Qual é o melhor tratamento para varizes?

Você já deve ter ouvido falar sobre um monte de tratamentos diferentes para varizes.... Tem laser, tem espuma, tem escleroterapia, tem cirurgia convencional, tem cirurgia com laser, tem cirurgia com radiofrequência... Mas qual é o melhor tratamento que existe? Qual vai resolver melhor o seu problema?

Para comemorar os 4 anos de existência do blog "Pernas pra que te quero" estamos estreando o nosso canal no Youtube e o primeiro vídeo do canal é justamente sobre isso: QUAL É O MELHOR TRATAMENTO PARA AS VARIZES?

Para assistir ao vídeo e descobrir a resposta, clique abaixo:


Lembre-se que para cada caso, para cada tipo de vaso e para cada pessoa escolhemos um tratamento diferente de acordo com a avaliação clínica e com o resultado de exames como o ultrassom doppler. Por isso, é muito importante você procurar uma cirurgiã ou um cirurgião vascular e fazer uma avaliação detalhada antes de começar o seu tratamento. Só assim você vai conseguir o melhor resultado possível!

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Dra Juliana Puggina - Cirurgia Vascular - CRM/SP 134.963
Sobre a autora
Dra. Juliana Puggina é médica cirurgiã vascular e escreve artigos informativos no blog 'Pernas pra que te quero'. Formada em Medicina pela Universidade Estadual de Campinas (UNICAMP), com residência médica em Cirurgia Vascular e Endovascular pela Universidade de São Paulo (USP). Membro da Sociedade Brasileira de Angiologia e Cirurgia Vascular e do American College of Phlebology.

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Rua Oscar Freire 2250 cj 101 e 102 -Jd. América - São Paulo/SP

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Quais os riscos da cirurgia de varizes?

A cirurgia de varizes é um procedimento muito seguro, com baixo risco e baixo índice de complicações. Nesse artigo vou detalhar para vocês tudo o que existe relatado na literatura médica sobre os riscos da cirurgia de varizes e o que os médicos e pacientes podem fazer para diminuir a probabilidade de complicações. E se, mesmo assim, você não se convencer a operar suas varizes, mostrarei alguns tratamentos alternativos à cirurgia.

a cirurgia de varizes é considerada de baixo risco

Eu já escrevi aqui no blog vários artigos sobre a cirurgia de varizes, explicando como ela é feita (para ler mais clique em Como é feita a cirurgia de varizes nas pernas: passo-a-passo), em que casos a veia safena precisa ser tratada, quais as novas alternativas de cirurgias minimamente invasivas como a cirurgia de varizes com laser e com radiofrequência e ainda sobre quanto custa fazer uma cirurgia de varizes.
Para cada caso optamos pelo tratamento que trará o melhor resultado funcional e estético, de acordo com os sintomas que a pessoa apresenta, com o tipo, tamanho e quantidade de varizes, com a presença ou não de complicações como escurecimento da pele da perna e úlceras e com outros fatores como idade e presença de doenças que aumentem o risco de uma cirurgia, por exemplo. E muitas vezes chegamos à conclusão que a cirurgia é o melhor a ser feito.
E é aí que o medo aparece! O que pode acontecer comigo se eu operar as varizes?


Risco de morte na cirurgia de varizes


O medo principal de qualquer pessoa que irá se submeter a uma cirurgia qualquer é o medo da morte. Morrer durante uma cirurgia de varizes é muito muito raro, porém, no Brasil, esse receio é disseminado especialmente devido a um caso que ficou muito famoso na década de 80. A maioria dos leitores provavelmente nem era nascido ainda quando, em 2 de abril de 1983, a cantora Clara Nunes faleceu vítima de complicações decorrentes de uma cirurgia de varizes. Clara Nunes era uma das cantoras mais populares do Brasil na época e sua morte causou muita comoção, mais de 50.000 pessoas compareceram ao seu velório na quadra da Escola de Samba Portela e houve cortejo fúnebre em carro do corpo de bombeiros até o cemitério São João Batista, no Rio de Janeiro, onde está enterrada. Após as investigações sobre o caso, concluiu-se que a causa da morte da cantora foi uma reação anafilática ao halotano, substância gasosa que era usa em anestesia geral na época. Se você quiser saber mais detalhes sobre o caso, veja o artigo sobre isso na wikipédia clicando aqui.

Fiz um levantamento de 27 estudos que existem publicados sobre pacientes que foram submetidos a cirurgia de varizes dos mais variados tipos,somando mais de 10.000 pacientes estudados. Não houve o relato de nenhuma morte nesses estudos. ZERO mortes em 10.000 cirurgias.

Os únicos casos de morte devido a cirurgia de varizes que estão relatados na literatura médica foram 4 casos em um estudo que focou apenas em cirurgias em que houve uma complicação grave que é a lesão de vasos maiores. Esse tipo de lesão só é possível de acontecer nas cirurgias de retirada da veia safena (expliquei como essa cirurgia é feita aqui) e mesmo assim é bastante rara, ocorrendo em apenas 0,017 a 0,3% das safenectomias. Um outro estudo relatou um caso de morte no pós-operatório de cirurgia de varizes. Era um estudo sobre cirurgia em paciente que já haviam retirado a safena e apresentaram novas varizes na região da virilha (os vasculares chamam isso de recidiva de croça da safena). Nesses casos, a cirurgia é bem mais delicada porque já houve um processo cicatricial na região e devido a isso, as estruturas já não estão mais tão fáceis de identificar, o que aumenta muito a taxa de complicações (que podem chegar até 40% dos casos). Quem quiser ler os artigos científicos completos, clique aqui e aqui.

Sendo assim, concluímos que a chance de morrer devido a uma cirurgia de varizes é quase ZERO e as únicas mortes que ocorreram foram devido a complicações graves que são muitíssimo raras.


Risco de amputação da perna na cirurgia de varizes


Existem 15 casos de amputação relatados em toda a história da cirurgia vascular devido a complicações de cirurgia de varizes. Todos os casos aconteceram devido a lesões na artéria femoral, que fica próxima à junção da veia safena e da veia femoral, sendo assim, esse tipo de complicação também só é possível de acontecer nos casos de retirada da veia safena (safenectomia aberta). Como eu expliquei acima, esse tipo de lesão de grandes vasos é muito muito rara e acontece em no máximo 0,3% dos casos de safenectomia. Segundo o estudo que verificou essas complicações (leia na íntegra aqui), dos casos em que acontecem a lesão da artéria, em 34% das vezes houve necessidade de amputação. Nos outros 66% dos casos, o paciente não teve nenhum problema após o reparo da lesão arterial.
Ou seja, o risco de sofrer uma amputação devido a complicações de uma cirurgia de varizes é mínimo, considerando que há poucos casos no mundo em que isso ocorreu.


Risco de trombose na cirurgia de varizes


O risco de se ter uma trombose venosa profunda por causa de uma cirurgia de varizes varia entre 0,5 e 1% nos estudos. Para quem não sabe o que é uma trombose venosa profunda, leia o artigo “Trombose venosa profunda: saiba como prevenir e tratar este problema”.
Entre as todos os casos que tiveram trombose venosa profunda, em apenas dois deles houve tromboembolismo pulmonar e não houve nenhuma morte devido a este quadro.

Há um estudo publicado por pesquisadores da Nova Zelândia em 2004 que realizou acompanhamento rigoroso com ultrassom doppler em 377 pacientes que realizaram retirada da veia safena. Os pesquisadores identificaram a presença de trombos (coágulos) em veias do sistema profundo em 5,3% dos casos após 2 semanas da cirurgia. Na maioria dos casos (4,7%) esses coágulos estavam localizados em pequenas veias da musculatura da panturrilha e eram assintomáticos, ou seja, o paciente não sentia nada de diferente além do esperado para o pós-operatório. Após 1 ano, os pacientes foram reavaliados e em 50% dos casos não havia nenhuma sequela de trombose em suas veias. (leia o artigo na íntegra aqui)

A trombose venosa é uma complicação que pode acontecer em qualquer tipo de cirurgia, porém quanto maior a cirurgia e maior a necessidade de repouso sem andar no pós-operatório, maior a chance de isso acontecer. Por isso que é importante escolher a técnica cirúrgica menos invasiva possível, que vai possibilitar uma recuperação mais rápida, com menos dor e permitir que o paciente comece a andar mais rápido, diminuindo a chance de acontecer essa complicação. Além disso, é importante relatar ao cirurgião vascular dores e inchaços acima do esperado no pós-operatório, que devem ser prontamente investigados com exame de ultrassom doppler colorido. E, se uma trombose for identificada, esta deve ser tratada imediatamente, para evitar complicações e sequelas.


Outras complicações da cirurgia de varizes


Outras complicações menores também estão descritas nos estudos sobre cirurgia de varizes. São elas:

- Infecção da ferida operatória (1,5 a 13,7%): ocorre quando há a entrada de bactérias pelo corte que realizamos para fazer a cirurgia. Nesses casos, ocorrer vermelhidão e inchaço no local e pode haver saída de pus. Assim que a infecção for detectada deve ser iniciado tratamento com antibióticos para matar as bactérias causadoras, e às vezes, é necessário a drenagem do pus, o que na maioria das vezes pode ser realizado no próprio consultório do médico sob anestesia local, sem necessidade de nova internação. O aparecimento da infecção ocorre de 3 a 7 dias após a cirurgia. Para evitar a ocorrência desse problema, é indicada a injeção de uma dose de antibiótico logo antes de iniciar a cirurgia. Um estudo de 2010 mostrou que pacientes que receberam essa dose de antibiótico logo antes do início da cirurgia tiveram uma taxa de infeção muito menor do que aqueles que não receberam esse medicamento preventivo. (saiba mais sobre este estudo aqui )

- Fístula linfática e linfocele (1,3 a 16,5%) : ocorre quando há a lesão dos minúsculos vasos linfáticos que se encontram próximos às veias varicosas retiradas. Nesses vasos corre um líquido transparente chamado linfa e esse líquido pode se acumular debaixo da pele, levando ao aparecimento da linfocele ou pode extravasar para fora, levando ao aparecimento da fístula linfática. São complicações bastante benignas, sem grandes repercussões além do desconforto. São tratadas com compressão do local, e, em alguns casos, pode ser necessária a drenagem desse líquido sob anestesia local.

- Tromboflebites (0,3 a 20%): ocorre quando há o aparecimento de um coágulo de sangue em alguma veia superficial que não foi retirada. Quando fazemos a cirurgia de varizes, retiramos apenas as veias que estão varicosas. Porém, essas veias varicosas estão interligadas com outras veias normais, que são deixadas na perna. Essas veias precisam ser amarradas (ou ligadas como dizemos no jargão cirúrgico) para evitar sangramentos e devido a isso às vezes seu fluxo fica interrompido e pode haver formação de coágulos de sangue e inflamação. As tromboflebites (ou flebites) podem se estender para as veias profundas e causar uma trombose venosa profunda, mas isso é razoavelmente raro. Na maioria das vezes causam apenas vermelhidão, calor e dor no local, o que é tratado com remédios anti-inflamatórios e com compressas. Dependendo da extensão da flebite. O cirurgião vascular pode considerar que vale a pena iniciar o tratamento com medicamentos anticoagulantes, para evitar que ocorra uma trombose.

- Pneumonia, infecção urinária e outras infecções (0,3 a 0,5%): são complicações inerentes a qualquer procedimento cirúrgico e, assim como no caso da trombose, a recuperação mais rápida, com menos dor e que permita que o paciente comece a andar mais rápido, diminui a chance de isso acontecer.

- Hematomas e equimoses (1 a 75%): essa é uma complicação extremamente comum. Eu diria que é esperada. Como na cirurgia de varizes estamos retirando veias, quase sempre ocorre o extravasamento de um pouco de sangue para os tecidos abaixo da pele, o que causa o aparecimento de manchas roxas (que são as equimoses) e de nódulos cheios de sangue (que são os hematomas). Essa é uma complicação benigna, que na grande parte das vezes não necessita de nenhum tratamento específico. No caso dos hematomas, se estes forem muito grandes, o cirurgião pode optar por drená-los, isto é, por realizar uma anestesia local e um pequeno corte para retirar o sangue retido. Isso ajuda a aliviar a dor e evitar que haja uma infecção desse sangue que ficou ali parado. No caso das equimoses, geralmente indicamos apenas a massagem local com cremes e géis que facilitem a sua absorção. Uma das formas de diminuir o aparecimento das equimoses e hematomas após a cirurgia de varizes é o uso correto das meias de compressão elásticas prescritas pelo cirurgião vascular.



E se mesmo sabendo que o risco da cirurgia de varizes é pequeno eu não quiser operar?


Para as pessoas que não desejam se submeter à cirurgia existem ainda algumas alternativas.

Se você possuir apenas microvarizes e vasinhos, e não houver em seu exame de ultrassom refluxo ou insuficiência da veia safena, de veias perfurantes ou de varizes colaterais maiores do que 3 mm de diâmetro, é possível realizar seu o tratamento no consultório médico utilizando o laser transdérmico Nd YAG 1064nm associado à escleroterapia (aplicação de glicose). Já falei sobre este tratamento nesse post aqui, dá uma olhada lá.

As microvarizes e os vasinhos também podem ser tratados com a escleroterapia com espuma de polidocanol. Já falei disso também, leiam no artigo "Tratamento para varizes com espuma: quando deve ser feito?".

Agora, se no seu caso há insuficiência ou refluxo da veia safena, de veias perfurantes ou de varizes maiores do que 3 mm, a única alternativa não operatória de tratamento é a escleroterapia com espuma de polidocanol. Esse tratamento é possível porque podemos realizar a injeção da substância diretamente na veia afetada mesmo que esta não seja visível, através do uso do aparelho de ultrassom para guiar a punção. Com o ultrassom, enxergamos a veia que está com problema e injetamos a espuma diretamente nela, garantindo a eficiência do método. Infelizmente, a efetividade da escleroterapia com espuma de polidocanol é inferior à da cirurgia. Por isso que damos preferência a indicar cirurgia nos casos em que a pessoa é saudável e pode realiza-la.

Conclusão

A cirurgia de varizes é extremamente segura. O risco de morrer em decorrência desse tipo de cirurgia é praticamente zero e o risco de complicações maiores como amputações e tromboses também é bastante pequeno. Outras complicações menores como infecção da cicatriz, flebites e machas roxas ocorrem com mais frequência, mas são de tratamento simples e existem formas de diminuir o seu aparecimento.
Para as pessoas que não desejam ser operadas, exitem ainda outras alternativas de tratamento como o laser transdérmico para as microvarizes e vasinhos e a escleroterapia com espuma de polidocanol para varizes maiores e veia safena.



Dra Juliana Puggina - Cirurgia Vascular - CRM/SP 134.963
Sobre a autora
Dra. Juliana Puggina é médica cirurgiã vascular e escreve artigos informativos no blog 'Pernas pra que te quero'. Formada em Medicina pela Universidade Estadual de Campinas (UNICAMP), com residência médica em Cirurgia Vascular e Endovascular pela Universidade de São Paulo (USP). Membro da Sociedade Brasileira de Angiologia e Cirurgia Vascular e do American College of Phlebology.

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8 Motivos Para Não Fazer Cirurgia de Varizes

Sentir medo é natural, faz parte da vida. O medo, assim como a dor, é um dos mecanismos protetores mais importantes do nosso organismo. São eles, o medo e a dor, que nos mantém vivos, apesar das ameaças constantes ao nosso corpo.
Fazer uma cirurgia nunca é uma situação confortável. Muitos medos, anseios e inseguranças rondam a cabeça de quem vai ser submetido a uma operação.

No caso da cirurgia para tratamento das varizes, esse receio aparece com muita freqüência. Toda vez que eu indico a realização de cirurgia para tratamento de um paciente, me deparo com aquela cara de espanto. Por causa disso, resolvi escrever este texto sobre os principais medos de quem vai operar de varizes e o que a ciência tem a dizer sobre cada um deles. Será que esses medos se justificam? Confira a seguir.

Apesar de seu uma cirurgia de baixo risco, muita gente tem medo de operar as varize


Motivo no. 1 - Tenho medo de morrer por causa de cirurgia, essa cirurgia é muito arriscada.


Eu já falei sobre isso no artigo "Quais os riscos da cirurgia de varizes?". Avaliei o resultado de dezenas de estudos, que somam mais de 10.000 cirurgias de varizes realizadas, e nesses estudos não houve nenhuma morte em decorrência de complicações de cirurgia de varizes. As únicas cinco mortes relacionadas a este tipo de cirurgia relatadas em toda a literatura médica foram devido a lesões de grandes vasos como a veia femoral durante a cirurgia de retirada da safena (safenectomia). Esse tipo de lesão é muito muito muito rara e ocorre em no máximo 0,3% das safenectomias.

Ou seja: o risco de morrer devido a complicações de uma cirurgia de varizes é praticamente ZERO.


Motivo no. 2 - Não adianta operar porque as varizes voltam.



Varizes não tem cura! (já falei sobre isso nesse artigo aqui) O aparecimento das varizes nas pernas está relacionado a condições genéticas e a situações relacionadas ao nosso estilo de vida como o sobrepeso e a obesidade, o sedentarismo, o número de gestações e o tempo em que permanecemos em pé ou sentados. Já expliquei em detalhes como isso ocorre no artigo "Por que as varizes voltam depois de operar?"

Porém, nós sabemos que as varizes podem causar um monte de complicações como dores e inchaços nas pernas, aparecimento de manchas escurecidas e feridas (as chamadas úlceras varicosas) e até consequências mais sérias como a trombose venosa profunda (leia sobre isso no artigo: "Varizes podem causar trombose?").

Por isso, assim que percebemos o aparecimento das varizes precisamos tratá-las. Esse tratamento pode ser feito com escleroterapia, laser, cirurgia, não importa. O importante é eliminar as veias que estão ruins, com mal funcionamento, dando oportunidade ao sangue de caminhar por veias saudáveis, favorecendo o retorno normal do sangue de volta ao coração.

Não há um limite de vezes que o tratamento pode ser realizado: sempre que detectamos uma veia ruim, esta deve ser eliminada, para evitar que o problema vire uma bola de neve e as complicações apareçam.


Motivo no. 3- Tenho medo de ficar cheia de marcas e cicatrizes nas pernas.


Qualquer procedimento em que haja corte ou inflamação da pele pode levar a escurecimento do local (hiperpigmentação), manchas claras (hipopigmentação) e cicatrizes. Como as veias varicosas ficam abaixo da camada da pele, sempre será necessário atravessar essa barreira para eliminá-las, seja através de pequenos cortes, de punção de agulha ou ainda atravessando as camadas da pele com a luz de laser.
Como eu já expliquei no artigo "Manchas após tratamento de varizes e vasinhos", todos os tratamentos podem ocasionar manchas mas isso acontece apenas uma parte menor dos casos e, quando ocorre, as manchas são temporárias, na grande maioria das vezes.
Com relação às cicatrizes, os novos tratamentos cirúrgicos minimamente invasivos, como o laser, a radiofrequência e a microcirurgia de varizes, permitem que a retirada de varizes seja realizada por orifícios muito muito pequenos, de 1 a 2 mm, sem necessidade de cortes e pontos, na maioria dos casos. Isso leva a formação de cicatrizes tão discretas que acabam desaparecendo quase que completamente com o passar dos meses de recuperação. Mesmo nos casos em que é necessário o tratamento da veia safena, nenhum corte é necessário: tanto o laser quanto a radiofrequência são realizados através da punção com uma agulha e passagem de um fino cateter dentro da veia.
Ou seja: as cicatrizes são mínimas e a chance de manchas é pequena e quando acontecem, na maioria das vezes, são temporárias.


Motivo no. 4 - Não tenho tempo para realizar o repouso após a cirurgia, Vou ter que ficar várias semanas sem levantar da cama, isso é impossível para mim.


O tempo de repouso após uma cirurgia de varizes varia de acordo com o tipo e quantidade de veias que precisam ser tratadas e ainda de acordo com a técnica de cirurgia que vamos utilizar.
Antigamente, após uma cirurgia de varizes, era recomendado que a pessoa ficasse pelo menos um mês deitada com as pernas para cima. Isso não é mais recomendado.

Sabemos que quanto maior o tempo que a pessoa ficar sem movimentar a perna, maior o risco de ter uma trombose venosa profunda, por isso é recomendado que a pessoa volte a caminhar assim que possível, diminuindo o risco dessa complicação.
O repouso após a cirurgia de varizes é de apenas alguns diasTambém não tem nenhum fundamento científico a idéia de que se a pessoa não realizar repouso após a cirurgia as varizes podem reaparecer. Isso é um mito! Não existe a possibilidade de reaparecimento de varizes por causa da falta de repouso. Muito pelo contrário: os exercícios que levam à contração da musculatura da perna são grandes aliados da pessoa que tem varizes! Eles vão ajudar o sangue a retornar ao coração de forma mais efetiva. Expliquei isso nesse artigo aqui.

O único motivo para se realizar repouso após a cirurgia é para evitar a dor e o inchaço que ocorrem após o procedimento. Esses sintomas tendem a regredir após alguns dias da cirurgia e quando menos invasivo for o procedimento, menor o número de dias em que a pessoa precisa repousar. E esse repouso não é absoluto: você pode e deve levantar de vez em quando! Pode ir ao banheiro, se alimentar e fazer atividades domésticas bem leves já no dia seguinte da cirurgia.

Um estudo inglês publicado em 2010 que analisou 131 cirurgias de termoablação da veia safena com radiofrequência e laser mostrou que mais da metade dos pacientes voltaram à rotina normal de trabalho em apenas 3 dias após a cirurgia e 70% dos pacientes retornaram a todas as suas atividades em menos de uma semana. Leia esse artigo completo clicando aqui.

Portanto: se você tiver pelo menos uma semana de folga dá para fazer a cirurgia de varizes! Mesmo que no seu caso a veia safena também precise ser tratada!

Motivo no. 5 - Já acostumei a esconder as pernas e não gosto mais de usar shorts e saias.


Hoje em dia, considerando o avanço dos tratamentos de varizes, não vale a pena deixar de aproveitar as melhores coisas da vida como passear em um parque num dia de verão, curtir uma piscina com os amigos, brincar com os filhos na areia da praia ou colocar aquela mini saia bacana para ir à balada, só porque suas pernas estão feias.
O resultado dos tratamentos é muito bom, quando feitos de forma adequada e por um profissional capacitado. E vão fazer muita diferença na sua qualidade de vida, diminuindo a vergonha e o mal estar por mostrar as pernas.
Além disso, vale ressaltar, como já falei acima, que as varizes não são um problema estritamente estético e podem levar a complicações como dores e inchaços nas pernas, aparecimento de manchas escurecidas e  úlceras varicosas, sangramentos volumosos e até trombose venosa profunda.


Não deixe de aproveitar os bons momentos da vida por causa das varizes


Motivo no. 6 - Não tenho dinheiro para fazer a cirurgia de varizes. 


A cirurgia de varizes é uma cirurgia de baixo risco e com poucas complicações, e a possibilidade de acontecer alguma intercorrência que exija mais tempo de internação é muito pequena. Dessa forma, se você for fazer uma cirurgia particular, provavelmente o valor que for orçado pelo hospital e pelo cirurgião vascular será o valor que você vai pagar. É raro ter algum adicional.

Já falei no artigo "Quanto custa uma cirurgia de varizes?" que no valor da cirurgia particular precisamos somar o custo do hospital e o custo dos honorários da equipe médica que irá realizar o procedimento. Além disso, no caso das cirurgias realizadas com laser ou com radiofrequência, é preciso somar o valor do material (fibra ou cateter) que será utilizado. No artigo eu explico tim-tim por tim-tim cada item e dou os valores aproximados. Muitos médicos e hospitais facilitam o pagamento em algumas vezes para que você consiga pagar tudo sem pesar tanto assim no orçamento.

Outra alternativa é o reembolso médico. Algumas seguradoras de saúde como Sulamérica, Bradesco, Porto Seguro, Allianz e outros convênios como One Health, Lincx, Omint e Care Plus, possuem essa modalidade, em que é dado ao paciente a possibilidade de Livre Escolha, ou seja, ele pode escolher fazer a cirurgia com o médico que desejar e o convênio irá devolver o valor que o paciente pagou à equipe cirúrgica. Dependendo do convênio e do plano que você tem, os honorários médicos podem ser reembolsados integral ou parcialmente. Eu explico todos os passos do processo de reembolso para consultas, exames e cirurgias nessa página aqui.

A cirurgia de varizes pode ser realizada pelo SUS, por convênios e por reembolso
Se a grana estiver realmente curta e pagar uma cirurgia particular ou fazer um convênio para receber o reembolso não for possível, resta procurar o Sistema Único de Saúde (SUS). A cirurgia de varizes é um procedimento que pode ser realizado pelo SUS. Porém, para conseguir ser operado, a pessoa deve percorrer um caminho longo, na maioria das vezes.  Você deve procurar a Unidade Básica de Saúde (UBS) ou posto de saúde mais próximo da sua residência e solicitar a consulta com um médico generalista (clínico geral). Este médico irá avaliar suas pernas e solicitar os exames necessários para o diagnóstico das varizes, em especial o ultrassom doppler colorido venoso. Após o resultado do exame, o médico generalista irá avaliar se seu caso tem indicação de cirurgia e, se tiver, irá encaminha-lo a um médico especialista em cirurgia vascular em algum ambulatório de especialidades (como o AME, por exemplo). Você então irá passar em consulta com o cirurgião vascular, que após avaliar seus exames e suas pernas, irá indicar a realização do procedimento. Após a indicação, o paciente geralmente aguarda em uma fila de espera até ser chamado para a realização da cirurgia. O tempo que o paciente aguarda na fila de espera pode variar de algumas semanas até anos, dependendo da região e do serviço de saúde ao qual for encaminhado.

Motivo no. 7 - Minha safena não funciona bem e tenho medo de que essa veia faça falta para minha circulação se eu retirá-la.


A maior parte do sangue que retorna dos pés para o coração passa pelas veias profundas (mais de 80% do volume sanguíneo venoso), que correm próximas à musculatura. Sendo assim, somente uma pequena parte do sangue passa pelas veias superficiais e por isso é que podemos retirar ambas as safenas de uma perna sem ter prejuízo no retorno do sangue. As safenas são as principais veias superficiais das pernas, mas não são as únicas: quando retiramos essas veias, o sangue é desviado para as veias colaterais e a circulação segue seu caminho normalmente.

Um outro receio dos pacientes que precisam ser submetidos à retirada da veia safena é quanto à necessidade do uso dessa veia no futuro, como para ser colocada no coração em caso de infarto. Porém, quando a veia safena já está tortuosa e com o diâmetro muito alterado, não há benefício em mantê-la, já que suas paredes já estão danificadas e não servirá como substituto de uma artéria em caso de necessidade. Nesses casos ela pode e deve ser retirada. Falei mais detalhes sobre a retirada da veia safena no artigo: "Eu preciso tirar mesmo a veia safena? Ela não vai fazer falta no futuro?".

Motivo no. 8 - Gostaria de fazer a cirurgia, mas não tenho um médico em que eu confie plenamente para realizá-la.


Para escolher um bom médico, seja para realizar uma cirurgia de varizes ou em qualquer outra situação, vale a pena levar em consideração vários aspectos.

Em primeiro lugar, vale a pena consultar amigos e parentes para solicitar uma indicação de um bom profissional. Com certeza, a pessoa que foi submetida a um tratamento adequado, por um médico competente e sobretudo humano, irá indicar que você procure o mesmo profissional.

Se você não conhece ninguém que já tenha realizado tratamento semelhante, você pode lançar mão da internet. No próprio facebook você pode encontrar páginas de médicos que realizam o tratamento que você precisa e, nessas páginas, há uma área com as avaliações de pacientes e leitores. Vejam lá na minha fanpage como isso funciona: https://www.facebook.com/juliana.puggina.cirurgia.vascular .

Após avaliar a reputação, vale a pena verificar a formação do médico: em que faculdade se formou, se realizou residência médica e em qual hospital, se possui título de especialista, se realizou cursos de especialização, se realiza pesquisas, se continua se atualizando etc.

Uma outra dica é acessar o site do Conselho Regional de Medicina do seu Estado (para quem é de São Paulo, acesse o CREMESP) e verificar se o médico está devidamente registrado e se ele realmente tem a especialidade registrada no órgão (registro no quadro de especialistas ou RQE).

Vale a pena também verificar se seu médico está na lista de médicos credenciados pela Sociedade Brasileira de Angiologia e Cirurgia Vascular (para quem é de São Paulo, acesse: http://sbacvsp.com.br/procure-seu-angiologista ).

Tenho certeza de que se você se consultar com um médico que seja bem recomendado, tenha uma boa formação, seja especialista na área e se mantém atualizado, as chances do seu tratamento ser um sucesso são bem grandes!



Espero que todos esses motivos sejam deixados de lado por você após ler esse texto.

O tratamento cirúrgico de varizes é uma cirurgia muito segura e com ótimos resultados. Com certeza vale a pena encarar esse tratamento para atingir uma melhor qualidade de vida e uma saúde vascular equilibrada.

E, para terminar, uma frase para refletirmos sobre o medo e o quanto ele nos afasta da felicidade.

Não precisa ter medo: a cirurgia de varizes é muito segura!

Fiquem com Deus e até a próxima!


Dra Juliana Puggina - Cirurgia Vascular - CRM/SP 134.963
Sobre a autora
Dra. Juliana Puggina é médica cirurgiã vascular e escreve artigos informativos no blog 'Pernas pra que te quero'. Formada em Medicina pela Universidade Estadual de Campinas (UNICAMP), com residência médica em Cirurgia Vascular e Endovascular pela Universidade de São Paulo (USP). Membro da Sociedade Brasileira de Angiologia e Cirurgia Vascular e do American College of Phlebology.

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Varizes podem causar trombose?

Muitas pessoas têm medo de ter trombose por conta das varizes nas pernas
Olá pessoal, tudo bem? Depois de um longo tempo sem escrever, estou de volta! Hoje é um dia muito especial porque estamos completando 3 milhões de visualizações do blog desde sua fundação em julho de 2013. Obrigada a todos vocês leitores e leitoras que ajudam a manter o sucesso da página!

O assunto de hoje é muito importante pois trata de uma possível complicação das varizes: a trombose!
Muita gente que tem varizes morre de medo de que elas possam ser as causadoras de uma trombose venosa profunda ou até de um tromboembolismo pulmonar. Mas será que isso pode mesmo acontecer? Fui pesquisar estudos científicos sobre este tema e o resultado da minha pesquisa você confere nos próximos parágrafos.

Trombose venosa e varizes são doenças bastante comuns e que afetam uma parcela considerável da população mundial. Uma das grandes preocupações da pessoa que possui varizes nas pernas é a possibilidade de complicações, como o aparecimento de uma trombose venosa.

Já expliquei no artigo "Trombose venosa profunda: saiba como prevenir e tratar este problema" que a trombose venosa é o entupimento de uma veia causado pela formação de um coágulo de sangue (ou trombo) em seu interior. Há 3 fatores principais que levam à formação desse coágulo: anormalidades no fluxo do sangue (quando o sangue "anda" mais lento do que o normal), anormalidades no próprio sangue (quando existe alguma célula ou fator da coagulação que está alterado e leva a formação do coágulo) e anormalidade na parede da veia (alterações na parede da veia que ativam o sistema de coagulação para evitar sangramento, como quando nos machucamos ou somos submetidos a uma cirurgia). Esses fatores são conhecidos como "tríade de Virchow".

As veias varicosas apresentam refluxo de sangue por conta do mau funcionamento de suas válvulasAs varizes são veias dilatadas e tortuosas, que apresentam alterações em suas válvulas, dificultando o retorno do sangue de volta para o coração. Descrevi com detalhes o funcionamento das veias no artigo: "Por que eu tenho varizes?". Quando as válvulas estão com problema, o sangue consegue andar em ambas as direções, tanto no sentido correto (do pé para o coração), quanto no sentido oposto, levando a uma dificuldade no retorno e diminuição da sua velocidade (o que na linguagem do ultrassom doppler chamamos de refluxo). E, como eu disse no parágrafo anterior,  esse é um dos fatores que levam à formação dos coágulos. É daí que vem a idéia de que as varizes podem ser um fator de risco para a trombose.

Mas será que isso ocorre mesmo na prática?

Um estudo publicado em 2016 no Journal of Vascular Surgery avaliou com ultrassom doppler as veias de 87 indivíduos que apresentavam episódio atual de trombose venosa profunda, para saber se essas pessoas apresentavam mais veias com refluxo (veias com alterações varicosas) do que pessoas que não possuíam trombose no momento. Os pesquisadores observaram que 44% das pessoas que estavam com trombose apresentavam também refluxo nas veias do sistema superficial. Entretanto, somente 14% das pessoas que não tinham trombose no momento apresentavam o mesmo achado. Isso levou os pesquisadores a concluir que a presença da insuficiência das veias (ou seja, das varizes) é um fator de risco para o surgimento de trombose. (leia o estudo na íntegra clicando aqui) É interessante também notar que não houve diferença no risco de aparecimento de trombose entre os pacientes que possuíam refluxo nas veias e tinham sintomas como dor, cansaço, inchaço e veias varicosas aparentes e os pacientes que não sentiam nada, apesar de apresentarem refluxo nas veias ao ultrassom. Isso aponta para uma coisa importante: mesmo que você não sinta nada, você pode ter uma trombose simplesmente por possuir varizes nas pernas.

As varizes aumentam a chance do surgimento de uma tromboseUm outro estudo feito na Suíça com base nos dados do sistema de saúde daquele país entre os anos de 1964 e 2008, avaliou o risco de apresentar trombose em pessoas cujos irmãos possuíam diagnóstico de varizes e o risco de ter varizes em pessoas cujos irmão tiveram alguma forma de trombose. Foram analisadas mais de 87.000 pessoas que tiveram trombose e mais de 96.000 pessoas que possuíam varizes e o resultado foi o seguinte: foi observado um maior risco de desenvolver trombose nas pessoas que possuíam irmãos com varizes (1,3 vezes mais risco) assim como foi observada uma maior prevalência de varizes nos irmãos das pessoas que tiveram trombose. Isso leva a crer que tanto as varizes quanto a trombose têm relação com uma predisposição familiar e que o fato de possuir tendência genética ao aparecimento de varizes é um fator de risco para o surgimento de uma trombose. 
Portanto, concluímos que as varizes parecem sim aumentar o risco para a ocorrência de uma trombose.
Sendo assim, vale a pena tratar as veias varicosas assim que diagnosticadas, mesmo que a pessoa não tenha sintomas, buscando diminuir a chance de complicações como a trombose. Se você quiser saber mais a respeito do tratamento das varizes, dê uma olhada nos posts: "Como tratar varizes nas pernas?"e "Cirurgia de varizes: passo-a-passo".

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Dra Juliana Puggina - Cirurgia Vascular - CRM/SP 134.963
Sobre a autora
Dra. Juliana Puggina é médica cirurgiã vascular e escreve artigos informativos no blog 'Pernas pra que te quero'. Formada em Medicina pela Universidade Estadual de Campinas (UNICAMP), com residência médica em Cirurgia Vascular e Endovascular pela Universidade de São Paulo (USP). Membro da Sociedade Brasileira de Angiologia e Cirurgia Vascular e do American College of Phlebology.

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