Radiofreqüência: uma alternativa à cirurgia convencional de varizes


Cirurgia para varizes com radiofreqüência pode ser uma alternativa!

Depois de matar a curiosidade da maioria falando sobre o passo a passo da cirurgia convencional de varizes no artigo 'Cirurgia para varizes: saiba como é feita passo-a-passo' , vamos falar da tal “ablação de varizes com radiofrequência (ARF)”.
Já está mais do que comprovada a eficácia deste método no tratamento de insuficiências venosas. Apesar de o SUS e os convênios dificilmente arcarem com os custos (que ainda são altos), muitos pacientes procuram essa opção, menos invasiva. As principais vantagens são um pós-operatório imediato geralmente mais tranquilo, com retorno mais precoce às atividades de rotina, e a diminuição de cicatrizes / hematomas / traumatismos, quando comparados à cirurgia convencional.
Além disso, serve como uma opção para aqueles pacientes cuja situação acaba dificultando ou até mesmo impossibilitando a cirurgia (pacientes muito obesos, com feridas, alterações na pele...).
Quando bem indicada, e bem executada, pode ser uma excelente alternativa!!!!

Qualquer paciente com varizes pode ser submetido à ARF?


Infelizmente, a ARF não serve para todas as veias varicosas. Portanto, não serve para qualquer paciente com varizes... Boa parte precisa ser tratada pelo método convencional.
Depois da avaliação clinica e do exame físico, será preciso realizar um minucioso ultrassom com doppler. Esse exame vai servir de auxiliar para indicação e de guia para o planejamento do tratamento. As principais indicações da ARF são o tratamento das insuficiências de veias safenas e perfurantes, até um determinado calibre.

Mas e o procedimento em si, como é?


A ARF poder ser feita com anestesia local, mas boa parte dos cirurgiões prefere ainda a tranquilidade de uma anestesia raquidiana, já que muitas vezes há outras veias a serem tratadas associadamente pelo método convencional (pois é...)

A cirurgia é feita através de uma punção na veia, por onde é colocado o cateter de radiofreqüência
Através de uma pequena incisão na pele, geralmente guiado por ultrassom, um cateter é introduzido e posicionado na veia que queremos tratar. É então injetado soro frio no trajeto ao longo da veia, para evitar queimaduras na pele.

Esse cateter é conectado a uma máquina emissora de ondas de radiofrequência que aquecem a veia ao seu redor, provocando o fechamento dessa veia, trecho por trecho.

Após o ultimo trecho ser tratado, o cateter é retirado, a incisão suturada e as pernas enfaixadas.
A alta ocorre no mesmo dia ou no dia seguinte. O paciente retorna à “vida normal” em media uma semana antes do que aconteceria na cirurgia tradicional. O seguimento é feito em consultas e com exames de ultrassom seriados.


Felizmente, a evolução dos cateteres utilizados no procedimento permitiu um aumento da eficácia do tratamento, e uma taxa menor de complicações pós-procedimento.


Quer ler um pouquinho mais a respeito?

Clique aqui e aqui

Quer saber se esse procedimento é indicado para você?

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Dra Anelise Rodrigues - Cirurgia Vascular
Sobre a autora
Dra. Anelise Rodrigues é médica, formada pela Universidade Estadual de Campinas (UNICAMP). Especialista em Cirurgia Vascular pela SBACV/AMB. Estágios em Cirurgia Endovascular na Universidade de Barcelona / Espanha e Ultrassom Vascular na Clínica Fluxo/SP e no Maimonides Medical Center, New York/USA.
 Atua como Cirurgiã Vascular em São Paulo/SP e Cuiabá/MT.
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Alimentação e problemas da circulação: o que comer para manter a saúde vascular!

Saiba como a alimentação saudável pode prevenir os problemas da circulação

A alimentação é a base para uma vida saudável e fator importante para se manter livre dos problemas da circulação. Cada nutriente é importante para manter o equilíbrio do nosso corpo e todos eles devem estar presentes na quantidade adequada. 
Muitos problemas da circulação estão diretamente relacionados com nossos hábitos de vida, como a alimentação, a realização ou não de exercícios físicos, o fumo, o uso de bebidas alcóolicas, o stress etc. Tudo isso pode e deve ser modificado em nossas vidas para evitar os problemas da circulação.
Neste artigo, vou falar sobre os alimentos que contribuem para a prevenção e o tratamento dos problemas da circulação venosa e da circulação arterial.

Alimentos que melhoram a circulação arterial


Os problemas da circulação arterial estão relacionados com o acúmulo de gordura na parede das artérias, o que os médicos chamam de aterosclerose. Quando ocorre a formação de placas de gordura dentro das artérias, o sangue tem dificuldade de alcançar os órgãos e levar o oxigênio e os nutrientes da alimentação. Quando não conseguem receber o sangue arterial, as células sofrem e podem até morrer. Esse mecanismo é o responsável por doenças muito comuns e graves como infarto do miocárdio, acidente vascular cerebral (ou derrame cerebral) e doença arterial obstrutiva periférica, que pode levar até a amputação das pernas. Falei um pouco mais sobre os problemas da circulação arterial no post 'Problemas de circulação: como saber se tenho ou não?'
A aterosclerose é o acúmulo de gordura na parede das artérias
A principal recomendação é diminuir a ingestão de gorduras ruins, como o colesterol, as gorduras trans e as gorduras saturadas.
O colesterol está presente em alimentos de origem animal como carnes, leite, ovos e frutos do mar. Porém, a maior parte do colesterol que circula no nosso organismo é produzido pelo nosso próprio fígado. Essa produção é regulada por fatores genéticos e pela qualidade da gordura que ingerimos.
Quanto mais gorduras saturadas ingerimos, maior a produção de LDL- colesterol (colesterol ruim). A gordura saturada está presente nas carnes gordurosas, laticínios integrais, bacon, embutidos (salsicha, linguiça, presunto, salame) banha de porco, frituras.
A ingestão de gorduras saturadas e as gorduras trans aumentam o acúmulo de gordura na parede das artérias
Já a temida gordura trans está presente em todos os alimentos que contém gordura hidrogenada: biscoitos, bolachas, bolos prontos, sorvetes, congelados pré fritos (como nuggets) e margarinas. Esse tipo de gordura extremamente prejudicial ao organismo e seu consumo está diretamente relacionado a problemas cardiovasculares.
Além de diminuir o consumo das gorduras ruins, devemos aumentar o consumo das gorduras boas, que aumentam o HDL-colesterol (colesterol bom) e diminuem a formação das placas de gordura dentro das artérias. Essas gorduras boas são os óleos vegetais, como o azeite de oliva, o óleo de milho e canola, as castanhas, como nozes, amêndoas, castanha de caju, castanha do pará, sementes de linhaça e abóbora, abacate e peixes.
Diminuir o sal também é uma medida importante. O consumo exagerado de sal aumenta a pressão arterial, o que ajuda a danificar a parede das artérias e intensificar a deposição das gorduras.
Prefiram os alimentos frescos e não industrializados, mas, se o consumo de enlatados e encaixotados for inevitável, fique atento às embalagens, preferindo os alimentos sem gordura trans, sem colesterol e com menos sal.

Alimentos que melhoram a circulação venosa


Os hábitos alimentares não estão diretamente relacionados com as doenças da circulação venosa. Como vimos no post 'Por que eu tenho varizes?', o principal fator determinante para as doenças da circulação venosa é a genética.
Porém, sabemos que o aumento do peso corporal assim como a constipação intestinal ("prisão de ventre") podem desencadear o aparecimento das varizes nas pessoas com tendência genética.
Portanto, a diminuição do consumo de gorduras e o aumento no consumo de vegetais como frutas, legumes e verduras também auxilia a evitar o aparecimento de doenças do sistema venoso.
A constipação intestinal ou prisão de ventre pode estar associada ao aparecimento de varizes em pessoas com tendência genética
Para evitar a prisão de ventre e diminuir o esforço para evacuar, relacionado com o aparecimento de varizes em alguns estudos científicos, é essencial a ingestão de alimentos com fibras. As fibras estão presentes em verduras folhosas, frutas, farelo de trigo e cereais integrais, como arroz integral e pães feitos com farinha integral. Para usufruir do benefício das fibras, é essencial ingerir uma quantidade adequada de água, em torno de 2 litros (8 a 10 copos) por dia.
Outros alimentos, ricos em uma substância chamada rutina, são apontados como benéficos para a circulação venosa. A rutina é um flavonóide, e está presente em alimentos como amoras, uvas, cranberry, maçã, laranja, limão, aspargos e vinho tinto. Estudos de laboratório mostram que esta substância é um potente antioxidante, auxiliando na diminuição da morte celular na parede das veias, além de contribuir para diminuir a agregação das plaquetas devido à sua ação anti inflamatória (pela inibição das prostaglandinas).
Apesar dos benefícios da rutina, apontados por esses estudos experimentais, não há nenhum trabalho na literatura científica que comprova que o consumo dos alimentos ricos em rutina pode prevenir ou retardar o aparecimento das varizes em humanos.

Em resumo, a alimentação saudável, com consumo de frutas, verduras, legumes, cereais integrais, castanhas, carnes magras e peixe associada ao consumo de pelo menos 2 litros de água e a prática de exercícios físicos são benéficos para prevenir o aparecimento das doenças da circulação. Não há receita mágica para a prevenção das doenças: bons hábitos ao longo de toda a vida são essenciais para se manter longe do consultório médico e da mesa de cirurgia!
Boa semana!
Encaminhe suas dúvidas pelo Fale Conosco, Facebook, Twitter ou Google Plus.


Dra Juliana Puggina - Cirurgia Vascular - CRM/SP 134.963
Sobre a autora
Dra. Juliana Puggina é médica cirurgiã vascular e escreve artigos informativos no blog 'Pernas pra que te quero'. Formada em Medicina pela Universidade Estadual de Campinas (UNICAMP), com residência médica em Cirurgia Vascular e Endovascular pela Universidade de São Paulo (USP). Membro da Sociedade Brasileira de Angiologia e Cirurgia Vascular e do American College of Phlebology.

Clínica Essenza
Rua Oscar Freire 2250 cj 101 e 102 -Jd. América - São Paulo/SP

Entre em contato:
Telefone 11 3061-3892
Whatsapp 11 97479 2250



Como é feita a cirurgia de varizes nas pernas? Passo a passo

Saiba como é feita a cirurgia de varizes

A cirurgia para retirada de varizes nas pernas é realizada desde o início do século passado e ao longo dos anos a técnica foi aprimorada e, neste artigo, vou detalhar os passos da cirurgia como ela é realizada nos dias de hoje. Vou falar somente sobre os passos da cirurgia tradicional, a safenectomia e a retirada de varizes colaterais. A maioria dessas etapas não vale para as cirurgias com laser e radiofrequência.

Preparação para cirurgia de varizes nas pernas


Após a indicação da cirurgia, o médico Cirurgião Vascular irá solicitar exames pré operatórios, de acordo com sua idade e condição de saúde. Pode também ser necessária a avaliação de um médico cardiologista para avaliação do risco cirúrgico em alguns casos. Isso somente precisa ser realizado quando a pessoa a ser operada tem algum problema de saúde mais sério.

Se estiver tudo bem e a pessoa estiver apta para a cirurgia, a cirurgia é agendada. Ela deve ser realizada em um hospital ou clínica que tenha estrutura suficiente para cuidar do paciente se, por acaso, alguma
complicação acontecer.

A avaliação pré operatória é importante para a cirurgia de varizes
Geralmente, a pessoa é internada no mesmo dia da cirurgia e, o tempo que ela vai permanecer internada depende do tamanho da cirurgia e da anestesia que precisará ser realizada. Pode variar de alta no mesmo dia da cirurgia, nas cirurgias menores realizadas com anestesia local, até alguns dias, quando ocorre alguma complicação.

Antes da cirurgia, o médico irá realizar a marcação das varizes com uma caneta hidrográfica com a pessoa em pé, porque assim as varizes se tornam mais aparentes e diminui a possibilidade de alguma veia não ser retirada na cirurgia. Alguns médicos utilizam aparelhos de iluminação e até ultrassom para marcar as varizes antes da cirurgia. Essa prática aumenta ainda mais o sucesso da cirurgia. 


Anestesia para cirurgia de varizes nas pernas


Já falei um pouco sobre esse assunto no post 'Como tratar varizes nas pernas?', mas vou recordar alguns princípios da anestesia na cirurgia para varizes. 

Quando a cirurgia envolve a retirada de apenas algumas veias colaterais e as safenas não precisam ser retiradas, a anestesia pode ser local. Neste caso, é realizada uma injeção de anestésico no local onde será feito cada pequeno corte na perna para a retirada da veia.

Já quando existem várias veias para serem extirpadas ou quando é necessário realizar a safenectomia (retirada da veia safena), a anestesia precisa ser a anestesia raquidiana (aquela feita nas costas, como aquela que é realizada no parto) ou a anestesia geral

Depois da anestesia, o médico irá realizar a antissepsia e começar a cirurgia.

 A cirurgia para varizes nas pernas passo-a-passo


Se a veia safena não estiver doente, a cirurgia de retirada das varizes vai consistir na realização de incisões bem pequenas, menores do que 0,5 cm, próximo às marcações das varizes. Através dessas incisões, o cirurgião irá puxar a veia com um instrumento parecido com uma agulha de crochê. 

Depois de "pescar" a veia, ele irá puxá-la com delicadeza usando uma pinça, tentando retirar toda a veia sem quebrá-la. Uma a uma, as veias são retiradas. A maioria das vezes a cirurgia termina após a retirada de todas as veias.
A ressecção de varizes colaterais é feita com microincisões na pele
Imagem gentilmente cedida pela Dra. Anna Paula Sincos (http://www.annasincos.com.br)
Mas, alguma vezes, é necessário retirar a veia safena interna (ou magna)  ou a veia safena externa (ou parva). Vou detalhar a técnica de retirada da veia safena interna, por ser mais comum.

A retirada da safena começa com um corte na pele da virilha. Através da dissecção da gordura que há embaixo da pele, o cirurgião acha a veia safena. 

Neste momento, o médico precisará separar a veia safena da veia femoral, desconectando os sistemas venosos profundo e superficial (expliquei mais detalhes sobre os sitemas venoso profundo e superficial no post 'Salto alto causa varizes?'). Nesse passo, é importante que o cirurgião amarre bem o pedacinho da veia safena remanescente, para que não haja um sangramento.
A safenectomia começa com a separação das veias safena e femoral
A etapa seguinte consiste em encontrar a veia safena próximo do pé. A veia passa exatamente à frente do ossinho do tornozelo (maléolo). É feito um pequeno corte no local e a veia é logo encontrada. Em seguida, através de uma abertura na veia, é passado um fio grosso e comprido, feito de plástico ou metal, chamado fleboextrator. Ele é passado através de toda a veia, alcançando a região da virilha.

A veia safena é retirada com um aparelho que chama-se fleboextrator, que pode ser de metal ou plástico

O fleboextrator é passado por dentro de toda a veia safena e depois tracionado, retirando a veia.

Após sua passagem, o fleboextrator é amarrado firmemente na veia e puxado com força para uma das direções, literalmente arrancando a veia de dentro da perna. Após a retirada da veia, é feita uma compressão no local por onde a veia passava para evitar o acúmulo de sangue. Essa compressão é feita por alguns minutos. A retirada da veia é sempre a ultima coisa a ser feita na cirurgia, antes de realizar o fechamento da pele e o curativo compressivo por conta da necessidade de compressão do local.

O fechamento das incisões é feito com pontos nas camadas de gordura e na pele.

Curativo da cirurgia de varizes nas pernas


O curativo da cirurgia de varizes é feito com pequenos pedaços de fita adesiva que fecham os orifícios de retirada das veias colaterais. Além disso, é realizado o enfaxaimento das pernas para evitar o sangramento pelos orifícios e principalmente, o acúmulo de sangue por baixo da pele formando hematomas. O curativo é mantido pelo menos durante o dia da cirurgia, mas geralmente é retirado apenas no dia seguinte.

Pós operatório da cirurgia de varizes nas pernas


A pessoa que faz cirurgia de varizes recebe nos dias subseqüentes à cirurgia medicamentos para dor e às vezes anti-inflamatórios. Também é recomendado repouso com as pernas para cima, com retorno gradual à caminhada, de acordo com as orientações do médico que realizou a cirurgia. 

Alguns médicos também indicam a utilização de meias elásticas de compressão. É muito importante que a pessoa siga as recomendações do seu cirurgião porque cada caso é um caso e para cada caso há uma recomendação.

Esse é o método tradicional e mais utilizado no Brasil para tratamento das varizes. Existem técnicas mais recentes, como o laser e a radiofrequência, que têm a mesma efetividade da cirurgia convencional, com a vantagem de oferecer uma recuperação mais rápida. 

Muitos convênios e o Sistema Único de Saúde (SUS) não cobrem as técnicas mais recentes e é por isso que a cirurgia tradicional ainda é muito realizada no nosso país. 

Uma alternativa econômica e fácil para isso é o reembolso.

Gostaria ainda de ressaltar que existem médicos que utilizam formas diferentes das descritas neste artigo para retirada das veias (essa que foi descrita não é a única que existe!). É muito importante que você converse com seu médico sobre cada detalhe da cirurgia antes de ser operado e tire todas as suas dúvidas. 

Uma boa semana a todos os leitores!

Em caso de dúvidas me escrevam! Terei prazer em respondê-las!


Dra Juliana Puggina - Cirurgia Vascular - CRM/SP 134.963
Sobre a autora
Dra. Juliana Puggina é médica cirurgiã vascular e escreve artigos informativos no blog 'Pernas pra que te quero'. Formada em Medicina pela Universidade Estadual de Campinas (UNICAMP), com residência médica em Cirurgia Vascular e Endovascular pela Universidade de São Paulo (USP). Membro da Sociedade Brasileira de Angiologia e Cirurgia Vascular e do American College of Phlebology.

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Trombose venosa profunda: saiba como prevenir e tratar este problema.

Trombose venosa é uma doença que pode matar, mas é possível prevenir.

A trombose venosa profunda (TVP) é um problema de saúde sério que, se não tratado corretamente, pode levar ao tromboembolismo pulmonar (TEP) e à morte.
É uma doença muito mais comum do que se pensa: estima-se que ocorram 900.000 novos casos dessa doença por ano nos Estados Unidos. E no Brasil a estatística é semelhante.
Os médicos normalmente preocupam-se bastante com esta doença porque, além de comum, ela leva a morte em até 4% dos casos quando não tratada. Seu diagnóstico e tratamento são simples, mas é preciso suspeitar do problema... e é aí que mora o perigo. 

Como a trombose venosa ocorre?


A trombose venosa nada mais é do que um coágulo de sangue que se forma dentro de uma veia.
O local mais comum em que a trombose ocorre são as pernas. O coágulo de sangue normalmente se forma dentro das veias da panturilhas ou atrás do joelho e as entope, impedindo a passagem do sangue de volta ao coração. Para relembrar o funcionamento da circulação nas pernas leia os artigos:  'Problemas de circulação: como saber se eu tenho ou não?' e 'Por que eu tenho varizes?'
Em 1856, um cientista alemão chamado Rudolf Virchow descreveu uma tríade de fatores que levam a formação dos coágulos e seus conceitos são utilizados até hoje para entender como ocorre a trombose. Esses três fatores que levam à formação do coágulo são: 
- Anormalidade no fluxo do sangue: quando o sangue anda mais lento do que o normal, o coágulo se forma,
- Anormalidade no próprio sangue: quando existe alguma célula ou fator da coagulação que está alterado e leva a formação do coágulo
- Anormalidade na parede da veia: quando ocorre um machucado na parede da veia, os mecanismos da coagulação são ativados para fechar o ferimento e impedir o sangramento excessivo, porém, isso também pode formar um coágulo no interior da veia, levando a trombose.

A partir desses conceitos, foram identificados os fatores de risco para a formação da trombose. Os principais são:
- Cirurgia recente (principalmente as cirurgias de grande porte)
- Imobilização (como em pessoas que têm fraturas e precisam de gesso)
- Câncer e tratamento com quimioterapia
- Hábito de fumar
- Obesidade
- Gravidez e pós parto
- Uso de anticoncepcional oral e terapia de reposição hormonal
- Viagens longas (maior que 6 horas), especialmente de avião
- Acidentes graves
- Varizes nas pernas
- Problemas com os fatores da coagulação (trombofilias)
A trombose é causada pela formação de um coágulo dentro da veia.

Por que a trombose é tão perigosa e pode matar?


A trombose venosa profunda nas pernas é perigosa porque o coágulo formado na veia pode se soltar e viajar na circulação do sangue até chegar ao pulmão, causando um problema grave chamado tromboembolismo pulmonar (TEP). Quando isso ocorre, em quase 10% dos casos a pessoa morre. Muitas vezes, o primeiro sinal do TEP é a morte súbita (é chamada assim quando a pessoa morre na hora, sem ter oportunidade de receber assistência médica). A morte acontece quando o coágulo de sangue que se soltou é grande o suficiente para parar a circulação de um dos dos dois pulmões, impedindo que o oxigênio chegue ao sangue e ao restante do organismo.

Como saber se eu estou com trombose?


No ultrassom doppler venoso é possível ver o coágulo dentro da veia e diagnosticar a trombose.O principal sintoma da trombose venosa profunda é o inchaço na perna. Normalmente, este inchaço ocorre em somente uma perna, e é acompanhado de dor, sensação de peso e aparecimento de veias saltadas na perna afetada. A pessoa nota que uma perna está nitidamente maior do que a outra em circunferência.
Apesar dos sintomas estarem presentes, é imprescindível que o médico realize um ultrassom doppler venoso para identificar o coágulo dentro da veia e ter certeza de que é trombose mesmo.
Só depois de confirmada a trombose no ultrassom é que o médico pode iniciar o tratamento da trombose.


Como saber se o coágulo saiu da perna e foi parar no pulmão?


Os sintomas do tromboembolismo pulmonar são falta de ar, dor no peito, tosse e escarro com sangue. Se você está com trombose e sentir qualquer um desses sintomas, você precisa procurar um pronto-socorro o mais rápido possível. Muitas vezes, a pessoa com tromboembolismo pulmonar precisa ficar internada em uma UTI, receber oxigênio e algumas vezes até medicamentos para dissolver o coágulo.


E como é feito o tratamento?

O tratamento da trombose venosa profunda é feito com remédios que "afinam o sangue", os chamados anticoagulantes. O anticoagulante mais antigo e utilizado para iniciar o tratamento da trombose é a heparina.
A heparina é feita na veia, diluída em soro fisiológico, por isso, quando ela é escolhida para o tratamento, a pessoa obrigatoriamente tem que ficar internada no hospital.
Com o tempo, surgiu um tipo novo de heparina, chamadas heparinas de baixo peso molecular, cujo representante mais famoso é a enoxaparina (vendida no Brasil com os nomes comerciais de Clexane, Heptron, Versa e Cutenox). Esse medicamento é uma inje ção que é feita na gordura da pele e por isso, pode ser administrada em casa ou em um posto de saúde. Assim, o paciente pode receber alta do hospital mais rapidamente.
O tratamento da trombose é realizado por no mínimo 3 meses de acordo com o último consenso sobre o tema (leia mais aqui), mas pode ter que ser realizado por toda a vida. Por conta disso, normalmente os médicos trocam a heparina convencional ou a enoxaparina por um medicamento tomado por via oral, em forma de comprimido.
A opção mais comum, eficiente e econômica de comprimido anticoagulante é a varfarina (vendida no Brasil com os nomes comerciais de Marevan, Coumadin e Marfarin). Com este medicamento, o paciente, após um período de transição, fica livre das injeções. Só que há alguns inconvenientes: esse remédio precisa de um controle rígido da dose com exames de sangue freqüentes e vários alimentos e medicamentos interferem em sua ação.
O tratamento da trombose é realizado com anticoagulantes.
Quem toma varfarina tem que visitar o médico muitas vezes no período de tratamento, fazer muitos exames de sangue para saber se a dose do remédio está correta e evitar os alimentos que contenham vitamina K e uma lista imensa de medicamentos. Se não seguir a risca estas recomendações, tem risco de ter uma nova trombose, ou pior, ter um sangramento grave (como um derrame na cabeça).
Pensando nesses inconvenientes, a indústria farmacêutica criou novos medicamentos que não precisam de controle com exames e têm menos restrições de alimentos e medicamentos. Um desses remédios foi aprovado pelo Ministério da Saúde há pouco mais de 1 ano e meio para tratamento da trombose venosa e outros estão em processo de aprovação. O único novo medicamento aprovado até agora no Brasil para tratamento da trombose é a rivaroxabana (nome comercial: Xarelto).
O uso de anticoagulantes, seja qual tipo for, deve ser acompanhado de perto pelo médico. Todos eles podem causar sangramentos graves e até a morte se usados de forma incorreta. Portanto: muito cuidado!

Além dos remédios é importante utilizar as meias elásticas de compressão para diminuir o inchaço e favorecer o retorno venoso, realizar caminhadas frequentes ou exercícios de movimentação dos pés e, quando em repouso, colocar as pernas para cima. Hoje em dia não é mais recomendado ao paciente com trombose ficar deitado na cama o tempo todo! Lembre-se de que ficar sem se movimentar piora o retorno do sangue pelas veias e pode levar a aumento da trombose ou ainda trombose em outras veias.

A pessoa com trombose precisa fazer alguma cirurgia nas veias?


Algumas vezes a cirurgia é necessária para amenizar os sintomas da trombose. Principalmente quando a trombose acomete veias maiores como as veias ilíacas e a veia cava. Nesses casos, o médico pode optar por fazer uma cirurgia para dissolver ou retirar o coágulo de dentro da veia.
A cirurgia para dissolver o coágulo (trombólise intravenosa) é feita através de uma punção na veia afetada pela qual é passado um cateter até onde está o coágulo. Por este cateter, o médico vai infundir um medicamento que dissolve o coágulo. Essa infusão é muito lenta e pode demorar mais do que um dia e, durante este período, a pessoa normalmente fica internada na UTI por causa do risco de ter sangramentos graves.
Uma outra possibilidade é retirar o coágulo da veia através de uma incisão na região da virilha, através da qual o médico chega na veia afetada e passa um cateter com balão. Esse cateter retira o coágulo de dentro da veia (essa cirurgia é chamada de trombectomia venosa).
Com o tempo, o paciente que teve uma trombose pode evoluir com um quadro de insuficiência venosa crônica, que pode levar ao aparecimento de varizes, escurecimento da pele da perna e até feridas (falei sobre isso no post 'Por que eu tenho varizes?'). Sendo assim, muitas vezes a pessoa que tem uma trombose no futuro vai precisar de uma cirurgia para retirada de varizes das pernas. Saiba mais detalhes sobre a cirurgia para varizes no artigo 'Como tratar varizes nas pernas?'.

Como prevenir a trombose?


Em primeiro lugar, devemos evitar o que dá para ser evitado! Parar de fumar, evitar o ganho de peso excessivo e realizar exercícios físicos regulares. Durante viagens longas, é importante movimentar os pés com freqüência, procurar levantar do assento a cada 1 ou 2 horas e usar meias elásticas de compressão.
Para aqueles que vão realizar uma cirurgia grande, existem vários métodos de ser evitar a trombose que são indicados pelo médico cirurgião. Os principais são o uso de meias de compressão e aparelhos de compressão pneumática das pernas durante o procedimento e o uso de heparina por via subcutânea nos dias subseqüentes à cirurgia. O mesmo vale para pessoas que ficam muito tempo deitadas ou que sofreram algum acidente grave: essas pessoas também vão precisar usar um desses métodos.


Resumindo, a trombose venosa é uma doença muito séria que precisa de acompanhamento de perto de um médico cirurgião vascular para evitar ou amenizar as conseqüências do problema, como o tromboembolismo pulmonar, varizes, escurecimento da pele da perna e até feridas. O diagnóstico é feito pelo exame físico da perna, que mostra inchaço, e pelo ultrassom doppler venoso. E a base do tratamento são os medicamentos anticoagulantes, a meia elástica de compressão, a movimentação da musculatura da panturrilha e o repouso com as pernas para cima. Às vezes, também são necessárias cirurgias, especialmente nos casos mais graves.

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Dra Juliana Puggina - Cirurgia Vascular - CRM/SP 134.963
Sobre a autora
Dra. Juliana Puggina é médica cirurgiã vascular e escreve artigos informativos no blog 'Pernas pra que te quero'. Formada em Medicina pela Universidade Estadual de Campinas (UNICAMP), com residência médica em Cirurgia Vascular e Endovascular pela Universidade de São Paulo (USP). Membro da Sociedade Brasileira de Angiologia e Cirurgia Vascular e do American College of Phlebology.

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