hospital, deve usar meias elásticas e fazer repouso de acordo com a orientação do médico Cirurgião Vascular. Normalmente, o paciente consegue retornar ao trabalho em torno de 15 a 30 dias após a cirurgia.

Laser e Radiofrequência para varizes


Esses dois métodos são mais recentes e os estudos mostram que têm a mesma eficácia da cirurgia tradicional descrita acima, com a vantagem de causarem menos dor no pós-operatório e de precisarem de menos tempo de repouso após a cirurgia
Porém, como tudo na vida tem um preço, a desvantagem é que esses métodos são muito mais caros do que a safenectomia e por isso estão menos disponíveis nos hospitais públicos e nos convênios pelo Brasil afora.
Tanto a cirurgia com Laser quanto a com Radiofrequência são muito parecidas. A diferença está no aparelho que irá queimar a safena.
Isso mesmo: nessas cirurgias a veia safena não é retirada e sim queimada! Por isso são chamadas de termoablação endovenosa (nome bonito para dizer que você vai queimar a veia por dentro com alguma coisa que gera calor)
Podem ser feitas até com anestesia local, porém, a maioria das vezes os médicos preferem fazer com raqui ou anestesia geral. Após a anestesia, é feita uma punção da veia safena com uma agulha grossa e através dessa agulha será passado um cateter que vai transmitir a luz do laser ou as ondas da radiofrequência. O médico vai acompanhando a veia sendo queimada por este cateter através de um aparelho de ultrassom.

cirurgia a laser para varizes são paulo


Após a cirurgia, a perna é enfaixada ou é colocada um meia de compressão. É recomendado que o paciente retorne ao consultório do médico entre 1 a 3 dias para realizar um novo ultrassom doppler para ver se a safena foi queimada de forma adequada e se não ocorreu trombose das veias profundas (TVP).

E quando a pessoa não pode operar, o que dá pra fazer?


Se a pessoa tem varizes nas pernas e não pode operar devido a algum outro problema sério de saúde ou então não quer operar há duas alternativas principais: tratamento clínico com meia elástica e remédios e escleroterapia com espuma.
A escleroterapia com espuma é uma injeção de um remédio na veia safena ou nas outras varizes superficiais, que é realizada, geralmente, guiada pelo aparelho de ultrassom. Esse remédio vai irritar a parede da veia e causar uma inflamação. Após esta inflamação, a veia vai cicatrizar e perder a sua luz, sendo assim não irá mais passar sangue por ela.

tratamento de varizes com espuma são paulo


O remédio mais comumente utilizado para fazer a espuma é o polidocanol. Já falamos sobre ele no post sobre tratamento de vasinhos.
As desvantagens desse método são que ele pode não ser tão efetivo quanto a cirurgia e pode causar manchas definitivas na pele. 
Em último caso, o médico pode escolher não fazer nenhum procedimento e prescrever apenas o uso da meia elástica e medicamentos para diminuir os sintomas de inchaço e dores nas pernas. Essa prática só é recomendada se a pessoas não pode operar.


O tratamento das varizes nas pernas é feito com cirurgia! Não adianta chorar, espernear ou esperar um milagre dos céus. Varizes se resolvem com cirurgia.
A cirurgia pode ser só nas varizes aparentes (as chamadas varizes colaterais) ou pode ser necessário operar também as safenas.
Se as safenas estão doentes, elas devem ser operadas, senão as varizes voltam a piorar.
Existem 2 formas de melhorar o problema das safenas: retirando a veia toda (através da safenectomia) ou queimando a veia por dentro com laser ou radiofrequência. Os dois métodos são igualmente bons e tem suas vantagens e desvantagens, as quais devem ser discutidas com seu Cirurgião Vascular.
Se você não pode ou não quer operar ainda dá para fechar a veia safena e as veias colaterais através da injeção de espuma de polidocanol
Espero que este post tenha esclarecido as dúvidas de vocês quanto às opções de tratamento para as varizes nas pernas. Se ainda ficou alguma pulga atrás da orelha, deixe um comentário abaixo ou me escreva através do Facebook, Twitter ou Google Plus!



Dra Juliana Puggina - Cirurgia Vascular - CRM/SP 134.963
Sobre a autora
Dra. Juliana Puggina é médica cirurgiã vascular e escreve artigos informativos no blog 'Pernas pra que te quero'. Formada em Medicina pela Universidade Estadual de Campinas (UNICAMP), com residência médica em Cirurgia Vascular e Endovascular pela Universidade de São Paulo (USP). Membro da Sociedade Brasileira de Angiologia e Cirurgia Vascular e do American College of Phlebology.

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