Como tratar varizes nas pernas?


Se você tem varizes, não fique triste: você não está sozinho! Estima-se que cerca de 20% das pessoas têm este problema... ou seja, provavelmente 40 milhões de brasileiros e brasileiras estão com as pernas cheias de veias dilatadas e tortuosas.
As causas desse problema são muitas e já publicamos um post chamado Por que eu tenho varizes?. Se quiser saber mais sobre isso, dá uma olhadinha aqui.
Para cuidar desse problema, existem algumas formas: algumas envolvem cirurgia e outras não!
As informações deste artigo foram baseadas no último consenso da Sociedade Americana de Cirurgia Vascular (SVS - Society for Vascular Surgery) publicado em 2011 (se quiser ler o artigo original, clique aqui).

Como escolher o melhor tratamento para varizes nas pernas?


Em primeiro lugar, é preciso escolher um médico Cirurgião Vascular, que é o profissional habilitado para tratar as varizes e outros problemas da circulação
Na consulta com o Cirurgião Vascular, deve ser realizado primeiramente o exame físico. Em outras palavras, é imprescindível que o médico examine as suas pernas descobertas, tanto em pé quanto deitado, para saber se você tem varizes e qual é o grau que a doença se encontra.
Após a consulta, o médico provavelmente irá solicitar um Ultrassom doppler venoso dos membros inferiores ou Duplex scan dos membros inferiores. 
ultrassom doppler duplex scan varizes

Esse exame é um ultrassom, semelhante aquele realizado para gestantes, só que é feito nas pernas com o objetivo de ver se as suas veias estão funcionando normalmente ou não.
Juntando os dados do exame físico, do ultrassom doppler e da sua saúde em geral (por exemplo, se você tem alguma doença ou limitação), o médico vai te indicar quais as melhores alternativas de tratamento para o seu caso.
Quem tem somente telangiectasias ou vasinhos (falei sobre esse assunto neste post), não precisa de cirurgia. O tratamento é realizado com escleroterapia ou laser.
Quem tem veias reticulares, que são veias maiores, mas que não atingem 3 mm de espessura, podem ser tratadas com escleroterapia ou microcirurgia.
Quem tem veias varicosas (veias maiores que 3 mm) provavelmente vai precisar de cirurgia, exceto se a pessoa tiver algum problema de saúde que não permita.

Cirurgia para varizes


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A escolha de qual cirurgia que vai ser realizada vai depender se você tem ou não problema nas veias superficiais principais da perna: a veia safena magna (ou veia safena interna) e a veia safena parva (ou veia safena externa).
As safenas são as veias superficiais principais e todas as outras veias drenam para elas. Se elas não estão funcionando bem, não adianta retirar somente as varizes que estão aparentes porque em pouco tempo outras varizes irão aparecer.
Ou seja: quem tem incompetência ou refluxo nas veias safenas tem que fazer cirurgia para retirar ou queimar essas veias principais
Essa cirurgia pode ser feita de três formas: Safenectomia, laser e radiofrequência. Vou falar mais sobre cada método abaixo.
Por outro lado, quem tem as veias safenas normais, mas mesmo assim tem varizes, não precisa retirar as safenas! Nesses casos, é feita a retirada das veias varicosas uma a uma através de pequenos cortes na pele.

Safenectomia - cirurgia tradicional para varizes


Essa é a cirurgia mais realizada e mais antiga que existe para tratar as veias safenas que têm incompetência ou refluxo. 
Ela normalmente é feita sob anestesia raquidiana (a famosa Raqui) ou sob anestesia geral. Normalmente são feitos dois cortes pequenos: um na virilha (bem na dobra da coxa) e outro perto do ossinho do pé (maléolo).

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Anestesia raquidiana


Através desses dois cortinhos, o médico acha a veia safena e passa por ela um aparelho que chama-se fleboextrator. Esse aparelho é puxado e retira toda a veia.
Depois da cirurgia, o paciente tem que ficar com a perna enfaixada e em repouso com os membros elevados no primeiro dia. Após a alta do hospital, deve usar meias elásticas e fazer repouso de acordo com a orientação do médico Cirurgião Vascular. Normalmente, o paciente consegue retornar ao trabalho em torno de 15 a 30 dias após a cirurgia.

Laser e Radiofrequência para varizes


Esses dois métodos são mais recentes e os estudos mostram que têm a mesma eficácia da cirurgia tradicional descrita acima, com a vantagem de causarem menos dor no pós-operatório e de precisarem de menos tempo de repouso após a cirurgia
Porém, como tudo na vida tem um preço, a desvantagem é que esses métodos são muito mais caros do que a safenectomia e por isso estão menos disponíveis nos hospitais públicos e nos convênios pelo Brasil afora.
Tanto a cirurgia com Laser quanto a com Radiofrequência são muito parecidas. A diferença está no aparelho que irá queimar a safena.
Isso mesmo: nessas cirurgias a veia safena não é retirada e sim queimada! Por isso são chamadas de termoablação endovenosa (nome bonito para dizer que você vai queimar a veia por dentro com alguma coisa que gera calor)
Podem ser feitas até com anestesia local, porém, a maioria das vezes os médicos preferem fazer com raqui ou anestesia geral. Após a anestesia, é feita uma punção da veia safena com uma agulha grossa e através dessa agulha será passado um cateter que vai transmitir a luz do laser ou as ondas da radiofrequência. O médico vai acompanhando a veia sendo queimada por este cateter através de um aparelho de ultrassom.

cirurgia a laser para varizes são paulo


Após a cirurgia, a perna é enfaixada ou é colocada um meia de compressão. É recomendado que o paciente retorne ao consultório do médico entre 1 a 3 dias para realizar um novo ultrassom doppler para ver se a safena foi queimada de forma adequada e se não ocorreu trombose das veias profundas (TVP).

E quando a pessoa não pode operar, o que dá pra fazer?


Se a pessoa tem varizes nas pernas e não pode operar devido a algum outro problema sério de saúde ou então não quer operar há duas alternativas principais: tratamento clínico com meia elástica e remédios e escleroterapia com espuma.
A escleroterapia com espuma é uma injeção de um remédio na veia safena ou nas outras varizes superficiais, que é realizada, geralmente, guiada pelo aparelho de ultrassom. Esse remédio vai irritar a parede da veia e causar uma inflamação. Após esta inflamação, a veia vai cicatrizar e perder a sua luz, sendo assim não irá mais passar sangue por ela.

tratamento de varizes com espuma são paulo


O remédio mais comumente utilizado para fazer a espuma é o polidocanol. Já falamos sobre ele no post sobre tratamento de vasinhos.
As desvantagens desse método são que ele pode não ser tão efetivo quanto a cirurgia e pode causar manchas definitivas na pele. 
Em último caso, o médico pode escolher não fazer nenhum procedimento e prescrever apenas o uso da meia elástica e medicamentos para diminuir os sintomas de inchaço e dores nas pernas. Essa prática só é recomendada se a pessoas não pode operar.


O tratamento das varizes nas pernas é feito com cirurgia! Não adianta chorar, espernear ou esperar um milagre dos céus. Varizes se resolvem com cirurgia.
A cirurgia pode ser só nas varizes aparentes (as chamadas varizes colaterais) ou pode ser necessário operar também as safenas.
Se as safenas estão doentes, elas devem ser operadas, senão as varizes voltam a piorar.
Existem 2 formas de melhorar o problema das safenas: retirando a veia toda (através da safenectomia) ou queimando a veia por dentro com laser ou radiofrequência. Os dois métodos são igualmente bons e tem suas vantagens e desvantagens, as quais devem ser discutidas com seu Cirurgião Vascular.
Se você não pode ou não quer operar ainda dá para fechar a veia safena e as veias colaterais através da injeção de espuma de polidocanol
Espero que este post tenha esclarecido as dúvidas de vocês quanto às opções de tratamento para as varizes nas pernas. Se ainda ficou alguma pulga atrás da orelha, deixe um comentário abaixo ou me escreva através do Facebook, Twitter ou Google Plus!







Dra Juliana Puggina - Cirurgia Vascular - CRM/SP 134.963
Sobre a autora
Dra. Juliana Puggina é médica cirurgiã vascular e escreve artigos informativos no blog 'Pernas pra que te quero'. Formada em Medicina pela Universidade Estadual de Campinas (UNICAMP), com residência médica em Cirurgia Vascular e Endovascular pela Universidade de São Paulo (USP). Membro da Sociedade Brasileira de Angiologia e Cirurgia Vascular e do American College of Phlebology. Atua em São Paulo/SP

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