Os Vasinhos e o Sol

Outubro já está pertinho do fim!!!

O primeiro mês de primavera passou voando, o frio já foi embora há algum tempo... e a temporada das pernas de fora está aí a todo vapor (e calor!!)

É nessa hora que muita gente se depara com o espelho e pensa:  O que eu faço com esses vasinhos todos!?!?!
Se você adiou ao máximo seu tratamento e, agora que decidiu desfilar as roupas um pouco mais curtas, sentiu necessidade de fazer algo a respeito... Faça! Não há motivo para desespero! Ainda dá tempo, sempre dá!

MAS ME DISSERAM QUE NO CALOR NÃO SE PODE TRATAR OS VASINHOS...!

Poder, pode. Sempre que houver necessidade, pode ser realizado o tratamento. O calor não é problema. O problema em grande parte dos casos é a EXPOSIÇÃO SOLAR; e isso acontece em qualquer época do ano.
Como no frio as pernas andam mais cobertas, a tendência é realizar o tratamento nas épocas de frio para facilitar a não exposição...


O QUE EU POSSO FAZER AGORA?

Deixando para outra discussão as veias que precisam de cirurgia, temos 2 principais formas de tratamento atualmente, que são a escleroterapia e o laser (leia mais no post vasinhos nas pernas: como acabar com eles). Vejamos quais os poréns de cada uma delas quando o assunto é sol:


ESCLEROTERAPIA  (convencional, crioescleroterapia, escleroterapia com espuma...)

A escleroterapia consiste em injetar um líquido no interior das veias, causando uma reação nas paredes do vaso e seu posterior desaparecimento. Isso é feito com agulhas e o líquido injetado pode variar. Sempre que se faz um tratamento das telangecstasias (vasinhos) com escleroterapia, há o risco do surgimento de hematomas (que são um acúmulo de sangue fora do vaso sanguíneo). Esses hematomas, quando expostos ao sol, podem deixar na pele uma mancha acastanhada de difícil remoção, como uma tatuagem.

escleroterapia, glicose, vasinhos, teleangiectasias, secar

Além disso, mesmo quando não há hematomas, existe uma reação inflamatória local nas veias (no final das contas é essa inflamação que vai fazer com que os vasinhos desapareçam), podendo deixar a pele irritada e avermelhada em seu trajeto por alguns dias. Em peles mais sensíveis e em especial nas peles pardas, há um risco grande de manchas quando se expõe essas áreas ao sol...

Ou seja, se você e seu médico optarem pela escleroterapia, basta EVITAR A EXPOSIÇÃO AO SOL nos dias subsequentes ao tratamento, até que o hematoma ou o avermelhado desapareçam. A quantidade de dias varia bastante entre as pacientes, em geral de 3 a 10. Nesse meio tempo, mesmo que esteja vestindo calças ou saias longas, não custa abusar do protetor solar.


LASER

É aplicado um feixe de luz sobre o vaso a ser tratado, com comprimentos de onda variáveis.
Como já explicamos no artigo "luz pulsada realmente trata os vasinhos"?, a faixa de absorção de luz pela pela hemoglobina em certos comprimentos de onda é muito próxima da absorção de luz pela melanina da pele, ou seja... dependendo da intensidade e dos comprimentos de onda da luz que é aplicada, pode-se atingir ao mesmo tempo os vasos e a melanina, podendo provocar manchas geralmente hipocrômicas (brancas) de difícil tratamento....

Quando nos bronzeamos há mais melanina acumulada na superfície da pele, como uma proteção natural para a pele exposta ao sol. Ao se aplicar LASER EM PELE BRONZEADA existe um risco grande de o laser atingir a melanina da pele e resultar em bolhas, manchas claras ou escuras, cicatrizes - risco bem maior do que nas peles não bronzeadas.
O laser especifico para veias (NdYag) tem uma afinidade menor pela melanina do que a Luz pulsada, por exemplo, mas ainda assim deve haver muita cautela.

Se no seu caso houver indicação do laser o ideal é segurar a ansiedade de se jogar no sol e fazer o tratamento antes de começar a caprichar no bronzeado de final de ano.


E sempre é bom lembrar: mesmo estando ansiosa por uma cor de verão, nada de exageros e nunca esqueça do filtro solar ! Olha o câncer de pele e o envelhecimento precoce aí!!!

Até a próxima!
 

Dra Anelise Rodrigues - Cirurgia Vascular
Sobre a autora
Dra. Anelise Rodrigues é médica, formada pela Universidade Estadual de Campinas (UNICAMP). Especialista em Cirurgia Vascular pela SBACV/AMB. Estágios em Cirurgia Endovascular na Universidade de Barcelona / Espanha e Ultrassom Vascular na Clínica Fluxo/SP e no Maimonides Medical Center, New York/USA.
 Atua como Cirurgiã Vascular em São Paulo/SP e Cuiabá/MT. Facebook  Google+    Instagram 






Hipotireoidismo: como saber se eu tenho essa doença?

Hoje o artigo publicado vai ser um pouco diferente do nosso tema principal que são as doenças da circulação, para falar de uma doença muito comum, que afeta milhões de pessoas pelo mundo, principalmente as mulheres, que é o hipotireoidismo.
O hipotireoidismo é, inclusive, uma doença que pode levar a inchaço nas pernas não relacionado com problemas circulatórios, como expliquei no artigo "Inchaço nas pernas: o que pode ser?" Pode ainda levar a dificuldade na perda de peso, o que afeta diretamente a circulação venosa, levando ao aparecimento e piora das varizes.
Para falar sobre esse tema tão importante, convidei o Dr. Gustavo Daher, que é endocrinologista do Hospital Albert Einstein.
Espero que vocês gostem do texto. Dúvidas, críticas, elogios e sugestões podem ser enviados pelo Fale Conosco, ou pelo FacebookTwitter e Google Plus!

Um abraço

Dra. Juliana Puggina



Hipotireoidismo é uma doença extremamente comum que acomete a tireóide, especialmente em mulheres e que possui diagnóstico e tratamento simples e acessível.

O hipotireoidismo pode levar ao excesso de peso e obesidade, varizes

O que é Hipotireoidismo?


Hipotireoidismo é uma condição onde a glândula tireóide, responsável por produzir e secretar os hormônios tireoidianos, passa a produzir menos hormônios que o necessário para o organismo.
A grande maioria das vezes essa diminuição de produção é decorrente de um problema na própria glândula tireóide, sendo que um dos principais causas desta alteração é a presença de anticorpos que destruem a tireóide com o passar do tempo, esta situação é conhecida como Doença de Hashimoto.
Muitas vezes o hipotireoidismo é confundido com o hipertireoidismo que, apesar do nome parecido, é uma doença que apresenta situação exatamente oposta, com liberação em excesso dos hormônios da tireóide. Condição mais rara e muitas vezes mais complexa.

Quais são os principais sintomas do hipotireoidismo?


Os hormônios tireoidianos funcionam como “reguladores” do metabolismo das células, assim em situações onde há falta destes hormônios há uma tendência a diminuição geral do funcionamento de vários sistemas do organismo.
O hipotireoidismo leva a cansaço, sensação de frio, pele seca e ganho de pesoGeralmente esta queda é gradual gerando os seguintes sintomas:
- Aumento do cansaço
- Sonolência excessiva
- Raciocínio mais lento
- Aumento da sensação de frio (passa a ter menos tolerância ao frio)
- Diminuição do suor
- Prisão de ventre
- Pele mais seca e fina
- Cabelos mais secos e quebradiços
- Aumento do inchaço
- Ganho de peso (normalmente discreto)
Em situações onde há queda rápida dos hormônios (mais raro) ou muitos anos de evolução da doença sem tratamento adequado, situações mais graves podem ocorrer incluindo diminuição dos batimentos cardíacos, alteração na menstruação nas mulheres, alteração na função dos rins e em casos extremos levar a coma e morte.
Outra situação importante é o hipotireoidismo na mulher grávida, situação que deve ser monitorada de perto por especialistas que possam tratar o hipotireoidismo adequadamente, para que o bebê e a gravidez possam se desenvolver sem complicações.

Como é feito o diagnóstico?


O diagnóstico é feito através de coleta de exames de sangue que medem diretamente a concentração dos hormônios tireoidianos na circulação, especialmente o hormônio principal chamado Tiroxina (chamado de T4), e também do hormônio que estimula a produção dos hormônios da tireóide chamado de TSH.
Estes exames são pedidos quanto a suspeita médica pelos sintomas do paciente ou em eventuais exames de rotina.
É importante procurar o médico endocrinologista sempre que suspeitar de hipotireoidismoNo Brasil, no teste do pezinho, todos os bebês são testados para uma condição rara que é o hipotireoidismo congênito, situação onde há baixa produção do hormônio desde de o nascimento da criança impedindo assim o seu desenvolvimento adequado. Por isso o diagnóstico precoce é essencial.

Como é feito o tratamento?


O tratamento do hipotireoidismo consiste na reposição do hormônio tireoidiano que não foi produzido pelo organismo.
Esta reposição é realizada através de comprimidos que possuem o hormônio T4 em quantidade previamente conhecidas. Devendo ser feita sempre com orientação e seguimento médico, para que a quantidade tomada seja a adequada para cada indivíduo, evitando assim, situações de excesso ou falta de hormônio.
A monitorização deve ser feita periodicamente através da dosagem do hormônio no sangue, sendo que muitas vezes a dose deve ser ajustada por uma série de fatores, destacando-se mudanças no peso, uso contínuo e regular da medicação.
A maior parte das pessoas necessitam de tratamento para o resto da vida, pois como já dito, a principal causa da doença é a destruição da tireóide por anticorpos. De qualquer maneira, mesmo nesta situação o acompanhamento médico contínuo é essencial para avaliar a necessidade de continuidade do tratamento.
Vale ressaltar que o uso indevido desta medicação por pessoas que não possuem hipotireoidismo é potencialmente muito perigoso e prejudicial a saúde, pois pode levar a alterações indevidas no metabolismo e consequencias diversas em todo o organismo.

Sobre o autor
Dr. Gustavo Daher é médico endocrinologista graduado pela Universidade Estadual de Campinas (UNICAMP), com especialização em Clínica Médica e Endocrinologia e Metabologia pelaa Universidade de São Paulo (USP). É membro da Endocrine Society (EUA) e da Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia (SBEM). Atua como médico do Programa de Diabetes do Hospital Israelita Albert Einstein.

LinkedIn - Site





Ultrassom doppler colorido: para que serve e como é feito?

Você sabe por que e para que é feito o exame de Ultrassom doppler? Esse com certeza é o exame mais pedido pelo Cirurgião Vascular para o diagnóstico das doenças venosas e arteriais, e, nesse artigo escrito pela nossa convidada Dra. Anna Paula Sincos, você vai descobrir porquê esse exame é tão importante.

Boa Leitura!

Dra. Juliana Puggina





o ultrassom doppler colorido venoso dos membros inferiores ou duplex ultra-som é o principal exame no diagnóstico das varizes

O ECO-DOPPLER, também conhecido como Ultrassom Vascular ou Ecografia Vascular, é um método de exame diagnóstico fundamental para o estudo das doenças vasculares.
O exame é realizado nas artérias e/ ou nas veias do corpo e tem como principais características:
1 - Ser um exame não invasivo;
O exame de ultrassom doppler para varizes deve ser realizado com paciente deitado e em pé, e feito por médico com treinamento em ecografia vascular2 - Indolor;
3 - De fácil execução e sem contra-indicações;
Ele é baseado no método da Ultrassonografia (Ecografia) convencional, associado ao estudo da direção e velocidade do fluxo do sangue dentro dos vasos, através de softwares de alta tecnologia.
Essa tecnologia revolucionou o tratamento vascular, tornando-se o exame Eco-Doppler essencial na avaliação dos problemas que acometem os vasos sanguíneos. A cada ano que passa, novas máquinas, cada vez mais aperfeiçoadas, surgem no meio da Angiologia e Cirurgia Vascular. A qualidade técnica dos exames e os dados conseguidos através deles vêm se tornando excelentes aliados da equipe médica que programa um procedimento cirúrgico.
O diagnóstico e tratamento das famigeradas varizes, por exemplo, foi um dos tratamentos que mais se beneficiou da parceria com o Eco-Doppler Vascular. Este método veio aprimorar o diagnóstico das varizes, pois, somente com um exame não invasivo, de fácil execução como esse, é que podemos visualizar o sistema venoso profundo, superficial e veias perfurantes do membro em tempo real , com alta eficácia e nenhum desconforto para o paciente.
O Doppler Vascular tornou-se tão útil que, na prática, não se indicam mais cirurgias de varizes sem a sua prévia realização. Com este método podemos não só mapear as veias varicosas visíveis (aquelas que ficam dilatadas logo abaixo da pele), como também as veias que não se evidenciam a olho nu.
O ultra-som doppler pode ser utilizado para quiar a cirurgia a laser para varizes
Além disso, determinamos a exata localização e funcionamento das veias perfurantes (veias que comunicam o sistema venoso profundo e o superficial) que serão tratadas na cirurgia. O Doppler Vascular pode ser utilizado inclusive no momento intra-operatório, com uso de dispositivos portáteis, para a visualização das varizes e acompanhamento do movimento dos catéteres em cirurgias endovenosas por Radiofrequência ou Laser.
Mais do que um mapeamento pré-operatório, o Ultrassom Vascular é capaz, ainda, de identificar causas secundárias de formação de varizes (trombose, por exemplo) e pesquisar alterações em outras partes do corpo, por exemplo, a pelve e abdome, responsáveis por gerar as varizes nas pernas.

Com o constante avanço no diagnóstico e tratamento das varizes dos membros inferiores, houve um grande aumento na precisão e acurácia da terapia cirúrgica e na diminuição de recidivas da doença varicosa.


                                      Sobre a autora
Dra. Anna Paula W. B. Sincos é médica cirurgiã vascular assistente do Hospital Israelita Albert Einstein. Tem Título de Especialista em Cirurgia Vascular pela SBACV com certificado de área de atuação em Angiorradiologia e Cirurgia Endovascular e em Ecografia Vascular. É membro titular da Sociedade Brasileira de Ultrassom, da Sociedade Brasileira de Laser em Medicina e Cirurgia e do American Venous Forum. Atua em São Paulo/SP

Twitter - LinkedIn - Site - Instagram