Diabetes Mellitus: tudo o que você quer saber sobre essa doença

O Diabetes Mellitus (DM) é umas das doenças mais frequentes na população mundial nos dias de hoje. Estima-se atualmente que cerca de 500 milhões de pessoas sejam portadoras de DM no mundo, sendo o Brasil o quarto país no mundo com maior número de diabéticos.

Apesar de muito frequente o diabetes ainda é subdiagnosticado, estima-se que a metade dos pacientes não saiba ser portador da doença e nem faz o tratamento adequado para o controle.

O Diabetes Mellitus  é umas das doenças mais frequentes na população mundial


O que é o Diabetes?

Basicamente, entende-se como Diabetes Mellitus um descontrole no processamento da glicose (energia) pelas diferentes células do corpo.
A insulina funciona como uma chaga que abre a porta que permite a entrada de glicose dentro das célulasA entrada da glicose na célula é controlada através da ação de um hormônio produzido pelo pâncreas chamado insulina. A insulina permite que a glicose entre na célula e consequentemente regula a quantidade que fica fora desta, circulando livremente no sangue. Funciona como uma chave que quando ligado a fechadura na célula permite a entrada da glicose para dentro desta.

O DM, de maneira geral, é uma doença que ocorre quando não há insulina suficiente, pela destruição ou não funcionamento do pâncreas ou quando a insulina não funciona corretamente nas diferentes células do corpo, a chamada resistência a insulina.
No paciente normal, a insulina abre a porta (receptor) e permite a entrada da glicose dentro da célulaPela falta de ação da insulina passa a existir então um excesso de glicose na circulação sanguínea e consequentemente menos glicose (energia) no interior da célula. Esta combinação é responsável pelas grandes complicações do diabetes que levam a perda de qualidade de vida e maior risco de morte.


Tipos principais de DM:

Existem diferentes tipos de DM, variando com relação a sua origem e o modo de tratamento, sendo que os dois principais tipos o do tipo 1 e do tipo 2:
No diabetes tipo 1, o problema está na produção de insulinaDiabetes do tipo 1: causado pela destruição do pâncreas por células de defesa do próprio corpo – mecanismo auto-imune. Desta forma neste tipo de diabetes não há produção de insulina pelo corpo e o tratamento necessariamente inclui o uso de insulina sintética. É mais raro na população e se desenvolve na maioria das vezes na infância e adolescência.


No diabetes tipo 2, o problema está na entrada da insulina na célula, como se a chave (insulina) não coubesse direito da fechadura (receptor de glicose)Diabetes do tipo 2: relacionado a dificuldade ou resistência a ação da insulina. Esta resistência na maior parte das vezes tem grande relação com o excesso de peso, especialmente a gordura que se acumula em volta da barriga. É o tipo mais comum de diabetes, sendo que a história familiar aumenta a chance de desenvolvimento da doença. O tratamento deste tipo passa por mudanças no hábito de vida, visando entre outras coisas redução do peso, além de uso de diversas medicações de controle da glicemia e também o uso de insulina sintética em casos específicos ou mais avançados.

Além destes, outro importante tipo de DM é o gestacional, um tipo específico que acomete mulheres grávidas, ocasionado pelas mudanças nos hormônios e no corpo destas pacientes, sendo muito importante o diagnóstico e pronto tratamento.

Diabetes e suas conseqüências:


Este desbalanço nos níves de glicose dentro e fora da célula em longo prazo origina diversas complicações presentes nos pacientes com diabetes. São doenças que se originam do DM e acabam levando a graves problemas de qualidade de vida e maior risco de morte.
Os principais órgãos e estruturas do corpo atingidos pelo diabetes são:


Olhos/Retina: O descontrole nos níveis de glicose acaba danificando os vasos que mantêm a retina, parte essencial de nossa visão. Em um primeiro momento estes danos são leves e dificilmente perceptíveis no dia a dia, porém com a evolução, estes vasos se modificam de maneira importante levando a modificações em toda sua estrutura, prejudicando o bom funcionamento da retina o que acaba em casos mais avançados levando a cequeira. O DM é a principal causa de cequeira no mundo.

Coração/Vasos: O excesso de glicose possibilita uma maior “inflamação” dos vasos e artérias do corpo, inclusive das artérias que nutrem nosso coração. Desta maneira, no paciente com diabetes descompensado estas artérias tendem a acumular mais facilmente placas de gordura e sofrem modificações em sua parede.
Sem o devido controle, estas alterações se intensificam, culminando no fechamento completo ou parcial destes vasos; quando o vaso fechado é alguma artéria cardíaca o paciente sofre um infarto do coração.
Desta forma, pacientes que tem diabetes, especialmente aqueles com maior descontrole no tratamento, são considerados de alto risco para sofrerem eventos cardiovasculares, como infarto ou derrames (acidentes vasculares cerebrais – AVC).

Rins: De maneira semelhante aos outros órgãos o excesso de glicose circulante acaba lesando os pequenos e frageis vasos que levam sangue para ser filtrados nos rins. Inicialmente estas alterações são imperceptíveis, não alterando nem o aspecto da urina, nem a função dos rins. Porém com o passar dos anos a capacidade de filtrar o sangue vai se perdendo, o órgão vai sofrendo danos contínuos até o estágio de falência total dos rins. Nestas situações há a necessidade de tratamento complexo e de risco como a hemodiálise ou mesmo o transplante dos rins. O diabetes é uma das principais causas de falência renal no mundo.

Disfunção erétil: Os pequenos vasos que levam irrigação ao penis acabam sendo afetados pelo excesso de glicose no sangue. Desta forma quando não tratado adequadamente o paciente diabético não tem capacidade de permitir a passagem rápida do sangue ao órgão, levando a dificuldades na ereção. O diabetes é uma das principais causas de disfunção erétil do mundo.


Pés/Pernas: O excesso de glicose lesiona os grandes nervos que possibilitam que as extremidades (pés e pernas) sejam percebidas pelo nosso cérebro de maneira correta. Desta maneira, no paciente com diabetes descompensado há alteração na capacidade de perceber alterações de temperatura, dor e até mesmo a posição em que seus pés e pernas se encontram.
O diabetes também promove danos nos vasos sanguíneos (veias e artérias das pernas) dificultando a circulação na região, levando a dificuldade na cicatrização de feridas, dor nas pernas e dificuldade de locomoção.
Devido a associação destes dois motivos o diabetes acaba sendo a principal causa de amputação de membros inferiores não relacionadas a acidentes.

Tratamento e seguimento

É importante que os pacientes com risco pessoal e familiar realizem consultas médicas para o correto diagnóstico do DM. Além disto, pacientes com diagnóstico da doença devem realizar controle e tratamento adequado com um médico especialista (endocrinologista).

O controle da glicemia associado à realização de exames de rastreio de complicações periodicamente diminui de maneira significativa os riscos da doença e do surgimento de lesões, possibilitando desta forma uma vida longa e de qualidade ao portador de DM.


Sobre o autor
Dr. Gustavo Daher é médico endocrinologista graduado pela Universidade Estadual de Campinas (UNICAMP), com especialização em Clínica Médica e Endocrinologia e Metabologia pelaa Universidade de São Paulo (USP). É membro da Endocrine Society (EUA) e da Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia (SBEM). Atua como médico do Programa de Diabetes do Hospital Israelita Albert Einstein.

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Vírus HPV: como prevenir e tratar essa infecção que pode levar a câncer de colo de útero

Você sabe o que é o vírus HPV? Sabia que ele é a principal causa de câncer do colo de útero que é uma das maiores causas de morte por câncer em mulheres?

Para falar sobre esse assunto, convidei a Dra. Naira Scartezzini Senna que é médica ginecologista e especialista na prevenção e tratamento da vírus HPV.

Esse é mais um artigo da nossa série sobre saúde geral! Espero que apreciem a leitura!

Um abraço

Dra. Juliana Puggina



O vírus HPV tem sido muito comentado na mídia atualmente, vem repleto de dúvidas e pré-conceitos que, mesmo muitos profissionais de saúde, hesitam em esclarecer por insegurança ou desconhecimento. Pontuei aqui as perguntas mais frequentes:

* O vírus HPV é sexualmente transmissível?

Sim. O contato sexual ainda é a forma mais comum de infecção pelo vírus, mas não é a única. Pacientes podem contraí-lo pelo contato com fômites (toalhas, biquinis, calcinhas), apesar de menos frequentes, são formas possíveis de contágio principalmente em situações de imunossupressão.

* Serei eternamente portadora do vírus?

Não. O vírus é eliminado pelo sistema de defesa do seu organismo dentro de alguns anos após o contato, por isso é essencial cuidar de seu sistema imunológico com medidas que envolvem a boa alimentação, a prática de atividades físicas, o abandono de vícios nocivos e o consumo de polivitamínicos específicos no combate ao HPV. Importante ressaltar que as lesões causadas pelo vírus (verrugas ou lesões celulares microscópicas) são permanentes e necessitam de tratamento específico.

* Uma vez contaminada não tenho mais riscos de me contaminar novamente?

Tem. Existem dezenas de subtipos de HPV, a infecção prévia por um ou mais destes subtipos não eliminam seus riscos de se infectar novamente pelo mesmo vírus anterior ou um novo subtipo. Além disso, estudos já indicam que a imunidade decorrente do contato com o vírus é decrescente, o que significa que anos após determinada infecção, o paciente se torna vulnerável ao mesmo vírus HPV novamente.

* Como me prevenir?

Sabemos que a família de vírus HPV é composta por dezenas de subtipos identificados por diferentes números. As vacinas disponíveis no mercado protegem contra os 4 principais subtipos existentes, e são as maiores armas que dispomos atualmente contra o HPV. Sua aplicação consiste em 3 doses, que podem ser recebidas por pacientes com ou sem vida sexual ativa, que já foram infectados pelo vírus ou que nunca tiveram contato com o mesmo. Pesquisas recentes mostram que a vacina confere imunidade permanente ao paciente e reduz a agressividade de futuras manifestações do HPV causadas pelos subtipos não cobertos nas vacinas.



* A vacina tratará a minha infecção?

Não. Nenhuma das vacinas disponíveis no mercado atual é terapêutica. Sendo assim não tratará o vírus nem nenhuma das lesões por ele causadas. A vacina é um meio de construir anticorpos, que atuarão prevenindo novas possibilidades de infecção.

* Onde as lesões de HPV podem aparecer?

As lesões causadas pelo HPV se expressam geralmente no aparelho genital feminino ou masculino. Na mulher, podemos encontrar lesões na vulva, vagina, meato uretral e no colo uterino. O ânus, a região peri-anal e outras áreas expostas do corpo (ex: garganta) também podem apresentar lesões.

* Suspeito ter o diagnóstico, o que devo fazer?

Procure imediatamente um especialista que fará um exame ginecológico cuidadoso bem como toda a investigação necessária com Papanicolau, Colposcopia, Vulvoscopia e testes biomoleculares.

* Qual a melhor opção de tratamento para o HPV no mercado atual?

Existem inúmeras formas de tratamento desta lesões, a mais moderna e eficaz delas ainda é o Laser de CO2, atingindo até 100% de sucesso no tratamento de lesões do HPV em alguns trabalhos internacionais.

* Estou grávida, posso tratar minhas lesões de HPV?

Pode e deve. Durante a gestação o HPV também deve ser investigado e tratado visando sempre o melhor para a gestante e o bebê. Muitos tratamentos são contra-indicados na gestação, mas o Laser de CO2 pode ser usado em qualquer fase da gestação, por não ser absorvido de nenhuma forma pela mamãe ele não apresenta nenhum risco ao bem estar do feto.

***

O HPV é um assunto muito extenso e repleto de questionamentos e tabus. Se ainda ficaram dúvidas encaminhe sua pergunta que será um prazer conversarmos mais sobre este assunto.



Sobre a autora
Dra Naira Scartezzini Senna é formada pela Faculdade de Ciências Médicas da Santa Casa de São Paulo, com Residência em Ginecologia e Obstetrícia e Especialização em Ginecologia Endócrina, Climatério e Infanto-Puberal pela UNIFESP.
Coordena o setor de Ginecologia e Obstetrícia do Instituto Garnet, referência no tratamento de HPV. Possui vasta experiência atuando nas prevenções e tratamentos que envolvem a saúde da mulher com enfoque para os mais modernos tratamentos do Vírus HPV. Atua em São Paulo/SP

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Por que as varizes voltam depois de operar?

"Mas Doutora, de que adianta operar as varizes se elas voltam? Minha tia/prima/vizinha/amiga/conhecida operou há alguns anos e já está toda cheia de varizes outra vez!": muitas vezes ouço essa frase no consultório após indicar uma cirurgia de varizes.
Será mesmo verdade que as varizes voltam depois da cirurgia? Para entender isso, primeiro vou precisar explicar por que as varizes aparecem e depois mostrar porque elas reaparecem.

Mesmo após o tratamento, as varizes podem reaparecer.

Como surgem as varizes?


Como eu já expliquei no post "Por que eu tenho varizes?", o principal fator de risco que leva ao surgimento das varizes é a GENÉTICA, ou seja, a tendência herdada do nosso pai e da nossa mãe. Nos genes de quem tem varizes está escrito que aquela pessoa tem tendência a ter insuficiência das veias, e o genes estão dentro de todas as células do corpo, incluindo todas as células que compões as paredes de todas as veias.
A herança genética é o principal fator para o aparecimento e reaparecimento das varizes nas pernas
Sendo assim, não há como mudar a tendência da pessoa desenvolver as varizes, por mais que ela tenha tratado o problema. Quando realizamos qualquer tratamento para varizes, seja cirurgia, laser, radiofrequência, espuma etc, estamos retirando aquela veia que não está funcionando bem naquele momento. As veias que estão saudáveis, com funcionamento normal e tamanho inalterado não são tratadas. Porém, estas veias também possuem células com a mesma carga genética das veias doentes, sendo assim, são potenciais portadoras de insuficiência. Em outras palavras, essas veias poderão virar varizes no futuro.
Além da genética, outros fatores influenciam no aparecimento das varizes naquelas pessoas que têm tendência: alterações hormonais e uso de hormônios (como anticoncepcionais e terapia de reposição hormonal da menopausa), ficar em pé parado ou sentado por longos períodos, excesso de peso, sedentarismo e gravidez.
Ou seja, a pessoa que tem tendência ao aparecimento de varizes consegue, controlando os demais fatores, evitar ou pelo menos retardar o reaparecimento do problema após o tratamento.
Por isso que é imprescindível no pós operatório manter o peso ideal, fazer atividade física, evitar uso de hormônios etc.

Por que as varizes reaparecem após a cirurgia?


A taxa de reaparecimento das varizes após um procedimento cirúrgico para varizes varia de 7 a 65% em 5 anos na literatura médica.
As causas mais comuns apontadas pelos estudos científicos são a progressão da própria doença (de acordo com os fatores de risco que expliquei acima), neovascularização da área da junção safeno-femoral e não retirada de todas as fontes de refluxo venoso na cirurgia que foi realizada. Uma outra causa menos comum são vias anômalas de refluxo venoso, como nos casos de paciente com varizes pélvicas. Expliquei sobre esta doença no post "Dor na relação sexual: pode ser varizes pélvicas".
O exame de ultrassom doppler colorido venoso é essencial para o sucesso do tratamento das varizes
O exame de ultrassom doppler é de essencial importância antes da cirurgia de varizes. Esse exame precisa ser bem feito para identificar todas as veias com problemas, pois, se uma veia com problema for deixada sem tratamento na cirurgia, fatalmente o retorno das varizes será bem mais rápido. O post "Ultrassom Doppler Colorido: para que serve e como é feito?" explica a forma correta que este exame deve ser realizado para dar todas as informações necessárias para que o médico cirurgião vascular possa saber quais as veias que apresentam problemas e precisam ser retiradas.
Um estudo publicado em 1996 (saiba mais aqui) mostrou que um detalhado exame de ultra-som doppler é essencial nos casos de reaparecimento das varizes após a cirurgia. Esse estudo identificou as principais vias de refluxo venoso que causam as recidivas, mostrando os locais que precisam ser tratados numa próxima cirurgia.

Como eu faço para as varizes não voltarem após a cirurgia?


Infelizmente, na maioria das vezes as varizes irão voltar mesmo que o tratamento seja feito de forma correta. Isso ocorre porque a doença irá progredir para aquelas veias que estavam saudáveis no momento da cirurgia. Como eu disse acima, em 5 anos a chance de reaparecimento do problema é de até 65% (!).
Para retardar o reaparecimento das varizes é importante realizar medidas que melhorem o retorno venoso, como a prática de exercícios físicos. Além disso, a manutenção do peso ideal, evitar ficar muito tempo em pé ou sentado parado e evitar uso de hormônios femininos são medidas que podem ajudar a retardar o problema.
É importante ainda manter o seguimento com o cirurgião vascular, pois, logo que for identificado o retorno das varizes, estas devem ser tratadas para evitar as temidas complicações como o escurecimento da pele da perna e aparecimento de úlceras varicosas.

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Dra Juliana Puggina - Cirurgia Vascular - CRM/SP 134.963
Sobre a autora
Dra. Juliana Puggina é médica cirurgiã vascular e escreve artigos informativos no blog 'Pernas pra que te quero'. Formada em Medicina pela Universidade Estadual de Campinas (UNICAMP), com residência médica em Cirurgia Vascular e Endovascular pela Universidade de São Paulo (USP). Membro da Sociedade Brasileira de Angiologia e Cirurgia Vascular e do American College of Phlebology.

Clínica Essenza
Rua Oscar Freire 2250 cj 101 e 102 -Jd. América - São Paulo/SP

Entre em contato:
Telefone 11 3061-3892
Whatsapp 11 97479 2250




Os Vasinhos e o Sol

Outubro já está pertinho do fim!!!

O primeiro mês de primavera passou voando, o frio já foi embora há algum tempo... e a temporada das pernas de fora está aí a todo vapor (e calor!!)

É nessa hora que muita gente se depara com o espelho e pensa:  O que eu faço com esses vasinhos todos!?!?!
Se você adiou ao máximo seu tratamento e, agora que decidiu desfilar as roupas um pouco mais curtas, sentiu necessidade de fazer algo a respeito... Faça! Não há motivo para desespero! Ainda dá tempo, sempre dá!

MAS ME DISSERAM QUE NO CALOR NÃO SE PODE TRATAR OS VASINHOS...!

Poder, pode. Sempre que houver necessidade, pode ser realizado o tratamento. O calor não é problema. O problema em grande parte dos casos é a EXPOSIÇÃO SOLAR; e isso acontece em qualquer época do ano.
Como no frio as pernas andam mais cobertas, a tendência é realizar o tratamento nas épocas de frio para facilitar a não exposição...


O QUE EU POSSO FAZER AGORA?

Deixando para outra discussão as veias que precisam de cirurgia, temos 2 principais formas de tratamento atualmente, que são a escleroterapia e o laser (leia mais no post vasinhos nas pernas: como acabar com eles). Vejamos quais os poréns de cada uma delas quando o assunto é sol:


ESCLEROTERAPIA  (convencional, crioescleroterapia, escleroterapia com espuma...)

A escleroterapia consiste em injetar um líquido no interior das veias, causando uma reação nas paredes do vaso e seu posterior desaparecimento. Isso é feito com agulhas e o líquido injetado pode variar. Sempre que se faz um tratamento das telangecstasias (vasinhos) com escleroterapia, há o risco do surgimento de hematomas (que são um acúmulo de sangue fora do vaso sanguíneo). Esses hematomas, quando expostos ao sol, podem deixar na pele uma mancha acastanhada de difícil remoção, como uma tatuagem.

escleroterapia, glicose, vasinhos, teleangiectasias, secar

Além disso, mesmo quando não há hematomas, existe uma reação inflamatória local nas veias (no final das contas é essa inflamação que vai fazer com que os vasinhos desapareçam), podendo deixar a pele irritada e avermelhada em seu trajeto por alguns dias. Em peles mais sensíveis e em especial nas peles pardas, há um risco grande de manchas quando se expõe essas áreas ao sol...

Ou seja, se você e seu médico optarem pela escleroterapia, basta EVITAR A EXPOSIÇÃO AO SOL nos dias subsequentes ao tratamento, até que o hematoma ou o avermelhado desapareçam. A quantidade de dias varia bastante entre as pacientes, em geral de 3 a 10. Nesse meio tempo, mesmo que esteja vestindo calças ou saias longas, não custa abusar do protetor solar.


LASER

É aplicado um feixe de luz sobre o vaso a ser tratado, com comprimentos de onda variáveis.
Como já explicamos no artigo "luz pulsada realmente trata os vasinhos"?, a faixa de absorção de luz pela pela hemoglobina em certos comprimentos de onda é muito próxima da absorção de luz pela melanina da pele, ou seja... dependendo da intensidade e dos comprimentos de onda da luz que é aplicada, pode-se atingir ao mesmo tempo os vasos e a melanina, podendo provocar manchas geralmente hipocrômicas (brancas) de difícil tratamento....

Quando nos bronzeamos há mais melanina acumulada na superfície da pele, como uma proteção natural para a pele exposta ao sol. Ao se aplicar LASER EM PELE BRONZEADA existe um risco grande de o laser atingir a melanina da pele e resultar em bolhas, manchas claras ou escuras, cicatrizes - risco bem maior do que nas peles não bronzeadas.
O laser especifico para veias (NdYag) tem uma afinidade menor pela melanina do que a Luz pulsada, por exemplo, mas ainda assim deve haver muita cautela.

Se no seu caso houver indicação do laser o ideal é segurar a ansiedade de se jogar no sol e fazer o tratamento antes de começar a caprichar no bronzeado de final de ano.


E sempre é bom lembrar: mesmo estando ansiosa por uma cor de verão, nada de exageros e nunca esqueça do filtro solar ! Olha o câncer de pele e o envelhecimento precoce aí!!!

Até a próxima!
 

Dra Anelise Rodrigues - Cirurgia Vascular
Sobre a autora
Dra. Anelise Rodrigues é médica, formada pela Universidade Estadual de Campinas (UNICAMP). Especialista em Cirurgia Vascular pela SBACV/AMB. Estágios em Cirurgia Endovascular na Universidade de Barcelona / Espanha e Ultrassom Vascular na Clínica Fluxo/SP e no Maimonides Medical Center, New York/USA.
 Atua como Cirurgiã Vascular em São Paulo/SP e Cuiabá/MT. Facebook  Google+    Instagram 






Hipotireoidismo: como saber se eu tenho essa doença?

Hoje o artigo publicado vai ser um pouco diferente do nosso tema principal que são as doenças da circulação, para falar de uma doença muito comum, que afeta milhões de pessoas pelo mundo, principalmente as mulheres, que é o hipotireoidismo.
O hipotireoidismo é, inclusive, uma doença que pode levar a inchaço nas pernas não relacionado com problemas circulatórios, como expliquei no artigo "Inchaço nas pernas: o que pode ser?" Pode ainda levar a dificuldade na perda de peso, o que afeta diretamente a circulação venosa, levando ao aparecimento e piora das varizes.
Para falar sobre esse tema tão importante, convidei o Dr. Gustavo Daher, que é endocrinologista do Hospital Albert Einstein.
Espero que vocês gostem do texto. Dúvidas, críticas, elogios e sugestões podem ser enviados pelo Fale Conosco, ou pelo FacebookTwitter e Google Plus!

Um abraço

Dra. Juliana Puggina



Hipotireoidismo é uma doença extremamente comum que acomete a tireóide, especialmente em mulheres e que possui diagnóstico e tratamento simples e acessível.

O hipotireoidismo pode levar ao excesso de peso e obesidade, varizes

O que é Hipotireoidismo?


Hipotireoidismo é uma condição onde a glândula tireóide, responsável por produzir e secretar os hormônios tireoidianos, passa a produzir menos hormônios que o necessário para o organismo.
A grande maioria das vezes essa diminuição de produção é decorrente de um problema na própria glândula tireóide, sendo que um dos principais causas desta alteração é a presença de anticorpos que destruem a tireóide com o passar do tempo, esta situação é conhecida como Doença de Hashimoto.
Muitas vezes o hipotireoidismo é confundido com o hipertireoidismo que, apesar do nome parecido, é uma doença que apresenta situação exatamente oposta, com liberação em excesso dos hormônios da tireóide. Condição mais rara e muitas vezes mais complexa.

Quais são os principais sintomas do hipotireoidismo?


Os hormônios tireoidianos funcionam como “reguladores” do metabolismo das células, assim em situações onde há falta destes hormônios há uma tendência a diminuição geral do funcionamento de vários sistemas do organismo.
O hipotireoidismo leva a cansaço, sensação de frio, pele seca e ganho de pesoGeralmente esta queda é gradual gerando os seguintes sintomas:
- Aumento do cansaço
- Sonolência excessiva
- Raciocínio mais lento
- Aumento da sensação de frio (passa a ter menos tolerância ao frio)
- Diminuição do suor
- Prisão de ventre
- Pele mais seca e fina
- Cabelos mais secos e quebradiços
- Aumento do inchaço
- Ganho de peso (normalmente discreto)
Em situações onde há queda rápida dos hormônios (mais raro) ou muitos anos de evolução da doença sem tratamento adequado, situações mais graves podem ocorrer incluindo diminuição dos batimentos cardíacos, alteração na menstruação nas mulheres, alteração na função dos rins e em casos extremos levar a coma e morte.
Outra situação importante é o hipotireoidismo na mulher grávida, situação que deve ser monitorada de perto por especialistas que possam tratar o hipotireoidismo adequadamente, para que o bebê e a gravidez possam se desenvolver sem complicações.

Como é feito o diagnóstico?


O diagnóstico é feito através de coleta de exames de sangue que medem diretamente a concentração dos hormônios tireoidianos na circulação, especialmente o hormônio principal chamado Tiroxina (chamado de T4), e também do hormônio que estimula a produção dos hormônios da tireóide chamado de TSH.
Estes exames são pedidos quanto a suspeita médica pelos sintomas do paciente ou em eventuais exames de rotina.
É importante procurar o médico endocrinologista sempre que suspeitar de hipotireoidismoNo Brasil, no teste do pezinho, todos os bebês são testados para uma condição rara que é o hipotireoidismo congênito, situação onde há baixa produção do hormônio desde de o nascimento da criança impedindo assim o seu desenvolvimento adequado. Por isso o diagnóstico precoce é essencial.

Como é feito o tratamento?


O tratamento do hipotireoidismo consiste na reposição do hormônio tireoidiano que não foi produzido pelo organismo.
Esta reposição é realizada através de comprimidos que possuem o hormônio T4 em quantidade previamente conhecidas. Devendo ser feita sempre com orientação e seguimento médico, para que a quantidade tomada seja a adequada para cada indivíduo, evitando assim, situações de excesso ou falta de hormônio.
A monitorização deve ser feita periodicamente através da dosagem do hormônio no sangue, sendo que muitas vezes a dose deve ser ajustada por uma série de fatores, destacando-se mudanças no peso, uso contínuo e regular da medicação.
A maior parte das pessoas necessitam de tratamento para o resto da vida, pois como já dito, a principal causa da doença é a destruição da tireóide por anticorpos. De qualquer maneira, mesmo nesta situação o acompanhamento médico contínuo é essencial para avaliar a necessidade de continuidade do tratamento.
Vale ressaltar que o uso indevido desta medicação por pessoas que não possuem hipotireoidismo é potencialmente muito perigoso e prejudicial a saúde, pois pode levar a alterações indevidas no metabolismo e consequencias diversas em todo o organismo.

Sobre o autor
Dr. Gustavo Daher é médico endocrinologista graduado pela Universidade Estadual de Campinas (UNICAMP), com especialização em Clínica Médica e Endocrinologia e Metabologia pelaa Universidade de São Paulo (USP). É membro da Endocrine Society (EUA) e da Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia (SBEM). Atua como médico do Programa de Diabetes do Hospital Israelita Albert Einstein.

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Ultrassom doppler colorido: para que serve e como é feito?

Você sabe por que e para que é feito o exame de Ultrassom doppler? Esse com certeza é o exame mais pedido pelo Cirurgião Vascular para o diagnóstico das doenças venosas e arteriais, e, nesse artigo escrito pela nossa convidada Dra. Anna Paula Sincos, você vai descobrir porquê esse exame é tão importante.

Boa Leitura!

Dra. Juliana Puggina





o ultrassom doppler colorido venoso dos membros inferiores ou duplex ultra-som é o principal exame no diagnóstico das varizes

O ECO-DOPPLER, também conhecido como Ultrassom Vascular ou Ecografia Vascular, é um método de exame diagnóstico fundamental para o estudo das doenças vasculares.
O exame é realizado nas artérias e/ ou nas veias do corpo e tem como principais características:
1 - Ser um exame não invasivo;
O exame de ultrassom doppler para varizes deve ser realizado com paciente deitado e em pé, e feito por médico com treinamento em ecografia vascular2 - Indolor;
3 - De fácil execução e sem contra-indicações;
Ele é baseado no método da Ultrassonografia (Ecografia) convencional, associado ao estudo da direção e velocidade do fluxo do sangue dentro dos vasos, através de softwares de alta tecnologia.
Essa tecnologia revolucionou o tratamento vascular, tornando-se o exame Eco-Doppler essencial na avaliação dos problemas que acometem os vasos sanguíneos. A cada ano que passa, novas máquinas, cada vez mais aperfeiçoadas, surgem no meio da Angiologia e Cirurgia Vascular. A qualidade técnica dos exames e os dados conseguidos através deles vêm se tornando excelentes aliados da equipe médica que programa um procedimento cirúrgico.
O diagnóstico e tratamento das famigeradas varizes, por exemplo, foi um dos tratamentos que mais se beneficiou da parceria com o Eco-Doppler Vascular. Este método veio aprimorar o diagnóstico das varizes, pois, somente com um exame não invasivo, de fácil execução como esse, é que podemos visualizar o sistema venoso profundo, superficial e veias perfurantes do membro em tempo real , com alta eficácia e nenhum desconforto para o paciente.
O Doppler Vascular tornou-se tão útil que, na prática, não se indicam mais cirurgias de varizes sem a sua prévia realização. Com este método podemos não só mapear as veias varicosas visíveis (aquelas que ficam dilatadas logo abaixo da pele), como também as veias que não se evidenciam a olho nu.
O ultra-som doppler pode ser utilizado para quiar a cirurgia a laser para varizes
Além disso, determinamos a exata localização e funcionamento das veias perfurantes (veias que comunicam o sistema venoso profundo e o superficial) que serão tratadas na cirurgia. O Doppler Vascular pode ser utilizado inclusive no momento intra-operatório, com uso de dispositivos portáteis, para a visualização das varizes e acompanhamento do movimento dos catéteres em cirurgias endovenosas por Radiofrequência ou Laser.
Mais do que um mapeamento pré-operatório, o Ultrassom Vascular é capaz, ainda, de identificar causas secundárias de formação de varizes (trombose, por exemplo) e pesquisar alterações em outras partes do corpo, por exemplo, a pelve e abdome, responsáveis por gerar as varizes nas pernas.

Com o constante avanço no diagnóstico e tratamento das varizes dos membros inferiores, houve um grande aumento na precisão e acurácia da terapia cirúrgica e na diminuição de recidivas da doença varicosa.


                                      Sobre a autora
Dra. Anna Paula W. B. Sincos é médica cirurgiã vascular assistente do Hospital Israelita Albert Einstein. Tem Título de Especialista em Cirurgia Vascular pela SBACV com certificado de área de atuação em Angiorradiologia e Cirurgia Endovascular e em Ecografia Vascular. É membro titular da Sociedade Brasileira de Ultrassom, da Sociedade Brasileira de Laser em Medicina e Cirurgia e do American Venous Forum. Atua em São Paulo/SP

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Dor na relação sexual: pode ser varizes pélvicas! Saiba mais sobre esta doença

As varizes, apesar de serem mais comuns nas pernas, também podem acometer as veias da região pélvica.  Essas varizes da região pélvica podem levar a quadro de dor durante e após a relação sexual e dor na parte inferior do abdome, a chamada dor pélvica crônica. Nesse artigo, você irá conhecer melhor o que é esta doença, como é investigada e qual é o tratamento.

Dor em baixo ventre e após a relação sexual pode ser varizes pélvicas

Síndrome da Congestão Pélvica: entenda o que é isso

As varizes pélvicas são veias dilatadas ao redor dos órgãos da pelve, como útero e ovários. A presença dessas varizes em grande quantidade leva ao aparecimento de sintomas, que caracterizam uma doença chamada Síndrome da Congestão Pélvica.
A síndrome da congestão pélvica é caracterizada pela presença de dor na região inferior do abdome, popularmente conhecida como baixo ventre. Essa dor geralmente piora antes e durante o período menstrual, levando a sensação de peso na parte baixa do abdome. Pode aparecer também após longos períodos em pé.
Geralmente, as mulheres que possuem essa doença apresentam dor durante a relação sexual, especialmente quando a penetração do pênis é mais profunda, e podem persistir com a sensação de peso pro horas após a relação. A dor após a relação sexual é inclusive uma das características mais marcantes dessa síndrome.
Outros sintomas que podem surgir são o aumento do sangramento menstrual e aparecimento de varizes na vulva, varizes na vagina, nos glúteos e nas pernas.
O refluxo nas veias da região pélvica podem, inclusive, ser causa de reaparecimento de varizes nas pernas daquelas mulheres que já realizaram cirurgia para varizes. Sendo assim, as varizes pélvicas devem sempre ser investigadas na recidiva da doença varicosa, porque podem ser a causa de seu reaparecimento em até 17% dos casos (saiba mais).

Por que as varizes pélvicas ocorrem?


As varizes pélvicas podem aparecer por dois motivos principais. O primeiro é a tendência genética, que leva ao enfraquecimento das paredes e das válvulas das veias ovarianas e das veias ilíacas internas, num processo semelhante ao que ocorre nas veias das pernas. Expliquei esse processo com detalhes no post "Por que eu tenho varizes?".
Alguns fatores podem contribuir para o aparecimento desse tipo de varizes nas pessoas que têm tendência. O principal deles é a gravidez. Quanto maior o número de vezes que a mulher ficou grávida, maior a pressão que o útero e o bebê exerceram sobre as veias das pelve, o que, associado com as mudanças hormonais, favorece o aparecimento de varizes na vulva, varizes na vagina e varizes nas pernas.  No post "Varizes na gravidez: saiba como prevenir este problema!" expliquei como podemos minimizar o aparecimento de varizes durante a gestação.
O segundo, e mais raro, motivo para o aparecimento das varizes pélvicas é a compressão ou obstrução venosa. Duas síndromes principais estão associadas com a síndrome de congestão pélvica. A Síndrome Nutcracker (ou do "quebra-nozes") é uma situação em que a veia renal esquerda é comprimida pela artéria mesentérica superior, a qual passa por cima dela. Como podemos ver na figura abaixo, a veia ovariana esquerda termina justamente na veia renal esquerda. Sendo assim, quando a passagem de sangue está obstruída na veia renal esquerda, o sangue fica acumulado nesta veia e nas veias ovariana e pélvicas, o que leva a congestão e aumento dessas veias. Os portadores dessa síndrome, além dos sintomas relacionados com a congestão das veias pélvicas, apresentam ainda dores nos flancos e perda de sangue na urina (hematúria).
A compressão da veia renal pode ser cauda de varizes pélvicas e varizes na vagina

A Síndrome de Cockett ou ou síndrome de May-Thurner é uma outra doença relacionada com o aparecimento de varizes da região pélvica. Nessa síndrome ocorre a compressão da veia ilíaca comum esquerda pela artéria ilíaca comum direita, contra a coluna vertebral (veja a figura abaixo para entender melhor). Essa compressão ocorre em todas as pessoas em algum grau, porém, em determinados indivíduos, esta compressão chega ao ponto de ocluir a veia e causar trombose. Geralmente, os portadores dessa síndrome, além de varizes pélvicas, apresentam varizes, inchaço e episódios de trombose na perna esquerda. Toda pessoa que possui varizes exclusivamente no membro inferior esquerdo deve ser obrigatoriamente investigada para a síndrome de Cockett. As varizes pélvicas nessa síndrome ocorrem pela sobrecarga de sangue nas veias ilíacas devido à obstrução.
A síndrome de Cockett ou May Thurner também é responsável pelo aparecimento das varizes pélvicas e varizes na vaginaEsse sangue acumulado procura outros caminhos para chegar de volta ao coração, passando pela veias pélvicas e atingindo a veia ilíaca do lado direito, assim seguindo seu caminho.
Além dessas duas síndromes, a obstrução das veias ilíacas e veia cava inferior por um quadro de trombose venosa profunda também podem levar ao aparecimento de varizes pélvicas. Para saber mais sobre a trombose venosa profunda acesse o post "Trombose venosa profunda: saiba como prevenir e tratar este problema".

Como saber se eu tenho varizes pélvicas?

Suspeitamos de varizes pélvicas quando há presença de dor pélvica crônica, dor durante e após a relação sexual, presença de varizes em vulva, varizes na vagina e varizes na região glútea e ainda nas pessoas que já realizaram cirurgia de varizes e as varizes voltaram a aparecer em grande quantidade. 
O primeiro exame a ser realizado para confirmar o diagnóstico é o ultra-som transvaginal. Essa é a melhor forma de avaliar os órgãos pélvicos e verificar a presença de veias anormais. Nesse exame também pode se lançar mão do doppler, que é capaz de enxergar o fluxo de sangue nas veias e saber se estas estão insuficientes. 
Após o diagnóstico do problema, geralmente é solicitado um exame mais detalhado para que o tratamento possa ser planejado. Este exame pode ser uma angiotomografia ou uma angioressonância nuclear magnética. Pode ser ainda realizada uma flebografia, que apesar de ser considerada como o melhor exame, é evitada por se tratar de um procedimento invasivo. 

Tratamento das varizes pélvicas


Quando é feito o diagnóstico desse problema, precisamos identificar a causa das varizes para indicar o melhor tratamento.
Muitos tratamentos já foram descritos. Geralmente, o tratamento é iniciado com hormônios como a progesterora. Esse hormônio leva a diminuição da ovulação e da vascularização dos órgãos da pelve, diminuindo consequentemente a quantidade de sangue dentro das veias pélvicas.
Porém, nem sempre o tratamento com medicamentos é efetivo. Quando os sintomas permanecem, é necessário pensar em uma alternativa cirúrgica.
A cirurgia é também uma alternativa de tratamento quando nos deparamos com as compressões venosas (como as que eu descrevi acima).
A cirurgia endovascular é a melhor opção para tratamento de varizes na pelve
Sala de hemodinâmica, onde são realizadas cirurgias endovasculares
Atualmente, a cirurgia convencional, em que é realizado um corte no abdome para ter acesso à veias, é raramente utilizada. Com o início da cirurgia endovascular a partir da década de 90, os procedimentos passaram a ser realizado através de cateterismo.
A cirurgia endovascular para as varizes pélvicas geralmente é realizada através de uma punção com uma agulha grossa na veia femoral, uma veia que passa na nossa virilha ou na veia jugular, que fica no pescoço. Através dessa veia, são colocados introdutores e catéteres bem longos, que têm capacidade de chegar até a origem do problema.
Todo o procedimento é guiado por um grande aparelho de raio X ligado a uma televisão, que mostra as imagens do interior do corpo em tempo real.
Através desses catéteres, é possível realizar o fechamento das veias que não funcionam de forma adequada utilizando molas, cola biológica ou medicamento esclerosante. Esse procedimento é denominado embolização.
O stent pode ser usado no tratamento das varizes pélvicas
Stent
É possível também a abertura com balão (angioplastia) e a colocação de stents nas veias que estão comprimidas, como no caso das síndromes de May-Thuner ou Cockett e de Quebra-Nozes. O stent é uma estrutura tubular feita de aço inoxidável ou nitinol (liga metálica com níquel) que tem a função de manter a veia aberta, com fluxo de sangue normal.
Sendo assim, é possível realizar toda a cirurgia por dentro dos vasos, sem necessitar nenhum corte na pele.
Todos esses procedimentos podem ser realizados com anestesia local ou geral, dependendo do tamanho da cirurgia e preferência da equipe de cirurgiões.

Conclusão
Se você apresenta dores durante e após a relação sexual, cólicas menstruais intensas e dor em peso no abdome, especialmente no período menstrual, fique atenta: você pode ser portadora de varizes na pelve.
Se isso estiver acontecendo com você, converse com seu médico ginecologista. Ele poderá avaliar seu caso de forma adequada e solicitar os exames necessários para o diagnóstico do problema. Se forem constatadas as varizes pélvicas, você deverá ser encaminhada a um Cirurgião Vascular com experiência em cirurgia Endovascular para realizar o tratamento.



Dra Juliana Puggina - Cirurgia Vascular - CRM/SP 134.963
Sobre a autora
Dra. Juliana Puggina é médica cirurgiã vascular e escreve artigos informativos no blog 'Pernas pra que te quero'. Formada em Medicina pela Universidade Estadual de Campinas (UNICAMP), com residência médica em Cirurgia Vascular e Endovascular pela Universidade de São Paulo (USP). Membro da Sociedade Brasileira de Angiologia e Cirurgia Vascular e do American College of Phlebology.

Clínica Essenza
Rua Oscar Freire 2250 cj 101 e 102 -Jd. América - São Paulo/SP

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A Obesidade e as Varizes

Todos sabemos que a obesidade é hoje uma das maiores epidemias do mundo. O stress dos dias atuais, aliados ao sedentarismo e a uma alimentação pouco saudável são os principais colaboradores para que cada dia existam mais pessoas obesas por aí.

Além de todas as patologias associadas ao excesso de peso, como aterosclerose, hipertensão, problemas articulares, diabetes... Os pacientes com varizes também sofrem mais quando o ponteiro da balança sobe.

A obesidade é um importante fator de risco para as varizes


Embora a obesidade em si, isoladamente, não seja causadora de varizes, ela está associada à uma maior gravidade do quadro. O que isso quer dizer...???

O controle do peso é essencial para prevenir o aparecimento das varizes nas pernasÉ o seguinte: O fato de uma pessoa ser obesa não é suficiente para que se desenvolvam varizes. MAS se por uma série de causas associadas (confere no post por que eu tenho varizes?) as varizes estiverem presentes... em uma pessoa obesa o quadro será mais severo e com mais chances de complicações do que se a mesma pessoa estiver com peso considerado adequado. E isso não sou eu quem falo, são os estudos (leia mais aqui e aqui)



Mas como a obesidade pode afetar as veias?

Assim como na gestação (aproveite para ler o artigo sobre varizes na gravidez), uma pessoa obesa apresenta um aumento no volume interno abdominal, principalmente por acúmulo de gordura entre os órgãos. Isso acaba gerando uma compressão das estruturas intra-abdominais, incluindo a VEIA CAVA e as veias ilíacas - caminho por onde o sangue volta para o coração. Essa compressão dificulta a volta do sangue, que fica estagnado nas veias das pernas, aumentando a sua dilatação e piorando as varizes e seus sintomas. Também o acumulo de gordura e a fibrose no subcutâneo (embaixo da pele) prejudica a rede venosa, dificulta a drenagem e promove a estase.
A compressão das veias do abdome pelo excesso de gordura leva a aumento de pressão nas veias e varizes.
Além disso, o aumento da pressão e o excesso de peso no abdômen provoca um enfraquecimento da musculatura pélvica. Os músculos do chamado "assoalho pélvico" servem como uma bomba de sucção que facilita o retorno do sangue... e quando essa musculatura enfraquece, adivinha o que acontece??? Exatamente - o retorno sanguíneo piora e as varizes também...

Portanto, não custa insistir... cuide-se!!!

Alimentação balanceada, exercício físico e sono saudável são importantes armas na prevenção das varizes- Controle sua alimentação
- Durma bem
- Faça exercícios físicos regularmente e com orientação
- Sempre que preciso, PROCURE SEU MÉDICO!

Assim você terá uma vida muito mais saudável... e com menos varizes!!!

Até a próxima!



Dra Anelise Rodrigues - Cirurgia Vascular
Sobre a autora
Dra. Anelise Rodrigues é médica, formada pela Universidade Estadual de Campinas (UNICAMP). Especialista em Cirurgia Vascular pela SBACV/AMB. Estágios em Cirurgia Endovascular na Universidade de Barcelona / Espanha e Ultrassom Vascular na Clínica Fluxo/SP e no Maimonides Medical Center, New York/USA.
 Atua como Cirurgiã Vascular em São Paulo/SP e Cuiabá/MT.
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Quanto custa uma cirurgia de varizes? **ATUALIZADO 2017**

A pergunta que mais recebo por aqui ( Fale ConoscoFacebook, Twitter ou Google Plus) é “Quanto custa uma cirurgia de varizes”?

Grande parte das pessoas que dependem do Sistema Único de Saúde (SUS) têm dificuldade de conseguir essa cirurgia devido à alta procura por este procedimento. Os ambulatórios de cirurgia vascular estão sobrecarregados e os hospitais que realizam este tipo de cirurgia mais ainda.
Por conta disso, muita gente pensa em recorrer ao pagamento de uma cirurgia particular ou pela adesão a um convênio ou plano de saúde.


O preço de uma cirurgia de varizes particular depende muito do local onde você vai fazer, de como são as suas varizes e do profissional que irá realizar a cirurgia. Os valores que compõem a conta de uma cirurgia de varizes são os seguintes:

- Conta hospitalar (pacote cirúrgico)

Nos principais hospitais de São Paulo, o valor de um pacote para realização de cirurgia de varizes varia de R$3.200,00 a R$8.500,00 (valores atualizados em junho/2017).

Nesses valores estão inclusos: uso da sala de cirurgia por 2 horas, 1 diária em acomodação de apartamento, medicações e aparelhos usados na anestesia e medicamentos usuais. “Ahh, e se passar de 2 horas ou se tiver que ser usado algum medicamento extra?" Neste caso, o hospital irá cobrar um valor adicional, não tem jeito. Mas geralmente não passa disso.

- Honorário do médico cirurgião principal

Quando você leva o carro ao mecânico, o preço varia de acordo com a reputação, expertise e atendimento do profissional. Na medicina não poderia ser diferente. Uma cirurgia, por mais simples que seja, é um procedimento que demanda muita experiência e conhecimento do profissional. Aqui, como em tudo na vida, aquela história do “barato sai caro” também se aplica. O valor aqui pode variar entre R$ 5.000,00 a R$ 15.000,00.

- Honorário do médico cirurgião auxiliar (ou auxiliares)

Como as varizes geralmente acometem as duas pernas, e pela própria natureza dessa cirurgia, ela é bastante trabalhosa, apesar de ser bastante segura. Por conta desse trabalho extra, cirurgiões auxiliares ajudam no processo, para que o resultado seja o melhor possível. Além disso como eu disse antes, a sala cirúrgica sendo alocada por duas horas apenas, o cirurgião auxiliar ajuda em tornar o procedimento mais produtivo sem perder a qualidade. O valor aqui varia entre R$ 1.500,00 a R$ 7.500,00.

- Honorário do médico anestesista

O médico anestesista é responsável pela sua saúde durante a cirurgia. Apesar de muitas pessoas terem medo de cirurgia justamente por causa da anestesia, saiba que esse é um procedimento muito seguro, e até certo ponto simples devido à extrema capacidade desse profissional. Por isso mesmo, quanto mais competente e experiente for o anestesista, melhor. Esse profissional recebe entre R$ 2.000 a R$ 9.000,00.

- Honorário do instrumentador

Você pode estar se perguntando: “Pra que raios serve um instrumentador cirúrgico? Você não poderia pegar suas próprias ferramentas?”

Para que as cirurgias sejam seguras, seguimos rotinas e checklists assim como um aviador faz para manter seu avião seguro. Uma dessas atitudes de segurança é nunca desviar o olhar do ponto onde estamos trabalhando! “Doutora você fica duas horas olhando para o mesmo lugar?” SIM! Faço isso para garantir que nenhum erro será cometido, nenhum detalhe irá me escapar e nenhum acidente, por ínfimo que seja, possa ter chance de acontecer. E é por isso que os cirurgiões tem instrumentadores.

Além de cuidar para que todos os instrumentais estejam esterilizados e seguros, ele ajuda no processo em si, para que o procedimento seja o mais seguro possível. O valor para esse profissional fica entre R$ 250,00 a R$ 750,00.

Somando tudo temos:

HOSPITAL: R$3.200,00 a R$8.500,00 
CIRURGIÃO PRINCIPAL: R$5.000,00 a R$15.000,00 
CIRURGIÕES AUXILIARES: R$1.500,00 a R$7.500,00 
MÉDICO ANESTESISTA: R$2.000,00 a R$9.000,00 
INSTRUMENTADOR CIRÚRGICO: R$250,00 a R$1.500,00 ________________________________________________________________________ 
VALOR TOTAL DA CIRURGIA: R$ 11.950 a R$ 36.250 (isso é uma média, ok?)

O valor do hospital é pago diretamente ao hospital, geralmente no momento da alta.

O valor do trabalho do médico cirurgião, médico cirurgião auxiliar, médico anestesista e instrumentador são pagos a parte, geralmente diretamente com a equipe contratada.

a cirurgia de varizes requer uma equipe altamente especializada para ser realizada
Minha amada equipe (da esquerda para direita): eu, Dra. Nathassia (auxiliar), Dra. Isadora (anestesista), Dra. Aline (auxiliar), Simone (instrumentadora)

Para saber o valor cobrado por cada equipe, é necessário passar por uma consulta médica, em que o médico cirurgião, após te examinar e avaliar seus exames, será capaz de orçar o preço de sua cirurgia. Além disso, irá escolher o hospital que mais lhe agrada ou que está mais habituado a trabalhar para a realização da cirurgia.

Se você optar pela cirurgia com laser ou radiofrequência, entram na conta também o aluguel do aparelho e a compra dos cateteres ou fibras usadas na cirurgia.

COMO POSSO PAGAR UMA CIRURGIA DE VARIZES ?


Um método muito interessante para que você possa operar com o cirurgião de sua preferência é o REEMBOLSO.

Grande parte dos convênios, especialmente no caso das seguradoras como Sulamérica, Bradesco, Porto Seguro, Allianz e outros convênios como One Health, Lincx, Omint e Care Plus, possuem uma modalidade chamada Reembolso Médico.

Nesses casos é dado ao paciente a possibilidade de Livre Escolha, ou seja, ele pode escolher fazer a cirurgia com o médico que desejar e o convênio irá devolver o valor que o paciente pagou à equipe cirúrgica. Dependendo do convênio e do plano que você tem, os honorários médicos podem ser reembolsados integral ou parcialmente.

É um processo um pouco burocrático, mas muitas clínicas e consultórios realizam todos os passos dessas solicitações sem a necessidade de interferência do paciente. Na minha clínica, por exemplo, tenho uma pessoa para fazer isso, para que o paciente não precise ter dor de cabeça.

O reembolso é uma excelente forma de conseguir ser tratado pela equipe cirúrgica da sua confiança e sem interferência do seu plano de saúde sobre a forma como essa equipe deve trabalhar. É vantagem tanto para o paciente, que pode escolher à dedo o seu médico de confiança, quanto para a equipe médica, que é melhor remunerada.

Na prática, funciona assim: enviamos ao convênio um orçamento do valor dos honorários da equipe cirúrgica e um relatório explicando porque o paciente tem que fazer a cirurgia. Esse documento é chamado de prévia de reembolso. Após alguns dias (de 3 a 15 dias úteis, dependendo da operadora), o convênio responde aprovando o orçamento e dizendo qual será o valor reembolsado.

Nesse momento o paciente já é informado sobre qual será o custo da cirurgia e o valor que será coberto pelo reembolso. Se este estiver de acordo com o que será reembolsado, a cirurgia pode ser agendada. (na maioria das vezes, o valor solicitado é o mesmo que será reembolsado pelo convênio, fique tranquilo!)

Já postamos aqui no blog um artigo falando detalhes sobre o reembolso médico. Se quiser saber mais clique em "Reembolso Médico: como usar em consultas, exames e cirurgias".

Os valores que explicitei neste artigo são os praticados na cidade de São Paulo. Não são valores fixos e nem devem ser levados como base para pagamento de qualquer procedimento. Expus estes valores nesse instrumento de utilidade pública para fins informativos.

 Para saber os valores reais para o seu caso, consulte um médico cirurgião vascular.

Se quiser saber mais sobre as opções de tratamento para varizes e como a cirurgia de varizes é realizada acesse os artigos: Como tratar varizes nas pernas?  Cirurgia para varizes: saiba como é feita passo-a- passo, "Radiofrequência: uma alternativa à cirurgia convencional de varizes" e "Laser para varizes e vasinhos funciona?".

Obrigada pela leitura! Até a próxima!


Dra Juliana Puggina - Cirurgia Vascular - CRM/SP 134.963
Sobre a autora
Dra. Juliana Puggina é médica cirurgiã vascular e escreve artigos informativos no blog 'Pernas pra que te quero'. Formada em Medicina pela Universidade Estadual de Campinas (UNICAMP), com residência médica em Cirurgia Vascular e Endovascular pela Universidade de São Paulo (USP). Membro da Sociedade Brasileira de Angiologia e Cirurgia Vascular e do American College of Phlebology.

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Eu preciso mesmo tirar a veia safena? Ela não vai fazer falta no futuro?

Uma pergunta que recebo freqüentemente pelos nossos meios de interação (Fale conosco, Facebook, Twitter e Google Plus) é a respeito da retirada ou não da veia safena na cirurgia de varizes. Nesse artigo irei falar um pouco sobre as indicações de safenectomia (retirada da veia safena), alternativas de tratamento e por que ela pode ser retirada. Para saber como a safenectomia é realizada, acesse o artigo "Cirurgia para varizes: saiba como é feita passo-a-passo".

Você também pode assistir ao vídeo sobre esse tema clicando abaixo:


Por que é possível retirar a veia safena?


A veia safena interna é a principal veia do sistema venoso superficial do membro inferiorEm cada perna, temos 2 veias safenas: uma maior que vai da virilha até o pé, chamada veia safena interna ou magna, e uma menor, que vai do joelho até o pé, correndo na face posterior da perna, a veia safena externa ou parva.  Como eu já expliquei nos artigos "Cirurgia para varizes: saiba como é feita passo-a-passo" e  "Salto alto causa varizes?", o sistema venoso das pernas é composto por 2 conjuntos de veias: as superficiais e as profundas. As veias safenas são as principais veias superficiais das pernas, e se ligam ao sistema profundo através das veias perfurantes.

A maior parte do sangue que retorna dos pés para o coração passa pelas veias profundas, que correm próximas à musculatura. Sendo assim, somente uma pequena parte do sangue passa pelas veias superficiais e por isso é que podemos retirar ambas as safenas e ainda as varizes colaterais de uma perna sem ter prejuízo no retorno do sangue.


Quando a safena deve ser retirada?


A indicação de safenectomia varia bastante entre os cirurgiões vasculares. Mas é consenso que, quando a veia se encontra extremamente dilatada e com refluxo significativo, ela deve ser retirada. O refluxo ocorre quando o sangue, ao invés de ir em direção ao coração (para cima) , ele vai em direção ao pé (para baixo). Ele aparece quando as válvulas da veia já não funcionam de forma adequada.
A maioria dos cirurgiões não retiram a veia safena quando esta apresenta diâmetro normal e pouco ou nenhum refluxo. Tanto o tamanho quanto o refluxo na veia são avaliados através de exame de Ultrassom doppler venoso.
O diâmetro e o refluxo da veia safena são medidos atraves do ultrassom doppler venoso (duplex)


A retirada da veia safena pode causar algum outro problema?


Infelizmente, a retirada da veia safena pode cursar com complicações.  A principal delas está relacionada com a lesão dos nervos safeno e sural e dos vasos linfáticos que acompanham as veias safenas. O nervo safena é um nervo que acompanha a veia safena magna e em até 39% dos casos ele é lesado durante a retirada da veia, especialmente quando esta é retirada desde a virilha até o tornozelo . A lesão do nervo safeno causa amortecimento e formigamento (parestesias) da face interna da coxa e perna. Já a lesão ao nervo sural pode ocorrer durante a retirada da veia safena parva, levando a amortecimento e dor em queimação na face posterior da perna em até 4% dos pacientes. (esses dados foram retirados daqui)
Quando ocorre lesão aos vasos linfáticos, pode haver inchaço da perna no pós operatório. Na maioria das vezes, esse inchaço é reversível.

E se no futuro eu precisar de uma ponte de safena no coração?


Um dos receios dos pacientes que precisam ser submetidos à retirada da veia safena é quanto à necessidade do uso dessa veia no futuro.
A veia safena é utilizada em muitas cirurgias para substituição de segmentos de artérias que estão obstruídos ou danificados, sendo considerada o melhor substituto para artérias em geral.
Hoje, com o envelhecimento da população, aumentaram os índices de doenças oclusivas das artérias, seja das artérias do coração, pescoço e membros inferiores, que levam a problemas com infarto do miocárdio, acidentes vasculares cerebrais (derrames), dores para caminhar e gangrenas. Em alguns desses casos, a veia safena pode ser utilizada como uma ponte (ou enxerto) para transpor uma área que esteja entupida, devolvendo a circulação para a área que estava sem sangue. Falei mais sobre a aterosclerose e as doenças obstrutivas arteriais no post "Dor nas pernas para caminhar: saiba tudo sobre doença arterial periférica"
A safena pode ser utilizada como substituto de várias artérias, inclusive as artérias do coração (coronárias)
Pontes de safena para coronárias (artérias do coração)
Além disso, com a crescente onda de violência que acomete nosso país, aumentaram os casos de lesões às artérias, seja por conta de acidentes automobilísticos e ferimentos por arma de fogo ou armas brancas. Quando ocorre a secção de uma artéria por um desses traumas, também é possível utilizar a veia safena para reconstituir a circulação e evitar inclusive a perda de um braço ou de uma perna.

Pensando nisso, alguns cirurgiões vasculares propuseram técnicas de preservação da veia safena nas cirurgias de paciente com varizes. Esses cirurgiões acreditam que, mesmo quando existe refluxo na veia safena, em alguns casos é possível eliminar as causas desse refluxo melhorando a função da veia.
Porém, quando a veia safena já está tortuosa e com o diâmetro muito alterado, não há benefício em mantê-la, já que suas paredes já estão danificadas e não servirá como substituto de uma artéria em caso de necessidade. Nesses casos ela pode e deve ser retirada.

Existe alguma alternativa à retirada da veia safena?


Em 1988, um cirurgião francês chamado Franceschi descreveu uma técnica de cirurgia em que era realizada a desconexão da veia safena magna da veia femoral (veia profunda), seguida por ligaduras da veia abaixo das veias perfurantes que tivessem refluxo e retirada das veias colaterais (varizes). Essa técnica ficou conhecida por CHIVA (Cure conservatrice et Hémodynamique de l’insuffisance Veineuse en Ambulatiore ou cura hemodinâmica da insuficiência venosa em ambulatório) e é bastante difundida na Europa. Seus resultados são bastante semelhantes em termos de reaparecimento das varizes e melhora dos sintomas quando comparados à retirada da safena por cirurgia tradicional. Porém, muitas vezes, a safena acaba ocluindo por si só, ficando também inutilizada para fins de substituição de artérias. Além disso, essa técnica somente deve ser realizada por cirurgiões que a conheçam bem, pois ela é rica em detalhes que fazem a diferença no resultado pós cirúrgico.
Além dessa técnica, existem outras alternativas que estão sendo estudadas, como a colocação de próteses da junção da veia safena interna com a veia femoral no sentido de retomar a função das válvulas venosas ali presentes. Saiba mais aquiaqui e aqui.

Conclusão

A retirada da veia safena deve ser realizada apenas nos casos em que a veia apresenta-se dilatada e com refluxo. Ela pode e deve ser retirada nessas situações, não causando nenhum prejuízo à circulação da perna, pelo contrário: sua retirada irá favorecer o retorno do sangue ao coração por veias saudáveis. A safenectomia pode levar a complicações moderadas, como lesão de nervos sensitivos e vasos linfáticos, porém, na maioria das vezes isso não ocorre.
O grande prejuízo à pessoa que retirou todas as safenas (se retirou ambas as safenas magnas e parvas das duas pernas) é a falta de substituto arterial nos casos de necessidade de realização de pontes de safena. Mesmo assim, existem alternativas ao uso da veia safena como enxertos artificiais, produzidos com materiais como PTFe e dacron, além do uso de veias de outras localizações, como as dos braços.
Se ainda tiver dúvida quanto à retirada da veia safena, converse com o seu Cirurgião Vascular. Com certeza ele irá esclarecer o motivo pelo qual a safena deve ser retirada no seu caso.

Um grande abraço a todos os leitores! Até a próxima!


Dra Juliana Puggina - Cirurgia Vascular - CRM/SP 134.963
Sobre a autora
Dra. Juliana Puggina é médica cirurgiã vascular e escreve artigos informativos no blog 'Pernas pra que te quero'. Formada em Medicina pela Universidade Estadual de Campinas (UNICAMP), com residência médica em Cirurgia Vascular e Endovascular pela Universidade de São Paulo (USP). Membro da Sociedade Brasileira de Angiologia e Cirurgia Vascular e do American College of Phlebology.

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