Creme para varizes funciona?

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Uma dúvida que frequentemente aparece no consultório e aqui no Blog é a respeito dos famosos cremes para varizes. Será que vale a pena comprar esses cremes para acabar com esse problema?

Analisarei neste artigo a composição e as promessas de um dos cremes para varizes mais vendidos no Brasil. Por motivos éticos, não vou divulgar o nome do creme nem seu fabricante.
Os ingredientes ativos desse creme são: Cânfora, Menta, Centella Asiatica, Castanha da Índia e Calêndula.

As promessas que existem no site são as seguintes: estimular a circulação, melhorar a elasticidade da pele, potencializar a estrutura do tecido conjuntivo, ajudar nos quadros de insuficiência venosa, diminuir a formação de edema e aumentar a resistência dos vasos sanguíneos. A cânfora e a menta são compostos que têm ação refrescante e não foram encontrados estudos científicos com a aplicação dessas substâncias no tratamento da insuficiência das veias. Existem alguns estudos em laboratório (in vitro) e em animais que mostram discreta ação antiinflamatória desses compostos, mas nenhum desses estudos foi reproduzido em humanos. 

A Centella asiatica é uma planta utilizada popularmente como estimulante da circulação porém poucos estudos científicos mostram ação desse composto na circulação sanguínea. Dois estudos publicados em 2001 (saiba mais aqui e aqui) mostraram melhora dos sintomas de insuficiência venosa como cansaço e edema com o uso oral dessa substância. Outros estudos em laboratório sugerem que esta substância é capaz de causar alterações na parede das veias, estimulando a produção do colágeno. Estes resultados também não foram reproduzidos em humanos. Não há nenhum estudo na literatura científica sobre o uso da Centella asiática em forma de creme.

A substância com melhor evidência para o tratamento de sintomas da insuficiência venosa é a Castanha da Índia (Aesculus hippocastanum). Essa substância é testada desde a década de 80 em humanos para o tratamento da insuficiência venosa e a maioria dos trabalhos também foi realizado com o uso desse composto por via oral. Um revisão publicada na Cochrane Database no ano passado (veja mais aqui) mostra que o uso dessa substância diminuiu a dor e o inchaço nas pernas quando comparado com o placebo. Todos os estudos incluídos nessa revisão são sobre o uso oral dessa substância. Existe um estudo realizado por pesquisadores italianos a respeito do uso da Castanha da Índia em forma de gel aplicado nas pernas (este aqui). Esse estudo foi realizado em apenas 15 pacientes que tinham sintomas causados por seqüelas de trombose venosa nas pernas e mostrou benefício para esses pacientes com relação a dor e inchaço nas pernas. Além de ser um estudo com poucos pacientes, aparentemente os pesquisadores estão envolvidos com a indústria farmacêutica, o que torna os resultados um tanto tendenciosos. Não há nenhum estudo científico que mostra que o uso de qualquer uma dessas substâncias é capaz de reduzir as varizes ou vasinhos.

Se você tem varizes ou vasinhos, as alterações na parede dos seus vasos já estão instaladas e não há como modificá-las. O tratamento das varizes é com cirurgia e dos vasinhos com escleroterapia (com injeção de glicose, polidocanol, laser, luz pulsada etc), não tem jeito. Se quiserem saber mais sobre o tratamento desses problemas leiam os artigos: Como tratar varizes nas pernas? e Vasinhos: como acabar com eles! Os cremes são auxiliares no tratamento e ajudam na hidratação da pele e, juntamente com a massagem, podem aliviar a dor, o inchaço e a sensação de peso nas pernas. Mas não se iluda: os cremes não são capazes de eliminar nem os vasinhos e muito menos as varizes.
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Dra Juliana Puggina - Cirurgia Vascular - CRM/SP 134.963
Sobre a autora
Dra. Juliana Puggina é médica cirurgiã vascular e escreve artigos informativos no blog 'Pernas pra que te quero'. Formada em Medicina pela Universidade Estadual de Campinas (UNICAMP), com residência médica em Cirurgia Vascular e Endovascular pela Universidade de São Paulo (USP). Membro da Sociedade Brasileira de Angiologia e Cirurgia Vascular e do American College of Phlebology. Atua em São Paulo/SP

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